Irã afirma que EUA se enredam em crise criada por suas próprias ações no Oriente Médio

Bandeira dos Estados Unidos rasgada e parcialmente enterrada na areia do deserto. (Foto: actualidad.rt.com)

A República Islâmica do Irã voltou a denunciar a escalada de pressões dos Estados Unidos na região do Oriente Médio e afirmou que Washington está cada vez mais preso em uma crise que ele próprio alimentou. A declaração partiu do porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, que avaliou que a política de ameaças do governo norte-americano perdeu qualquer eficácia diante da resistência regional.

Baqaei afirmou que a insistência de Washington em recorrer à força desestabiliza a região e aprofunda o isolamento político dos EUA no cenário internacional. O porta-voz destacou que repetir erros históricos não fortalece a posição norte-americana e apenas reforça a percepção global de que o país atua de maneira unilateral e em desacordo com princípios básicos do direito internacional.

Segundo o porta-voz, a conjuntura atual no Oriente Médio é consequência direta das sucessivas intervenções militares dos Estados Unidos, que ao longo de décadas ampliaram tensões e geraram instabilidade em múltiplos países. Ele citou ainda ataques conduzidos por forças norte-americanas e por Israel em áreas próximas ao território iraniano, classificando-os como ações que contribuem para a escalada de riscos.

Baqaei ressaltou que a política externa do Irã se baseia na defesa da soberania nacional e no compromisso com a segurança regional, enquanto Washington insiste em impor sua presença militar sem considerar os impactos sobre as populações locais. Para ele, essa postura gera um ciclo de hostilidade que enfraquece a capacidade dos EUA de construir acordos diplomáticos duradouros.

O diplomata também enfatizou que Teerã considera o estreito de Ormuz uma rota vital para o comércio global de energia e reafirmou que o país atua como principal guardião da estabilidade na região. Ele destacou que o corredor marítimo mantém fluxo seguro e regular, reforçando que a preservação desse equilíbrio depende da redução de intervenções externas.

O estreito de Ormuz é responsável pelo trânsito de uma parcela significativa do petróleo mundial, e qualquer tensão na área tende a repercutir diretamente na economia global. Baqaei destacou que a segurança desse corredor não pode ser submetida a pressões militares ou ameaças vindas de atores externos que não possuem legitimidade regional.

A crítica iraniana se alinha às análises de diversos especialistas que apontam a estratégia dos EUA como uma tentativa de manter hegemonia militar e energética, mesmo diante da consolidação de um mundo cada vez mais multipolar. Para o Irã, esse movimento esbarra nos limites de uma política que negligencia a autodeterminação dos povos do Oriente Médio e reforça alianças que alimentam conflitos permanentes.

O porta-voz reiterou que a diplomacia iraniana continuará priorizando o diálogo entre países da região e resistindo ao que considera práticas coercitivas de Washington. Ele afirmou que a estabilidade só será possível quando atores externos cessarem operações militares e permitirem que mecanismos regionais assumam a condução de iniciativas de paz.

A agência Tasnim e o portal RT registraram que Baqaei também mencionou iniciativas recentes de Teerã para reduzir tensões e apresentar propostas de cooperação, destacando que elas foram ignoradas por Washington. Para o diplomata, esse comportamento revela que os EUA preferem manter um ambiente de confrontação em vez de abrir espaço para mecanismos de negociação.

A fala de Baqaei ocorreu em meio a novo ciclo de pressões militares e declarações inflamadas vindas de autoridades norte-americanas, que sinalizaram possibilidade de ampliar operações na região. O porta-voz observou que essas ameaças não intimidam o Irã e apenas reforçam a percepção global de que os EUA seguem presos à lógica de intervenção que marcou sua política externa nas últimas décadas.

Ao final, Baqaei afirmou que Teerã continuará defendendo o estreito de Ormuz e atuando pela estabilidade regional, independentemente da postura adotada pelos Estados Unidos. Para ele, a presença militar norte-americana, somada aos ataques realizados por Israel, ameaça a segurança coletiva e impede a construção de um ambiente favorável à cooperação no Oriente Médio.

Com informações de ACTUALIDAD.


Leia também: Vice-ministro russo culpa agressão de EUA e Israel pela crise no Oriente Médio


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