Díaz-Canel agradece Petro por rejeitar ameaça de Trump de enviar porta-aviões a Cuba

O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, acena em aparição pública. (Foto: actualidad.rt.com)

O presidente cubano Miguel Díaz-Canel agradeceu publicamente ao presidente colombiano Gustavo Petro pelo respaldo diante das pressões e ameaças formuladas pelos Estados Unidos contra a ilha.

O gesto confirma a convergência entre Havana e Bogotá numa fase em que Washington volta a insinuar ações militares diretas no Caribe.

‘Gracias, presidente Gustavo Petro’, escreveu o líder cubano em suas redes sociais. Díaz-Canel reforçou que a América Latina tem o direito de permanecer como uma zona de paz livre de intervenções estrangeiras.

O presidente cubano sublinhou que qualquer agressão destinada a Cuba deve ser interpretada como agressão contra todo o continente. Parafraseou José Martí ao advertir sobre a necessidade de conter o expansionismo norte-americano nas Antilhas.

Petro reagiu depois de Trump ter sugerido ‘tomar Cuba’ e deslocar o porta-aviões Abraham Lincoln para as proximidades da ilha. A declaração reacendeu memórias da Crise dos Mísseis de 1962.

‘Não estou de acordo com uma agressão militar a Cuba, porque isso é uma agressão militar à América Latina’, publicou o presidente colombiano na rede X. A nota reafirmou o compromisso de Cartagena com a paz caribenha.

Conforme reportagem do portal RT, a resposta cubana resgatou a concepção martiana de soberania continental como barreira à expansão do poder militar dos EUA. A plataforma diplomática de zona de paz foi oficializada na II Cúpula da CELAC, em Havana, e desde então serve de referência política contra o intervencionismo externo na região.

Analistas em Bogotá recordam que a aproximação entre os dois países ganhou impulso após Petro devolver à diplomacia colombiana um perfil independente, rompendo com décadas de alinhamento automático à Casa Branca. A retirada da Colômbia do chamado Grupo de Lima e a reabertura de canais com Caracas ampliam o isolamento regional da estratégia de cerco adotada por Trump.

Desde 1960, Washington mantém um bloqueio econômico unilateral contra Cuba, endurecido por sucessivas administrações e agravado pelo enquadramento da ilha como suposto Estado patrocinador do terrorismo — rótulo rejeitado pela comunidade latino-americana. Nos círculos acadêmicos caribenhos, a nova sintonia entre Havana e Bogotá é vista como parte de uma reconfiguração geopolítica mais ampla.

Nessa reconfiguração, nações da região buscam coordenar defesas coletivas contra sanções, bloqueios e ameaças bélicas externas.

Parlamentares do Pacto Histórico colombiano destacam que a Doutrina Monroe, utilizada historicamente para legitimar intervenções dos EUA no continente, perdeu legitimidade diante dos novos equilíbrios propiciados pelo BRICS e pelo avanço da integração sul-americana. A reafirmação de Cuba como questão de segurança coletiva latino-americana também ecoa nos fóruns da ALBA e da UNASUL, entidades que tratam pressões extrarregionais como potenciais violações do direito internacional.

Ao evocar o legado de Martí, Díaz-Canel associou a herança anticolonial à defesa da soberania tecnológica, energética e sanitária — bandeiras igualmente promovidas pelo governo colombiano em espaços multilaterais. Petro busca ampliar pontes com Havana por meio de agendas concretas de saúde, intercâmbio cultural e cooperação climática, área em que as duas nações compartilham vulnerabilidades frente a furacões cada vez mais intensos.

O chanceler cubano Bruno Rodríguez já indicou que Havana intensificará articulações com parceiros regionais para denunciar em organismos como a ONU qualquer escalada de hostilidades. O objetivo é reforçar o princípio de não intervenção consagrado na Carta de 1948 da OEA.

Para especialistas da Universidade de La Habana, uma eventual agressão dos EUA mobilizaria de imediato os mecanismos de consulta da CELAC e poderia acelerar iniciativas de defesa coordenada. O tema ganha tração à medida que a OTAN projeta sua influência além da Europa.

Em Washington, o Departamento de Estado preferiu não comentar a nota de Petro, mas porta-vozes reiteraram que ‘todas as opções’ permanecem sobre a mesa. Para observadores latino-americanos, a frase apenas reforça o discurso de solidariedade defendido por Cuba e Colômbia.

A convergência dos dois países frente à retórica belicista de Trump sinaliza a crescente disposição regional de construir salvaguardas coletivas e elevar o custo político de qualquer iniciativa militar externa no Caribe.


Leia também: China condena bloqueio a Cuba e promete apoio irrestrito diante de novas sanções de Trump


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