O jornalista Raimundo Rodrigues Pereira, fundador de veículos que desafiaram a censura militar e formador de gerações de repórteres comprometidos com a democracia, morreu na sexta-feira, 2 de maio, aos 85 anos.
A notícia foi divulgada pelo portal Opera Mundi e provocou manifestações de pesar de colegas que o consideram o maior articulador da imprensa alternativa no Brasil.
Expulso do Instituto Tecnológico de Aeronáutica por envolvimento político, o jovem engenheiro escolheu o jornalismo como campo de combate à ditadura instaurada em 1964. Esse salto de carreira, corajoso e pouco convencional, marcou o início de uma vida dedicada a confrontar o silêncio imposto pelo poder.
Em meados dos anos 1960, Pereira ingressou na revista Realidade, laboratório de narrativas longas e investigação profunda que revolucionou o jornalismo impresso brasileiro. A publicação tornou-se referência de rigor apurativo num período em que a imprensa vivia sob pressão crescente dos aparatos de repressão.
A guinada decisiva de sua trajetória viria com o semanário Opinião, criado em 1972 para driblar a censura e oferecer espaço a intelectuais perseguidos pelo regime. Ali, como redator-chefe, Pereira comandou edições memoráveis que escapavam do crivo militar com criatividade textual e senso aguçado de oportunidade.
Dois anos mais tarde, a equipe lançou o jornal Movimento, que circulou até o início da abertura política e consolidou-se como voz de oposição organizada. Pereira cuidava pessoalmente da checagem exaustiva de dados, consciente de que qualquer falha factual poderia servir de pretexto para apreensões e prisões.
Mesmo após a redemocratização, ele continuou inovando com os projetos Retratos do Brasil e a revista Reportagem, dedicados a análises socioeconômicas e perfis de lideranças populares. Seus textos mantiveram, nas novas plataformas, a ênfase na apuração rigorosa e na defesa de políticas públicas voltadas à maioria da população.
Seu método rejeitava a pretensa neutralidade que muitas vezes legitima estruturas de poder e normaliza desigualdades históricas. Pereira proclamava que o repórter precisa indicar ao leitor onde se encontram as forças dominantes e de que forma elas tentam silenciar vozes divergentes.
Como editor, foi generoso com jovens recém-chegados das faculdades, instigando-os a checar até o último algarismo de cada orçamento examinado. Centenas de profissionais hoje espalhados em redações, assessorias e universidades carregam referências diretas de seu método de trabalho.
Pereira atravessou décadas em que corporações midiáticas consolidaram monopólios de voz e de pauta, mas nunca se rendeu à lógica de concentração informativa. Ao contrário, buscou brechas textuais e jurídicas para manter o debate público vivo, reforçando o princípio de que democracia depende de pluralidade.
A morte do editor ocorre num momento em que a desinformação nas redes ameaça conquistas obtidas com a Constituição de 1988. Relembrar sua militância jornalística serve de contraponto concreto à tentação do negacionismo que avança em ciclos de crise política.
A família informou que as cerimônias de despedida serão restritas, como desejava o próprio Pereira, avesso a homenagens grandiosas. Várias universidades já planejam mesas-redondas para discutir o percurso do repórter que transformou páginas impressas em instrumentos de resistência coletiva.
Fica a convicção de que seu legado não ocupa apenas bibliotecas, mas respira em cada reportagem que questiona interesses estabelecidos e devolve voz aos silenciados. O jornalismo como serviço público — e não como negócio de elite — foi a causa que Raimundo Pereira defendeu até o último dia.
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Carolina Maria Ruy
04/05/2026
Esta foto não é da UOL é do Centro de Memória Sindical. O Juruna e eu estávamos com ele na ocasião, na sede do Centro de Memória. Em 2017.
Vanessa Silva
03/05/2026
Cada um puxando a sardinha pro próprio lado, como sempre. O Raimundo fez um trabalho jornalístico relevante num contexto de exceção, ponto. Agora, misturar isso com briga ideológica rasteira só desvia do que realmente importa: como fortalecer uma imprensa independente hoje sem depender de narrativas de esquerda ou direita.
Laura Silva
03/05/2026
A morte de Raimundo Pereira é daquelas perdas que expõem o fosso entre a memória histórica e a narrativa oficial que a grande imprensa tenta impor. Enquanto os conglomerados midiáticos — os mesmos que lucraram com o silêncio dos porões e hoje posam de democratas — dedicam manchetes ao falecimento de figurões do mercado financeiro, o fundador de veículos como Movimento e Coojornal recebe um obituário tímido, quase um sussurro. É sintomático. Raimundo não era apenas um jornalista; era um intelectual orgânico no sentido gramsciano mais puro: alguém que usou a palavra escrita como ferramenta de desvelamento da realidade, contra a hegemonia do capital e da ditadura. Sua imprensa alternativa não era um negócio, era um ato de resistência material num país onde a verdade era crime.
Vejo nos comentários o tal “Sgt Bruno” tentando reduzir décadas de jornalismo investigativo a “militância bancada”. É uma acusação que revela mais sobre quem a faz do que sobre o biografado. Bancada por quem, meu caro? Pelo povo que doava o pouco que tinha para manter um mimeógrafo rodando? Por sindicatos perseguidos? Pela Igreja progressista? O financiamento da imprensa alternativa sempre foi precário, quase artesanal, porque o capital privado jamais bancaria algo que denunciasse seus próprios privilégios. Chamar isso de “militância bancada” é ignorar que a imprensa comercial sempre foi bancada — e muito bem — pelos anúncios da Light, da Ford, do Bradesco, e pelo silêncio cúmplice com a tortura. A diferença é que Raimundo não vendia espaço para lavar a alma de banqueiro.
A discussão aqui não é sobre “heróis de araque”, como disse o Eduardo, mas sobre a função social do jornalismo. Raimundo Pereira formou gerações de repórteres que entendiam que a objetividade não é neutra — que esconder a mão do algoz atrás de um suposto equilíbrio é, em si, um ato político. Ele ensinou que cobrir um operário morto no canteiro de obras ou um camponês expulso da terra não é pauta de “esquerda”, é pauta de humanidade. O jornalismo que ele praticava incomoda justamente porque recusa o cinismo do “os dois lados têm culpa”. Num país onde a elite sempre tratou a miséria como paisagem, Raimundo insistiu em mostrar o rosto de quem constrói o Brasil com as mãos e morre sem direito a um enterro digno.
O que me entristece, ao ler essa thread, é ver como a direita brasileira — e até alguns liberais de buteco — conseguiram transformar a memória da resistência em algo caricato. Raimundo não era um santo, e isso é o que o torna tão humano e admirável. Ele errou, acertou, polemizou, mas jamais traiu a convicção de que a informação é um direito, não uma mercadoria. Enquanto a grande mídia transforma jornalistas em celebridades que vendem cursos de como ficar rico com texto, ele morre pobre, como viveu. Isso, para mim, é o maior atestado de sua integridade. Que sua biografia seja lida nas faculdades de comunicação, não como peça de museu, mas como manual de combate. Porque a luta contra o monopólio da palavra está longe de terminar — ela só mudou de forma, e agora se trava também nas telas, contra algoritmos que decidem o que podemos ver.
Eduardo Teixeira
03/05/2026
Morreu um jornalista que enfrentou a censura com coragem, respeito. Mas essa thread virou ringue político, como sempre. Cada um puxa a sardinha pro seu lado e esquece que o país precisa é de menos Estado sufocando a imprensa e menos heróis de araque.
Célia Carmo
03/05/2026
Menos Estado sufocando a imprensa” é papinho de quem acha que liberdade de mercado é maior que liberdade de expressão, hein Eduardo, vai tomar no cu com seu liberalismo de buteco! #ForaMito
Letícia Fernandes
03/05/2026
A morte de Raimundo Pereira não é apenas o fim de uma vida, mas o apagamento de um capítulo inteiro da resistência intelectual brasileira que a burguesia gostaria de ver esquecido. Enquanto os grandes conglomerados midiáticos — aqueles mesmos que apoiaram o golpe de 1964 e lucraram com a censura — hoje choram lágrimas de crocodilo pela democracia, Pereira construiu uma imprensa que não se curvava aos interesses do capital. O Pasquim, o Movimento, o Repórter: cada um desses veículos foi um fio de navalha contra a hegemonia, operando com mimeógrafos e coragem enquanto a ditadura torturava e matava. O Sgt Bruno, com sua ignorância patológica, chama isso de militância bancada? É uma pena que o sujeito não tenha a menor noção do que significa produzir informação subversiva sob ameaça de prisão e morte. Mas isso é esperado de quem defende a ordem burguesa: a incapacidade de conceber que alguém possa agir por convicção, e não por remuneração.
O que me incomoda profundamente na thread é a redução do debate a xingamentos mútuos, como se a esquerda precisasse provar sua virilidade para um troll de quinta categoria. Adalberto e Luisa Teens têm razão na indignação, mas a raiva não substitui a análise. Raimundo Pereira não foi um herói solitário; ele foi produto de um contexto histórico em que a imprensa alternativa operava como instrumento de classe, desafiando a superestrutura ideológica do regime. Seu legado não está apenas nos jornais que fundou, mas na formação de uma geração de jornalistas que entendiam que a notícia não é neutra — ela serve ou à reprodução do capital ou à emancipação dos trabalhadores. É por isso que a direita o odeia: porque ele demonstrou que é possível fazer jornalismo fora da lógica do mercado, sem patrocínio de banco ou de multinacional.
O Lucas Alves tocou num ponto crucial ao questionar quem financiava esses jornais. A resposta é simples: ninguém com retorno financeiro. Eram projetos de resistência, mantidos por assinaturas modestas, doações de militantes e muito sacrifício pessoal. Enquanto a grande imprensa vendia espaço publicitário para a ditadura e fechava os olhos para as torturas, Pereira e seus colegas imprimiam denúncias em papel jornal de baixa qualidade, distribuídos clandestinamente. Isso não é militância bancada; é militância bancada pela própria vida. O Sgt Bruno que tente fazer o mesmo hoje, com a internet vigiada e os algoritmos a favor do capital, e verá quantos meses dura antes de ser processado por difamação ou ter suas contas bloqueadas.
Por fim, é sintomático que a morte de Raimundo Pereira ocorra num momento em que a imprensa hegemônica brasileira está mais alinhada do que nunca aos interesses do mercado financeiro. O legado dele nos lembra que a luta não é apenas contra a ditadura explícita, mas contra a ditadura sutil da informação pasteurizada, do jornalismo que se vende como neutro mas opera como braço ideológico da burguesia. Que os jovens jornalistas que hoje sofrem com a precarização do trabalho e a censura patronal olhem para a trajetória de Pereira e entendam que a resistência é possível — mesmo que seja com um mimeógrafo e uma cela de prisão esperando no fim do dia. Descanse em luta, companheiro.
Lucas Alves
03/05/2026
Sgt Bruno, você deve ser daqueles que acha que enfrentar a tortura e a censura com um mimeógrafo era “militância bancada”. Me explica a lógica: quem financiava um jornal que só dava prejuízo e colocava todo mundo na cadeia? O mercado livre resolveu patrocinar a resistência?
João Pereira
03/05/2026
A thread já mostra o quanto a figura dele ainda incomoda. De um lado, o ufanismo raso do Sgt Bruno, que reduz décadas de jornalismo investigativo a “militância bancada” — como se enfrentar a censura armada fosse moleza. Do outro, o Adalberto e a Luisa Teens trocando porrada verbal que só reforça o tribalismo. O Carlos Henrique foi o único que tentou ir além do clubinho: lembrou que a imprensa alternativa não era só barulho de esquerda, era o único contraponto factível num período em que a grande mídia fazia coro com os porões. Raimundo Pereira não precisa de hagiografia, mas também não merece o linchamento moral de quem nunca pisou numa redação sob risco de fechar.
Carlos Henrique Silva
03/05/2026
A morte de Raimundo Pereira não é apenas a perda de um grande jornalista, é o silenciamento de uma memória viva de como a imprensa pode ser instrumento de emancipação e não de reprodução do poder. Enquanto os grandes conglomerados midiáticos sempre operaram como braços da hegemonia burguesa, naturalizando o golpe de 1964 e tratando a ditadura como uma mera “revolução”, Raimundo e seus companheiros da imprensa alternativa faziam exatamente o oposto: desnudavam o caráter de classe do regime, denunciavam a tortura e mostravam que a “segurança nacional” era, na verdade, um projeto de espoliação dos trabalhadores. Gramsci já nos ensinava que a batalha pela hegemonia se dá também no terreno da cultura e da informação, e Raimundo Pereira foi um soldado dessa trincheira, produzindo contra-hegemonia com uma máquina de escrever e uma coragem inabalável.
O comentário do Sgt Bruno, infelizmente, é exemplar de um fenômeno que venho estudando: a interiorização da ideologia dominante por setores que deveriam ser os primeiros a se solidarizar com as vítimas do autoritarismo. Chamar Raimundo de “bancado por sindicato” é um non sequitur lógico e histórico. Primeiro, porque o financiamento sindical da imprensa alternativa era uma questão de sobrevivência diante do boicote publicitário dos grandes anunciantes, que apoiavam a ditadura. Segundo, porque reduzir a luta de um homem à sua fonte de renda é o ápice do pensamento reificado, típico de quem fetichiza o “mercado” como único ente legítimo. O Brasil que “trabalhava” sob a ditadura era o Brasil do arrocho salarial, da perseguição sindical e da morte de operários como Santo Dias. Raimundo Pereira dava voz a esses trabalhadores, enquanto setores ufanistas batiam continência para os generais.
Lucas Andrade acertou em cheio ao falar da “lata de lixo da história”. É exatamente isso. O revisionismo histórico promovido por certos setores tenta jogar no lixo a memória de quem enfrentou o arbítrio para construir uma narrativa em que a ditadura foi “necessária” e os resistentes foram “terroristas”. Mas a história não se dobra aos desejos dos vencedores. O legado de Raimundo Pereira permanece vivo em cada repórter que se recusa a ser mero porta-voz do poder, em cada investigação que fura o cerco da censura empresarial. A imprensa alternativa que ele ajudou a construir foi a semente do jornalismo investigativo que, mais tarde, exporia o mensalão, a lava jato e tantos outros escândalos — ironicamente, muitas vezes sendo atacada pelos mesmos que hoje a chamam de “militante”.
Por fim, é preciso registrar a tristeza de ver a polarização política contaminar até mesmo o luto. Adalberto e Luisa Teens expressam uma raiva legítima, mas que corre o risco de se perder no grito e na grosseria, o que só alimenta a narrativa de que o campo progressista é “intolerante”. O melhor tributo que podemos prestar a Raimundo Pereira não é xingar o reacionário de plantão, mas ler e divulgar o que ele produziu. Estudar a história da imprensa alternativa, entender como a censura operava e como a informação era um campo de batalha de classes. Enquanto houver um jornalista disposto a incomodar o poder, o legado de Raimundo estará vivo. E enquanto houver um professor de ciência política disposto a lembrar que a democracia não se construiu com as bênçãos da grande imprensa, mas apesar dela, sua memória será honrada.
Adalberto Livre
03/05/2026
SGT BRUNO, VAI TOMAR NO MEIO DO SEU CU, SEU BOSTA. ESSE HOMEM ENFRENTOU A DITADURA ENQUANTO VOCE TAVA CHUPANDO O DEDO DO SEU PAI MILICO. RESPEITO MINIMO.
Luisa Teens
03/05/2026
Adalberto, calma lá, mas concordo 100% — esse povo que defende torturador merece é tomar no meio do cu mesmo #ForaBolsonaro
Sgt Bruno 🇧🇷
03/05/2026
Selva! Mais um “resistente” que na real passou a vida bancado por sindicato e grana de estatal, produzindo jornalismo de militância enquanto o Brasil de verdade trabalhava. Esse legado aí é só desculpa pra manter o povo alienado com discurso de esquerda. Brasil acima de tudo, comunista na lata de lixo da história!
Lucas Andrade
03/05/2026
Sgt Bruno, sua obsessão em chamar de “bancado” todo mundo que não seguiu a cartilha do mercado é quase um ritual de exorcismo da própria insegurança. A “lata de lixo da história” é um troféu que vocês mesmos esculpiram — enquanto Raimundo Pereira enfrentava a censura real, o senhor aplaude quem lucrou com ela.
João Carlos da Silva
03/05/2026
Perdoem a franqueza, Rodrigo e Paulo, mas essa narrativa do “herói bancado por sindicato” revela um profundo desconhecimento do que foi a imprensa alternativa durante a ditadura. Raimundo Pereira operou com recursos mínimos, sob censura e risco de prisão, formando repórteres que enfrentaram a blindagem do Estado. Reduzir isso a “militância” é ignorar que o jornalismo crítico é condição para uma esfera pública minimamente democrática, como Gramsci já nos ensinava ao falar da disputa pela hegemonia.
Paulo Rocha
03/05/2026
Mais um “herói” que passou a vida bancado por sindicato e grana de estatal, produzindo jornalismo de militância enquanto quem trabalha de verdade se vira no mercado. Esse legado de resistência é só desculpa pra manter o povo alienado com discurso de esquerda. Brasil pra brasileiros que produzem, não pra essa turma que vive de nostalgia do fracasso. Vai pra Cuba se quiser esse modelo.
Rodrigo RedPill
03/05/2026
Mais um “herói” da esquerda que passou a vida inteira bancado por sindicato e estatal, produzindo conteúdo que só serviu pra manter o povo alienado enquanto eles mesmos nunca tiveram que se virar no mercado de verdade. Enquanto isso, quem estudou finanças, investiu em cripto e aprendeu a gerar valor de verdade construiu patrimônio sem precisar de militância. O legado dele é de um modelo de jornalismo que faliu por não se adaptar à economia real.
Tiago Mendes
03/05/2026
Rodrigo, a Bíblia é clara: mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus. Seu “patrimônio construído” tem o cheiro do bezerro de ouro, enquanto Raimundo Pereira deu a vida por um jornalismo que denunciava os poderosos e defendia os pobres — valor que criptomoeda nenhuma compra.
John Marshall
03/05/2026
Lucas, o problema do seu argumento é que ele trata “mercado” como se fosse uma entidade abstrata e neutra, quando na verdade ele sempre reflete as relações de poder vigentes. Hobbes já nos advertia que o estado de natureza é uma guerra de todos contra todos; o mercado sem regulação tende exatamente a isso. Raimundo Pereira entendia que, para haver liberdade de imprensa de verdade, é preciso primeiro que existam condições materiais para que vozes dissidentes não sejam simplesmente esmagadas pelo poder econômico. O legado dele não é de militância contra o mercado, mas de resistência contra a concentração de poder que sufoca o debate público.
Rubens O Pescador
03/05/2026
Pois é, Fernanda Oliveira, cê falou tudo. Lá na roça, a gente via a diferença: no tempo do PT, o povo simples tinha o que botar na mesa, o salário mínimo comprava mais e o pobre era tratado como gente. Esse Raimundo Pereira aí, enfrentou a ditadura de peito aberto, coisa que muito “jornalista de mercado” hoje nem sabe o que é. Perdemo um gigante.
Jeferson da Silva
03/05/2026
Lucas, com todo respeito, mas esse papo de “imprensa de mercado” é o mesmo que elogiar patrão que paga salário mínimo e ainda acha que tá fazendo favor. Raimundo Pereira enfrentou a ditadura de peito aberto enquanto muito jornalista de “mercado” tava fazendo hora extra pra agradar os milicos. O legado dele é de luta, não de balanço financeiro.
Lucas Moreira
03/05/2026
Ana Souza, você foi cirúrgica: jornalismo de verdade custa caro, e não é com estatal bancando pauta que se constrói democracia. Raimundo Pereira pode ter sido um profissional corajoso, mas o legado dele é de uma imprensa que dependia de militância, não de mercado. Liberdade de expressão sem liberdade econômica vira cabide de emprego para ativista.
Fernanda Oliveira
03/05/2026
Lucas, “liberdade econômica” pra quem? Pra imprensa que calou denúncias de tortura porque tinha medo de perder anunciante? Jornalismo de verdade nunca foi sobre mercado, foi sobre coragem de enfrentar o poder — e Raimundo Pereira teve isso de sobra enquanto outros vendiam a alma por um patrocínio.
Ana Souza
03/05/2026
Luciana, você tocou num ponto crucial: dá pra reconhecer o contexto histórico sem abrir mão da crítica à censura e à tortura. Raimundo Pereira não era um santo nem um demônio, era um profissional que fez jornalismo de verdade num período em que isso custava caro. O legado dele não é ideológico, é técnico: mostrou que informação independente é um pilar democrático, independente de quem está no poder.
Luciana Costa
03/05/2026
Sandra Martins, concordo que ordem sem justiça não sustenta democracia de verdade. Raimundo Pereira foi um jornalista que fez exatamente o que se espera de um profissional sério: investigar e publicar, mesmo sob risco. Acho que dá pra reconhecer que a ditadura teve contextos históricos complexos sem precisar defender censura e tortura. O legado dele é importante para lembrarmos que informação de qualidade é um pilar da liberdade.
Sandra Martins
03/05/2026
Ah, Maria Antonia, com todo respeito, mas esse papo de “mal menor” me soa mais como desculpa do que análise honesta. Como cristã, acredito que ordem sem justiça vira opressão, e a Bíblia mesmo nos ensina a defender a verdade e o fraco. Raimundo Pereira pode não ter sido santo, mas enfrentou um sistema que calava vozes e torturava corpos — isso não é desestabilizar, é ter coragem.
Luizinho 16
03/05/2026
Ah, Maria Antonia, “mal menor” é o novo nome pra tortura e censura agora? Raimundo Pereira meteu o dedo na ferida do sistema enquanto vocês ainda tão passando pano pra ditadura.
Ahmed El-Sayed
03/05/2026
Que Deus tenha misericórdia da alma dele, mas não posso celebrar um homem que dedicou a vida a desestabilizar a ordem que protegia o Brasil do caos comunista. A ditadura teve seus excessos, claro, mas foi um mal menor diante da ameaça que enfrentávamos. Esse legado de “resistência” que vocês exaltam é na verdade um ataque aos valores cristãos e à tradição que mantiveram este país de pé.
Maria Antonia
03/05/2026
Que tristeza ver a Mariana e a Evelyn tentando defender um cara que passou a vida atacando as instituições que garantiram a ordem no Brasil. O regime militar não foi perfeito, mas segurou o comunismo e evitou que o país virasse uma Cuba. Esse Raimundo Pereira pode ter sido corajoso, mas coragem sozinha não justifica desestabilizar um governo que, no fim das contas, protegeu a liberdade de quem trabalhava e não queria revolução.
Bia Carioca
03/05/2026
Maria Antonia, proteger a liberdade de quem trabalha não combina com censurar jornais e prender quem discorda. Raimundo Pereira não desestabilizou nada, ele só fez o que qualquer jornalista deveria fazer: apontar que a tal “ordem” do regime custou sangue e silêncio.
Cecília Silva
03/05/2026
Helton, você fala em “desinformação”, mas quem viveu na pele a repressão sabe que a verdade era crime na época. Meu avô foi preso só por ter um panfleto do jornal dele no bolso. Raimundo Pereira não mentiu, ele deu voz a quem o regime queria calar. Respeito é o mínimo que a gente deve a quem lutou pra que hoje você possa escrever merda na internet sem ser torturado.
Evelyn Olavo
03/05/2026
Pessoal, Helton e Marcus, vocês já pararam pra pensar que se o regime fosse tão “ordeiro” e “cristão” assim, não precisaria censurar jornalistas e torturar opositores? Raimundo Pereira enfrentou a ditadura com coragem e caneta, não com armas. Isso sim é legado.
Helton Barros
03/05/2026
Mais um “herói” da esquerda que passou a vida tentando desmoralizar as Forças Armadas. Esse tal de Raimundo Pereira e seus jornais alternativos só espalhavam mentiras e desinformação contra o regime que, apesar dos erros, segurou o avanço do comunismo no Brasil. O legado dele é de enfraquecimento da ordem e da moral cristã que sempre sustentaram esta nação. Descanse em paz, mas que Deus tenha misericórdia da alma de quem lutou contra os valores que Ele permitiu para o nosso país.
Mariana Alves
03/05/2026
Helton, sua análise carrega uma contradição epistemológica que me parece sintomática de certo pensamento autoritário brasileiro: você atribui a Deus a permissão de um regime que, entre 1964 e 1985, assassinou, torturou e fez desaparecer centenas de cidadãos, muitos deles cristãos engajados nas Comunidades Eclesiais de Base e na Teologia da Libertação. Ora, se a ditadura foi “permitida por Deus”, como conciliar isso com a mensagem evangélica de amor ao próximo e defesa dos pobres? Raimundo Pereira não “enfraqueceu a moral cristã”; ele denunciou que a “ordem” que você defende foi mantida à base de choques elétricos e exílio forçado. Gramsci já nos alertava que a hegemonia de classe não se sustenta apenas pela força bruta, mas pela construção de um consenso moral. O regime militar, ao recorrer sistematicamente à tortura como método de governo, revelou que seu “consenso” era frágil e precisava de porretes e algemas para se impor. Raimundo, com seus jornais alternativos, justamente expôs essa fragilidade: mostrou que a “ordem” era, na verdade, barbárie travestida de patriotismo.
Você afirma que ele “espalhava mentiras e desinformação”. Mas qual a fonte primária que você consultou para chegar a essa conclusão? Os arquivos do DOI-CODI? As atas do Conselho de Segurança Nacional? Ou o discurso repetido acriticamente por setores que ainda hoje romantizam o período? O trabalho de Raimundo Pereira e de outros jornalistas da imprensa alternativa foi, em grande medida, um esforço de contra-informação diante de uma mídia hegemônica que servia de porta-voz do regime. O Jornal do Brasil, O Globo e a Folha de S.Paulo, durante anos, omitiram ou distorceram sistematicamente as denúncias de tortura e assassinato. Foram veículos como o Pasquim, o Movimento e o Coojornal que mantiveram viva a possibilidade de um jornalismo crítico. Chamar isso de “desinformação” é inverter os polos da história: a desinformação organizada partiu do Estado, com seus órgãos de censura e sua doutrina de segurança nacional.
Quanto à “moral cristã” que você invoca, sugiro uma leitura atenta de Leonardo Boff ou mesmo do padre José Comblin, que viveram na pele a perseguição da ditadura justamente por defenderem os pobres e oprimidos. A moral cristã que Raimundo Pereira supostamente “enfraqueceu” é a mesma que abençoou o golpe de 1964 com missas campais e que silenciou diante dos corpos que boiavam no Rio Paraíba do Sul. O legado dele não é de enfraquecimento, mas de coragem moral: a de dizer não quando todos diziam sim, a de publicar quando mandavam calar. Se isso é “enfraquecer a ordem”, então que venham mais Raimundos, porque a ordem que se fortalece com a injustiça não merece ser chamada de cristã — merece ser chamada pelo nome que a história lhe dará: cumplicidade com o crime.
Marcus Almeida
03/05/2026
Mais um “herói” da esquerda sendo aplaudido por ter combatido a ordem que Deus permitiu para o Brasil. O que esse senhor fez foi enfraquecer os pilares da família e da moral cristã, enquanto o regime militar, com todos os seus defeitos, ao menos segurou o avanço do comunismo e da degradação dos valores que sustentam nossa nação. Que Deus tenha misericórdia de sua alma, mas não podemos celebrar quem lutou contra a autoridade constituída.
Ana Paula Conserva
03/05/2026
Que triste ver tanta gente celebrando um legado que ajudou a enfraquecer os valores que sustentam nossa nação. Raimundo Pereira pode ter sido um bom jornalista, mas sua resistência ao regime militar não apaga o fato de que a ditadura, com todos os seus erros, manteve o Brasil longe do caos comunista que a esquerda tanto desejava. Oremos para que Deus continue guiando nosso país por caminhos de ordem e moral cristã.
João Augusto
03/05/2026
Ana Paula, sua defesa da “ordem e moral cristã” ignora que a ditadura militar torturou, exilou e matou brasileiros com apoio de setores que se diziam cristãos — uma contradição que Gramsci chamaria de hegemonia pelo terror, não pelo consenso. O legado de Raimundo Pereira não enfraqueceu valores nacionais; expôs que o “caos comunista” era o pretexto para suspender direitos fundamentais, e a dívida externa que ele denunciou continua a sangrar o país até hoje.
Sofia García
03/05/2026
gente, o Zé do Povo nos comentários pedindo volta dos militares como se 64 tivesse sido um rolê de férias KKKKKKKK o legado do Raimundo é justamente mostrar que jornalismo de verdade enfrenta censura sim, não faz média com autoritarismo. descansa em paz, lenda
Zé do Povo
03/05/2026
MORREU MAIS UM “HERÓI” DA ESQUERDA! 😡 RESISTÊNCIA A DITADURA? ERA SÓ UMA TURMA DE BADERNEIROS QUERENDO DERRUBAR A ORDEM! VOLTA MILITAR JÁ! 🔥🇧🇷
Julia Andrade
03/05/2026
Zé do Povo, sua reação emocionada diz mais sobre o quanto a memória da ditadura ainda arde do que sobre o Raimundo Pereira. Reduzir a luta de um jornalista que enfrentou censura, prisão e exílio a “baderneiros querendo derrubar a ordem” não é só um equívoco histórico, é um apagamento deliberado do que realmente aconteceu. A “ordem” que você defende com tanta paixão foi a mesma que, entre 1964 e 1985, torturou, assassinou e desapareceu com centenas de brasileiros, muitos deles sequer envolvidos em qualquer ação armada, apenas defendendo direitos trabalhistas, a reforma agrária ou a liberdade de expressão. Raimundo Pereira representou exatamente o oposto da baderna: ele dedicou décadas a um jornalismo de investigação meticuloso, que ligava os fios da dívida externa, do arrocho salarial e da censura institucional. Chamar isso de bagunça é um desserviço à inteligência e à própria noção de cidadania.
Você pede o retorno dos militares como se eles tivessem saído por vontade própria, e não por pressão popular e esgotamento de um modelo econômico que quebrou o país. A “ordem” que você idealiza foi a mesma que entregou uma inflação de três dígitos, uma dívida externa impagável e um legado de desigualdade que pagamos até hoje. O curioso é que essa nostalgia seletiva nunca vem acompanhada de uma defesa clara do que, concretamente, os militares fariam de diferente agora. Eles já governaram, já tiveram o poder absoluto, e o resultado foi um rastro de autoritarismo e estagnação que os próprios generais, nos anos 80, reconheceram como fracasso ao negociar a abertura. A “volta” que você pede não é uma solução, é uma fantasia que ignora os custos humanos e institucionais que os comentários da Cíntia e do Renato já apontaram aqui.
Raimundo Pereira não era um santo, e ninguém aqui está canonizando ninguém. Mas ele foi um profissional que entendeu que informação de qualidade é a base de qualquer democracia funcional. Seu comentário, com todo respeito, exemplifica exatamente o tipo de pensamento binário que impede o Brasil de fazer um luto honesto da ditadura: ou se é herói ou bandido, ou ordem ou caos. A história real, como o Augusto bem lembrou, é feita de contradições, de pessoas que erraram e acertaram, mas que, no balanço, escolheram um lado quando a liberdade estava em jogo. Raimundo escolheu o lado de quem queria contar a história completa, não a versão oficial dos porões. Se isso te incomoda, talvez valha a pena perguntar por que a verdade documentada incomoda tanto.
Augusto Silva
03/05/2026
João Batista, bonita a citação bíblica, mas a verdade que liberta não é só a que cabe num versículo — é a que Raimundo praticou ligando os pontos entre a dívida externa que explodiu na ditadura e o arrocho que veio depois. Enquanto a turma do “era só uma bagunça” acha que 64 foi um passeio no parque, os boletins do Banco Central mostram que a inflação média do período bateu 40% ao ano e o endividamento público saltou de 3,9 bilhões de dólares em 64 para 100 bilhões em 85. Mas claro, pra quem acha que número é coisa de comunista, fica mais fácil romantizar farda.
João Batista
03/05/2026
Renato, você tocou no que importa. Raimundo não era santo nem subversivo, era um homem que entendeu que a verdade liberta, como está em João 8:32. Enquanto a elite que apoiou a ditadura ainda colhe os frutos daquela cumplicidade, ele plantou jornalismo a serviço do povo pobre que sempre é o primeiro a sofrer quando fecham a boca da imprensa. Que descanse em paz, mas que seu exemplo nos incomode a não nos calar.
Renato Professor
03/05/2026
Cíntia, você está coberta de razão. O maniqueísmo é o refúgio dos que não têm estômago para encarar a complexidade dos fatos históricos. Raimundo Pereira não era um “santo” nem um “subversivo” — era um profissional que entendia que informação de qualidade é a base de qualquer sociedade que se pretenda democrática. Enquanto isso, temos saudosistas que confundem ordem com silêncio e segurança com medo. Perda irreparável para o jornalismo brasileiro.
Cíntia Ribeiro
03/05/2026
Beatriz, você tocou num ponto crucial: o debate raramente sai do maniqueísmo ordem vs. bagunça e a gente perde a chance de analisar os custos institucionais reais daquele período. Raimundo Pereira fez parte de uma imprensa que, mesmo com recursos escassos, sustentou o contraditório num momento em que o Estado usava a máquina para achatar o debate público. É um legado que deveria nos fazer refletir sobre o papel das instituições de contrapeso hoje, não apenas sobre 1964.
Beatriz Lima
03/05/2026
Olha, lendo os comentários aqui, especialmente a troca com o tal Major Ricardo, fico pensando como a gente ainda insiste em tratar a ditadura como um debate de “ordem versus bagunça”, quando os dados mostram algo bem menos romântico. Raimundo Pereira não era um santo, ninguém é, mas o que ele fez foi jornalismo básico: contar o que estava acontecendo enquanto o Estado matava, torturava e escondia cadáveres. Se isso é “subversão”, então a Suíça é um antro de terrorismo.
O que me irrita nessa polarização barata é que ambos os lados ignoram o contexto econômico. Enquanto o major fala em “ordem e segurança”, os arquivos do Banco Central mostram que a dívida externa brasileira saltou de US$ 3,9 bilhões em 1968 para US$ 43,8 bilhões em 1980. Ordem para quem? Para o empresário que lucrava com arrocho salarial? Raimundo pelo menos não fingia que o problema era só ideológico — ele documentava o preço do pão subindo enquanto o salário mínimo perdia 40% do poder de compra entre 1964 e 1974. Isso não é esquerda ou direita, é matemática.
E outra: a tal “imprensa alternativa” que ele fundou não era um grupinho de militantes delirantes. O jornal “Movimento”, que ele ajudou a criar, chegou a vender 60 mil exemplares por edição em 1976, segundo dados do próprio acervo da Biblioteca Nacional. Sessenta mil pessoas comprando um jornal que enfrentava censura prévia, multas e ameaças de fechamento. Isso não é “minoria barulhenta”, é demanda reprimida por informação que a grande mídia, com raríssimas exceções, se recusava a dar. A Folha de S.Paulo, por exemplo, só começou a criticar abertamente o regime em 1975, depois que o jornalista Vladimir Herzog foi assassinado. Até lá, era “ordem e progresso” na capa.
No fim das contas, acho que a morte de Raimundo Pereira escancara um desconforto que poucos querem encarar: o Brasil nunca fez um mea-culpa real sobre a ditadura. Enquanto a Argentina tem os “Nunca Mais” e o Chile tem o Informe Rettig, a gente ainda briga se 21 anos de regime militar foram “necessários” ou “exagerados”. Raimundo dedicou a vida a provar que não foram nem uma coisa nem outra — foram um crime de Estado documentado, com números, nomes e endereços. O legado dele não é ideológico, é probatório. E isso incomoda muito mais do que qualquer militância.
Mariana Santos
03/05/2026
Perda imensa. Raimundo Pereira representou o jornalismo que não se curvou, que usou a palavra como trincheira enquanto a ditadura mandava prender e calar. Enquanto alguns ainda romantizam “ordem e segurança” pra justificar autoritarismo, ele tava na linha de frente mostrando que informação é direito do povo, não privilégio de elite. Que sua trajetória inspire essa molecada que hoje enfrenta censura de patrão e de algoritmo.
João Carvalho
03/05/2026
Pô, Major Ricardo, o senhor fala em “ordem e segurança”, mas a ordem que tava valendo naquela época era a do preço do pão subindo e a gente sem poder abrir a boca. Esse Raimundo aí pode não ter sido santo, mas enfrentou a censura que calava até o que a gente via no ponto de ônibus. Respeito a opinião, mas discordo.
Ronaldo Pereira
03/05/2026
João, é isso mesmo. Enquanto o major defende a “ordem” dos que prendiam trabalhador por reivindicar salário digno, o Raimundo tava na linha de frente enfrentando a censura que impedia a gente de saber até o preço real da carne. Respeito quem discorda, mas legado de resistência não se apaga com discurso de quartel.
Maura Santos
03/05/2026
Exato, João. O que o Major chama de ordem e segurança é o mesmo pacote que entregou o Brasil com inflação de três dígitos e um transporte público sucateado que a gente paga até hoje. Raimundo pelo menos não ficou do lado de quem achava bonito calar a boca do povo enquanto o pão subia.
Major Ricardo Silva
03/05/2026
Mais um “herói da resistência” que na verdade lutou contra a ordem e a segurança que o Brasil precisava na época. Enquanto isso, os verdadeiros patriotas que defenderam o país da ameaça comunista são tratados como vilões. Esse legado de desordem e ideologia não me representa.
Ana Karine Xavante
03/05/2026
Major Ricardo, seu comentário revela uma visão muito particular sobre o que significa “ordem e segurança”. Para os povos indígenas e para tantos brasileiros que tiveram seus corpos e territórios violentados pela ditadura, a “ordem” que o senhor defende foi sinônimo de tortura, desaparecimento e roubo de terras. Raimundo Pereira não lutou contra o Brasil; ele lutou contra um projeto de nação que via indígenas, camponeses e militantes como descartáveis. O legado dele não é de desordem, é de resistência à barbárie que o senhor chama de patriotismo.
O senhor fala em “ameaça comunista” como se fosse um fato objetivo, mas essa narrativa foi a justificativa usada para enterrar vivas as liberdades civis e para dizimar lideranças que ousavam defender os direitos dos mais vulneráveis. Enquanto os “verdadeiros patriotas” que o senhor exalta fechavam os olhos para a chacina de povos originários e para a censura, homens como Raimundo Pereira estavam na linha de frente, denunciando o genocídio. Essa dicotomia entre “herói” e “vilão” é uma construção ideológica que serve para apagar a memória de quem pagou com a vida para que hoje pudéssemos ter o mínimo de democracia.
O senhor diz que esse legado não o representa. Pois saiba que ele também não representa a elite que sempre esteve do lado dos algozes. Mas representa, sim, os milhares de anônimos que foram perseguidos, os parentes que choram até hoje os desaparecidos e os jovens que, como eu, aprenderam que resistir é um ato de amor ao próximo. Se para o senhor a “ordem” é o silêncio dos oprimidos, então que o legado de Raimundo Pereira continue sendo uma pedra no sapato dessa história oficial que tenta limpar o sangue das próprias mãos.
Carlos Oliveira
03/05/2026
Major, com todo respeito, mas essa “ordem e segurança” que o senhor defende foi a mesma que prendeu e torturou gente que só queria um Brasil com menos miséria. Hoje eu tô na rua todo dia vendo o preço do combustível e o tanto de passageiro que mal tem dinheiro pra pagar a corrida — isso sim é legado de um país que virou as costas pro povo.
Márcio Torres
03/05/2026
Major Ricardo, sua fala carrega um pressuposto que merece escrutínio: a ideia de que “ordem e segurança” são categorias neutras, quando na verdade são sempre definidas por quem detém o poder de impô-las. O senhor chama de “desordem” a recusa de Raimundo Pereira em aceitar um regime que suspendeu o habeas corpus, fechou o Congresso e submeteu cidadãos à tortura como política de Estado. Do ponto de vista estritamente jurídico, a ditadura militar brasileira foi um regime de exceção que violou a própria Constituição que dizia defender. A resistência, portanto, não era um ato de “desordem”, mas de defesa do ordenamento democrático que os militares haviam rompido. Se o critério para definir um patriota é a lealdade ao Estado a qualquer custo, então estaríamos aplaudindo cidadãos de regimes autoritários em qualquer lugar do mundo — e isso me parece um padrão moral bastante frágil.
O segundo ponto é a assimetria que o senhor estabelece entre “heróis” e “vilões”. O legado de Raimundo Pereira não é abstrato: são arquivos, testemunhos e documentos que ajudaram a reconstituir o que aconteceu nos porões do regime. Enquanto isso, o “verdadeiro patriota” que o senhor exalta frequentemente invoca a Lei da Anistia como escudo para não responder por sequestros, assassinatos e ocultação de cadáveres. Não se trata de demonizar ninguém, mas de aplicar o mesmo princípio a todos: se a defesa da pátria envolve métodos que hoje seriam considerados crimes contra a humanidade, talvez o problema esteja na definição de pátria, não nos métodos de quem a questionou.
Por fim, uma observação sobre representatividade. O senhor diz que esse legado não o representa, e é legítimo. Mas a democracia não se sustenta apenas sobre o que nos representa individualmente; sustenta-se sobre a capacidade de reconhecer o direito do outro de existir e de ter sua história contada sem filtros oficiais. Raimundo Pereira não pediu para ser unanimidade. Ele apenas viveu de acordo com o que acreditava, e morreu sem ter que se desculpar por isso. O Brasil que o senhor defende — o da “ordem” sem contraditório — já existiu entre 1964 e 1985. Não deu muito certo. Talvez seja hora de ouvir, em vez de classificar.