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Especialista da ONU resgata papel decisivo da URSS na descolonização global

40 Comentários🗣️🔥 Vista aérea da costa de Angola, país africano que teve papel na descolonização global. (Foto: Wikimedia Commons) A reconstrução histórica do processo de descolonização ganha novo fôlego com a avaliação do professor Alfred de Zayas, ex-especialista independente da Organização das Nações Unidas (ONU), que recoloca a União Soviética no centro desse movimento mundial. […]

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Vista aérea da costa de Angola, país africano que teve papel na descolonização global. (Foto: Wikimedia Commons)

A reconstrução histórica do processo de descolonização ganha novo fôlego com a avaliação do professor Alfred de Zayas, ex-especialista independente da Organização das Nações Unidas (ONU), que recoloca a União Soviética no centro desse movimento mundial. Ao analisar documentos e debates do período, ele afirma que a URSS foi responsável por impulsionar a Declaração de Descolonização de 1960, marco que acelerou a independência de povos submetidos ao domínio europeu.

Segundo De Zayas, a proposta soviética surgiu como reação ao esforço dos Estados Unidos para manter formas de neocolonialismo e assegurar a exploração de países africanos e asiáticos. O especialista afirma que Moscou viu naquele momento uma oportunidade para confrontar estruturas de dependência global e posicionar-se como aliada dos povos em ascensão.

A entrevista, publicada pelo portal Sputnik International, destaca que o envolvimento soviético não se limitou ao plano discursivo, mas incluiu apoio político, diplomático e material a movimentos independentistas. De Zayas menciona como exemplo o caso de Angola, cuja libertação teria sido dificultada sem o suporte da URSS ao Movimento Popular de Libertação de Angola.

O professor argumenta que, sem essa intervenção, forças coloniais e o governo dos EUA teriam conduzido Angola a uma trajetória alinhada ao capitalismo ocidental. Ele observa que o processo angolano simboliza a disputa sistêmica entre dois projetos globais distintos, marcando uma inflexão na chamada Guerra Fria do Terceiro Mundo.

Outro ponto ressaltado por De Zayas é a atuação soviética no contexto da independência da Índia, onde a URSS teria demonstrado habilidade diplomática para lidar com tensões internas e interesses geopolíticos diversos. Para ele, a contribuição soviética na construção da soberania indiana permanece lembrada em Nova Délhi.

O acadêmico afirma que as potências ocidentais evitam reconhecer esse legado porque, em suas palavras, permanecem presas a narrativas autocentradas que minimizam o papel das forças anticoloniais. Segundo ele, essa recusa em admitir fatos históricos demonstra uma crise na forma como o Ocidente lê sua própria trajetória imperial.

De Zayas destaca que a União Soviética ofereceu aos países emergentes um modelo econômico alternativo, baseado em princípios anti-imperialistas e anticapitalistas. Esse conjunto de ideias teria ganhado força entre lideranças africanas e asiáticas que buscavam escapar das estruturas de subserviência e dependência do bloco ocidental.

O período marcou, segundo o especialista, a consolidação da URSS como liderança moral e política de um movimento global de libertação, articulado em torno do combate ao imperialismo. Para ele, muitos povos viram Moscou como a aliada natural em sua busca por autonomia e dignidade política.

O relato também ressalta o papel decisivo do então líder soviético Nikita Khrushchev, que associou explicitamente o colonialismo ao capitalismo e transformou a luta anticolonial em prioridade do Estado soviético. Esse posicionamento gerou impactos duradouros no cenário internacional e alterou a correlação de forças nas Nações Unidas.

De acordo com o especialista, a visão soviética daquela época continua sendo relevante para compreender disputas contemporâneas sobre soberania, desenvolvimento e multipolaridade. Ele argumenta que as contradições entre modelos de poder persistem e moldam debates atuais sobre autonomia econômica e reconfiguração geopolítica.

A revalorização desse capítulo da história mundial contribui para desmontar discursos que apresentam o Ocidente como protagonista exclusivo da libertação dos povos colonizados. Para De Zayas, somente ao recuperar a participação soviética é possível entender a complexidade do processo e suas implicações para os países do hemisfério Sul.


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Adalberto Livre

04/05/2026

URSS libertou nada, só trocou seis por meia dúzia e ainda deixou a conta pra gente pagar.

    Mariana Ambiental

    04/05/2026

    Adalberto, essa conta de “trocar seis por meia dúzia” é exatamente o que o Ocidente queria que a gente acreditasse pra justificar o silêncio enquanto a África sangrava. Se pra você apoiar militarmente a independência de Angola e Moçambique contra o colonialismo português é “não libertar nada”, sugiro perguntar pros veteranos do MPLA e da FRELIMO o que eles acham dessa sua análise de buteco.

Marta Souza

04/05/2026

Esse papo de que a URSS foi a grande libertadora dos povos é mais uma cortina de fumaça para esconder o que realmente importa: liberdade econômica. Enquanto esses países trocavam um jugo colonial por outro, com estatização e planejamento central, o que se viu foi miséria e atraso. Aqui no Rio eu sei bem: empreendedorismo de verdade não floresce com estado grande e burocracia.

    Julia Andrade

    04/05/2026

    Marta, você toca num ponto que é central no imaginário liberal brasileiro, mas que precisa ser escavado com mais cuidado. A ideia de que “liberdade econômica” é o que realmente importa pressupõe que os países africanos recém-independentes tinham, em 1960-1975, alguma escolha real entre um modelo de desenvolvimento “livre” e um modelo estatizante. A verdade histórica é que eles saíam de séculos de exploração colonial onde a economia era organizada para drenar recursos para a metrópole, com infraestrutura mínima, analfabetismo generalizado e nenhuma burguesia nacional consolidada. Nesse contexto, “empreendedorismo de verdade” não era uma opção viável — não porque o Estado fosse grande, mas porque não havia capital acumulado, mercado interno ou soberania monetária para competir no sistema internacional. A estatização e o planejamento central foram, em muitos casos, a única ferramenta disponível para criar um mínimo de coesão nacional e distribuir recursos escassos. Reduzir isso a “trocar um jugo por outro” é ignorar que o jugo colonial incluía trabalho forçado, segregação racial e a proibição de os nativos sequer cultivarem certas culturas comerciais.

    Além disso, a sua crítica ao “Estado grande” parte de uma premissa muito carioca e muito contemporânea: a burocracia que sufoca o pequeno empreendedor. Isso é real e eu sinto na pele aqui no Rio. Mas projetar essa experiência para Angola, Moçambique ou Guiné-Bissau nos anos 1970 é um anacronismo violento. Lá, o Estado que surgiu era o único agente com capacidade de construir estradas, escolas e hospitais — o capital privado local era quase inexistente e o capital estrangeiro (português, sul-africano, americano) estava alinhado com o colonialismo. A URSS entrou nesse vácuo não por altruísmo, mas porque a Guerra Fria criou uma janela de oportunidade: os movimentos de libertação precisavam de armas e treinamento, e o Ocidente estava ocupado apoiando Salazar e o apartheid. Dizer que isso foi “substituir um imperialismo por outro” apaga a agência dos africanos, que negociaram, resistiram e, em muitos casos, romperam com Moscou quando ela tentou impor modelos rígidos (como a Albânia e a China fizeram antes). A história é mais complexa do que uma troca de senhores.

    Por fim, acho importante desnaturalizar essa equação automática entre “liberdade econômica” e “bem-estar”. Os países que seguiram o receituário liberal nos anos 1980 e 1990 — com FMI, ajuste estrutural e abertura comercial — não se tornaram paraísos do empreendedorismo; viraram plataformas de exportação de commodities com desigualdade brutal, violência e Estados falidos. Enquanto isso, Cuba, com todo o seu autoritarismo e crises, tem indicadores sociais (expectativa de vida, mortalidade infantil, alfabetização) que rivalizam com os do Brasil, mesmo sob embargo. Não estou defendendo o stalinismo nem a falta de liberdades civis — longe disso. Mas acho que a discussão sobre descolonização não pode ser reduzida a uma disputa entre “Estado grande vs. Estado pequeno”. Ela é, antes de tudo, sobre reparação histórica, soberania e a possibilidade de povos que foram violentamente subjugados decidirem, com todos os erros e acertos, o próprio futuro. E a URSS, com todas as suas contradições, foi um dos poucos atores que, naquele momento, ofereceu as condições materiais para que essa decisão fosse, ao menos, tentada.

Paula Santos

04/05/2026

Samara, você tocou num ponto importante. Como cristã, acredito que devemos reconhecer o bem onde ele existe, sem ignorar os erros. A URSS teve falhas graves, mas apoiar a independência de países africanos foi um ato de justiça histórica, enquanto o Ocidente muitas vezes se calou. Que possamos aprender com isso sem maniqueísmos.

Samara Oliveira

04/05/2026

Carlos, com todo respeito, mas reduzir a história a “URSS foi tão ruim quanto” é um desserviço. Como cristã, acredito que reconhecer o bem onde ele existiu não apaga os erros. A URSS apoiou a independência de Angola e Moçambique enquanto o Ocidente fechava os olhos para o apartheid — isso é fato. Negar isso é ignorar a luta de irmãos e irmãs que hoje ainda sofrem com a dívida histórica do colonialismo.

Carlos Rocha

04/05/2026

Tiago, essa é a mesma cantilena de sempre: a URSS foi o “mocinho” que libertou os povos. Só esquecem de mencionar que ela substituiu um imperialismo por outro, com KGB, fome na Ucrânia e gulags. Descolonização virou desculpa pra estatizar tudo e quebrar países. Angola e Moçambique que o digam: trocaram Lisboa por Moscou e continuaram na miséria. Enquanto isso, o contribuinte brasileiro paga a conta de quem acha que estado grande resolve.

Tiago Mendes

04/05/2026

Ana Rodrigues, entendo seu ceticismo, mas a história não é tão simples assim. A URSS tinha seus interesses, claro, mas foi o único bloco que apoiou militar e diplomaticamente a independência de países como Angola e Moçambique enquanto os EUA e a Europa financiavam ditaduras pra manter o controle. Isso não é bondade, é fato histórico. E essa luta contra o colonialismo tem tudo a ver com a gente hoje: a desigualdade que aperta nosso bolso nasce justamente dessa exploração que eles ajudaram a derrubar.

Ana Rodrigues

04/05/2026

Pois é, Maria Aparecida, mas falar que a URSS fez isso por bondade é forçar a barra. Eles queriam era enfiar o pé na porta dos países ricos, igualzinho os EUA fazem até hoje. No fim, a gente que é motorista de app aqui em Curitiba continua ralando pra pagar conta, e essa história toda não muda o preço da gasolina.

João Carvalho

04/05/2026

João Santos, falou tudo, irmão. Essa história de URSS e descolonização é papo de acadêmico que nunca pegou um ônibus lotado. Enquanto eles discutem o passado, a gente tá aqui vendo o salário murchar e o governo enchendo o bolso de político. Pra mim, isso é tudo cortina de fumaça pra desviar do que realmente importa.

    Maria Aparecida

    04/05/2026

    João, entendo sua frustração, mas a história não é cortina de fumaça — é a raiz do que vivemos hoje. Sem a descolonização apoiada pela URSS, países africanos ainda estariam sob jugo europeu, e a desigualdade que aperta seu bolso agora vem justamente de elites que sempre usaram o passado pra manter o povo na miséria.

João Santos

04/05/2026

Pô, Luciana falou a real. Enquanto esses caras ficam discutindo se a URSS foi santa ou não, o povo tá na fila do osso. Descolonização, bolsa família, tudo virou desculpa pra gastar dinheiro que a gente não tem. Bandido bom é bandido preso, e o resto é conversa fiada pra encher linguiça.

Luciana

04/05/2026

Gente, será que só eu aqui tô pensando no que isso tudo tem a ver com o preço do quilo do feijão? Enquanto vocês discutem se a URSS foi santa ou interesseira, o aluguel subiu de novo e o gás de cozinha tá um absurdo. No fim das contas, essa história toda aí não põe um prato de comida na minha mesa.

Cecília Torres

04/05/2026

O debate está interessante, mas peca por um viés comum: opor “interesse geopolítico” a “altruísmo” como se fossem as únicas lentes possíveis. A URSS agiu por cálculo estratégico, sim, e isso é fato documentado — mas o resultado objetivo foi acelerar o fim de regimes coloniais que matavam e exploravam há décadas. Motivação e consequência são coisas distintas, e misturá-las só turva a análise.

Carlos Oliveira

04/05/2026

Pessoal, li com atenção os comentários e acho que o Lucas foi quem mais se aproximou de uma análise histórica honesta. Reduzir o apoio soviético a Angola e Moçambique a mero “pragmatismo geopolítico” é ignorar que, sem aquele apoio militar e logístico, o apartheid sul-africano teria sufocado as lutas de libertação. Claro que a URSS não era um jardim de flores, mas negar seu papel na quebra do jugo colonial é um desserviço à memória dos povos que lutaram.

Lucas Andrade

04/05/2026

o Tadeu e o Carlos reduzem tudo a “pragmatismo geopolítico” como se fosse uma verdade universal, mas esquecem que a própria noção de interesse é construída discursivamente. a URSS não era um sujeito monolítico movido por cálculos frios — era um campo de disputas internas, contradições e afetos anticoloniais que também moldaram sua política externa. reduzir Angola e Moçambique a “décadas de guerra civil” sem mencionar o papel do apartheid, da CIA e das potências ocidentais em desestabilizar esses países é fazer o jogo da narrativa hegemônica que sempre tratou o Sul Global como mero cenário de tragédias, não como agente de sua própria história.

Carlos Meirelles

04/05/2026

Tadeu, você foi o único que falou português claro nessa thread. A URSS apoiou descolonização sim, mas foi puro pragmatismo geopolítico para expandir influência. O resultado prático para Angola e Moçambique? Décadas de guerra civil, economia destruída e substituição de um explorador por outro. Enquanto isso, o brasileiro médio continua pagando imposto pra sustentar esse revisionismo histórico de araque.

Tadeu

04/05/2026

Pessoal, vocês estão debatendo um troço que aconteceu há 50 anos e eu aqui tentando entender se o IPCA vai fechar o mês abaixo de 4%. A Vanessa foi a única que trouxe um pouco de realidade: a URSS fez o que fez por interesse geopolítico, não por bondade. No fim das contas, o que importa é se isso ajudou ou atrapalhou o desenvolvimento econômico desses países. O resto é nostalgia de quem não precisa pagar conta no fim do mês.

Vanessa Silva

04/05/2026

O debate está bom, mas acho que falta um pouco de pragmatismo. A URSS apoiou a descolonização porque isso enfraquecia o Ocidente e abria mercado para sua influência, não por altruísmo. Isso não anula o resultado positivo para os países africanos e asiáticos, mas também não transforma Moscou em uma entidade moralmente superior. História se analisa com dados, não com hinos ideológicos.

João Silva

04/05/2026

Ricardo, você tocou no cerne da dialética: a URSS foi ao mesmo tempo um instrumento de libertação nacional e um império burocrático que sufocava seus próprios povos. O que a galera do “Faz o L” e os liberais não conseguem digerir é que a história não se resolve com maniqueísmo. Enquanto isso, o Ocidente continua exportando “democracia” com bombas e a mesma lógica colonial de sempre.

Ricardo Almeida

04/05/2026

O Cláudio e o John trouxeram a complexidade que falta nesse debate. A URSS apoiou a descolonização sim, mas usar isso como bandeira moral sem considerar que o próprio bloco soviético era um império eurasiano é cair em outra narrativa oficial. A história não é preto no branco, e a esquerda que trata a URSS como salvadora da pátria terceiro-mundista precisa encarar os arquivos que mostram Moscou trocando armas por exploração de recursos em Angola e Moçambique.

Cláudio Ribeiro

04/05/2026

O John Marshall tocou num ponto que a turma do “Faz o L” e os liberais de plantão insistem em ignorar: a URSS não foi um conto de fadas, mas reduzir seu papel na descolonização a uma troca de imperialismos é um reducionismo que a própria historiografia séria já superou. O Alfred de Zayas não está fazendo apologia do stalinismo, está fazendo arqueologia do poder — mostrando que sem o contrapeso soviético, a ONU teria sido um mero departamento de relações públicas do Ocidente.

John Marshall

04/05/2026

Márcio Torres, você fez um esforço honesto de separar os planos, e isso é raro nessa thread. O problema, me parece, é que a esquerda liberal e a direita anticomunista insistem em tratar a URSS como um monólito moral. Hobbes nos ensina que o Leviatã soviético era uma máquina de poder, sim, mas também um contrapeso geopolítico real. Negar que Moscou armou e financiou movimentos de libertação nacional na África e na Ásia é tão tosco quanto fingir que não havia Gulags. A história não é um tribunal de virtudes, é um campo de forças.

Tonho Patriota

04/05/2026

URSS descolonizou nada, isso é historia contada por comunista. O que eles fizeram foi escravizar meio mundo com fome e gulag, pergunta pro povo da Ucrania se sente descolonizado. FAZ O L

    Márcio Torres

    04/05/2026

    Tonho Patriota, você mistura alhos com bugalhos e chama de “história contada por comunista”. Vamos separar os planos. Ninguém está negando que a URSS foi um regime autoritário, com Gulags, repressão e fome na Ucrânia — isso é fato documentado, e não há revisionismo que apague os arquivos soviéticos abertos nos anos 1990. Mas o artigo do especialista da ONU não trata do caráter interno do regime stalinista; trata do papel geopolítico da URSS na descolonização afro-asiática. São duas camadas distintas de análise. Negar que Moscou forneceu armas, treinamento militar e pressão diplomática na ONU para acelerar o fim dos impérios britânico, francês, português e belga é simplesmente ignorar a história documentada. A Argélia, o Vietnã, Angola, Moçambique — todos tiveram suporte soviético decisivo contra potências coloniais que mataram muito mais, durante muito mais tempo, do que qualquer Gulag. Isso não é “defender a URSS”, é constatar um fato incômodo para quem quer reduzir a Guerra Fria a um moralismo binário.

    Você cita a Ucrânia como exemplo de “descolonização” que não aconteceu. Mas a Ucrânia nunca foi uma colônia no sentido clássico — era parte integrante da URSS, uma república federada com assento na própria ONU em 1945. O Holodomor foi uma tragédia horrível, um crime stalinista contra camponeses ucranianos, mas isso não se confunde com o processo de independência de países africanos e asiáticos que estavam sob domínio europeu direto. Usar a fome na Ucrânia para negar que a URSS apoiou a independência da Índia, da Indonésia ou da Argélia é um non sequitur lógico. É como dizer que, porque os EUA tiveram segregação racial e guerra no Vietnã, eles não podem ter ajudado a libertar a Europa do nazismo. A história não funciona com esse maniqueísmo de torcida; ela exige que você segure duas ideias contraditórias na cabeça ao mesmo tempo.

    E sobre o “FAZ O L”: você está reduzindo um debate geopolítico complexo a um meme de eleição brasileira. Isso revela mais sobre seu viés político atual do que sobre a URSS. Se o objetivo é criticar o autoritarismo soviético, ótimo — temos material de sobra. Mas jogar fora o papel histórico da URSS na descolonização só porque você não gosta do Lula ou do PT é um empobrecimento intelectual. O mundo não começou em 2022. A história da descolonização tem 70 anos, e a URSS foi, sim, um ator central nela — para o bem e para o mal. Negar isso é fazer o mesmo que os stalinistas faziam: apagar os fatos que não cabem na narrativa.

Maria Antonia

04/05/2026

Interessante como a ONU precisa resgatar o papel da URSS pra justificar a própria existência. No fim das contas, a descolonização substituiu um imperialismo por outro — o povo angolano trocou Lisboa por Moscou e viveu décadas de economia planificada e miséria. Liberdade de verdade mesmo, com mercado e responsabilidade individual, só veio depois que o bloco soviético ruiu.

    Jeferson da Silva

    04/05/2026

    Maria Antonia, você fala em “liberdade com mercado e responsabilidade individual” como se o trabalhador angolano tivesse escolhido virar peão de obra chinesa ou garimpeiro sem proteção nenhuma depois que a URSS caiu. Na prática, a “liberdade” que chegou foi a mesma precarização que a gente vê nas fábricas do ABC: direitos jogados no lixo, salário mínimo que não paga o aluguel e a ilusão de que empreender é solução pra quem não tem cesta básica garantida.

João Pereira

04/05/2026

Ana Souza foi cirúrgica: o mérito do artigo é justamente escapar do maniqueísmo. A URSS foi um regime autoritário e ponto, mas também foi o único contrapeso real ao imperialismo ocidental durante a Guerra Fria. Negar um lado para defender o outro é fazer história de torcida, não análise.

Ana Souza

04/05/2026

O debate acirrado mostra como é difícil olhar para a URSS sem cair em maniqueísmo. Apoiar movimentos de libertação não anula os Gulags, assim como denunciar o stalinismo não apaga o fato de que sem Moscou, a descolonização teria sido bem mais sangrenta e lenta. Acho que o mérito do artigo é justamente tentar equilibrar essa balança histórica que a Guerra Fria sempre pendeu para um lado só.

Rodrigo RedPill

04/05/2026

Claro, a ONU agora vai canonizar a URSS, aquela potência que quebrou a economia de meio mundo e matou de fome seus próprios cidadãos. Enquanto isso, o Ocidente seguia com livre mercado e gerando riqueza de verdade. Mas é mais fácil culpar o imperialismo capitalista pelo fracasso de países que escolheram o socialismo, né? Ficou bonito no papel, mas na prática é só desculpa para não empreender e ficar dependendo de estado.

    Augusto Silva

    04/05/2026

    Rodrigo, fico impressionado com sua fé inabalável no livre mercado como se ele operasse num vácuo moral — enquanto a URSS quebrava a economia de meio mundo, o Ocidente quebrava corpos no Congo, no Vietnã e no Chile com a mesma frieza, só que com spreads bancários mais elegantes. O problema do seu argumento não é a crítica ao socialismo real, é achar que a alternativa ocidental foi uma festa de empreendedorismo e não um sistema que trocou grilhetas coloniais por dívidas externas impagáveis.

Clotilde Pátria

04/05/2026

Gente, pelo amor de Deus, vocês estão romantizando a URSS? Aquela ditadura que matou milhões e agora querem colocar como salvadora da pátria? É cada uma… Daqui a pouco vão dizer que o Stalin era um santo. O comunismo já deu errado no mundo inteiro, e esse papo de descolonização é só cortina de fumaça pra esconder o verdadeiro objetivo deles: implantar o mesmo sistema aqui. Jesus, tenha piedade de nós!

    Pedro Almeida

    04/05/2026

    Clotilde, sua indignação moral é compreensível, mas ela opera como uma cortina de fumaça tão eficaz quanto a que você denuncia: ao reduzir a URSS a um mero Gulag, você apaga o fato de que, sem o apoio soviético, países como Angola e Moçambique teriam sangrado por mais décadas sob o tacão de Salazar e do apartheid — e aí, sim, a “liberdade econômica” que você invoca seria apenas a liberdade de continuar exportando matéria-prima a preço de banana para a Europa.

Cecília Ramos

04/05/2026

Cíntia, você tocou num ponto crucial que a galera mais liberal insiste em ignorar: sim, a URSS apoiou a luta armada contra o colonialismo enquanto o Ocidente fechava os olhos pra ditadura de Salazar e Mobutu. Claro que o apoio veio com amarras, mas negar o papel soviético na libertação de Angola e Moçambique é apagar a história de quem pegou em armas contra o racismo e a exploração. Minha fé me ensina que justiça social não se faz com discurso bonito, mas com ação concreta contra os opressores.

Cíntia Ribeiro

04/05/2026

A thread está boa, mas acho que falta um ponto: a URSS realmente apoiou movimentos de libertação nacional com armas e treinamento, algo que os EUA e a Europa raramente fizeram na mesma escala. O problema é que esse apoio veio com uma conta — alinhamento automático ao bloco soviético e, muitas vezes, a instalação de regimes que replicavam o autoritarismo de Moscou. Dá para reconhecer o papel histórico sem romantizar o resultado.

Maria Silva

04/05/2026

Pois é, Letícia e João, bonito discurso, mas na prática a URSS trocou um coronel europeu por um ditador de partido único que engessou a economia e deixou o povo na miséria. Vi isso de perto nos negócios com países africanos: independência sem liberdade econômica é só trocar de corrente. O povo continua sem terra produtiva e sem direito de empreender.

    Caio Vieira

    04/05/2026

    Maria, sua crítica à ausência de liberdade econômica nas ex-colônias é pertinente, mas preciso lembrar que a hegemonia soviética, embora autoritária, operou como uma contra-hegemonia ao imperialismo ocidental — o problema, como bem aponta Gramsci, é que sem a construção de uma vontade coletiva nacional-popular, a independência formal vira apenas uma troca de elites, e o povo segue sem acesso à terra e ao empreendimento, o que é uma tragédia que só a luta orgânica das classes subalternas pode resolver.

Marina Costa

04/05/2026

Que absurdo! A ONU e a esquerda adoram glorificar regimes ímpios e assassinos como a URSS, que perseguiu cristãos e destruiu famílias. A verdadeira libertação dos povos vem de Deus e dos valores cristãos, não do comunismo ateu. Esse revisionismo histórico é mais uma tentativa de enganar os incautos e promover uma agenda imoral.

    Letícia Fernandes

    04/05/2026

    Marina, sua indignação é compreensível dentro do quadro ideológico que você habita, mas revela uma confusão entre o plano teológico e o plano histórico-materialista que preciso apontar. Quando você reduz a descolonização da Ásia, da África e do Oriente Médio a uma disputa entre “comunismo ateu” e “valores cristãos”, você apaga o fato concreto de que, entre 1945 e 1991, a URSS foi o único contrapeso efetivo ao colonialismo tardio praticado pelas potências ocidentais — muitas delas profundamente cristãs, diga-se de passagem. Bélgica, França, Portugal e Reino Unido, todos países de tradição cristã, massacraram populações inteiras no Congo, na Argélia, em Moçambique e na Índia enquanto entoavam hinos religiosos. A União Soviética, com todos os seus defeitos e contradições internas que não nego, forneceu apoio militar, diplomático e econômico a movimentos de libertação nacional que lutavam contra o jugo colonial. Isso não é revisionismo, é arquivo histórico: a ONU que o especialista menciona registra em atas e resoluções o papel soviético na condenação do apartheid e no apoio à independência de países como Angola, Moçambique e Vietnã.

    O segundo ponto que me parece crucial é a armadilha de tratar a “perseguição religiosa” como um fenômeno unívoco e descontextualizado. Sim, a URSS cometeu violações graves contra liberdades religiosas, especialmente sob Stalin, e isso deve ser criticado sem hesitação. Mas é no mínimo ingênuo — ou estrategicamente seletivo — ignorar que o colonialismo ocidental, abençoado por missionários cristãos, destruiu cosmovisões inteiras, impôs catecismo à força e justificou a exploração econômica como “missão civilizadora”. A “verdadeira libertação dos povos” que você atribui a Deus e aos valores cristãos foi, na prática, a mesma doutrina usada para justificar a escravidão, o genocídio indígena e a servidão por dívida. O que o especialista da ONU faz não é glorificar um regime, mas reconhecer que, no tabuleiro geopolítico da Guerra Fria, a URSS desempenhou um papel objetivo na aceleração do fim dos impérios coloniais. Negar isso não é defender a fé cristã; é recusar a complexidade da história em favor de uma narrativa maniqueísta que só beneficia quem ainda lucra com a memória colonial.

    Por fim, permita-me uma observação clínica: sua reação visceral ao relatório sugere menos um debate sobre fatos e mais um sintoma do que chamo de “melancolia de direita” — a nostalgia por uma ordem mundial em que o Ocidente cristão detinha o monopólio da violência simbólica e material. A ONU, com todas as suas limitações burguesas e burocráticas, ao menos institucionalizou a possibilidade de que ex-colônias tivessem voz. Chamar esse processo de “agenda imoral” é, no fundo, uma defesa da moral colonial que nunca foi moral. A história não é um campo de batalha entre anjos e demônios, mas entre forças materiais e interesses de classe. E, nesse campo, a URSS foi um instrumento — imperfeito, brutal às vezes, mas historicamente necessário — para que milhões de pessoas deixassem de ser súditos e se tornassem cidadãos de nações independentes. Isso não é fé; é fato. E fatos, como você sabe, não se dissolvem com orações.

    João Carlos da Silva

    04/05/2026

    Marina, sua leitura reduz o fenômeno histórico da descolonização a uma disputa teológica, quando o que está em jogo é a materialidade da exploração colonial — algo que nem a doutrinação religiosa nem o anticomunismo retórico conseguiram desfazer nas ex-colônias.


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