A República Islâmica do Irã voltou a denunciar a escalada de pressões dos Estados Unidos na região do Oriente Médio e afirmou que Washington está cada vez mais preso em uma crise que ele próprio alimentou. A declaração partiu do porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, que avaliou que a política de ameaças do governo norte-americano perdeu qualquer eficácia diante da resistência regional.
Baqaei afirmou que a insistência de Washington em recorrer à força desestabiliza a região e aprofunda o isolamento político dos EUA no cenário internacional. O porta-voz destacou que repetir erros históricos não fortalece a posição norte-americana e apenas reforça a percepção global de que o país atua de maneira unilateral e em desacordo com princípios básicos do direito internacional.
Segundo o porta-voz, a conjuntura atual no Oriente Médio é consequência direta das sucessivas intervenções militares dos Estados Unidos, que ao longo de décadas ampliaram tensões e geraram instabilidade em múltiplos países. Ele citou ainda ataques conduzidos por forças norte-americanas e por Israel em áreas próximas ao território iraniano, classificando-os como ações que contribuem para a escalada de riscos.
Baqaei ressaltou que a política externa do Irã se baseia na defesa da soberania nacional e no compromisso com a segurança regional, enquanto Washington insiste em impor sua presença militar sem considerar os impactos sobre as populações locais. Para ele, essa postura gera um ciclo de hostilidade que enfraquece a capacidade dos EUA de construir acordos diplomáticos duradouros.
O diplomata também enfatizou que Teerã considera o estreito de Ormuz uma rota vital para o comércio global de energia e reafirmou que o país atua como principal guardião da estabilidade na região. Ele destacou que o corredor marítimo mantém fluxo seguro e regular, reforçando que a preservação desse equilíbrio depende da redução de intervenções externas.
O estreito de Ormuz é responsável pelo trânsito de uma parcela significativa do petróleo mundial, e qualquer tensão na área tende a repercutir diretamente na economia global. Baqaei destacou que a segurança desse corredor não pode ser submetida a pressões militares ou ameaças vindas de atores externos que não possuem legitimidade regional.
A crítica iraniana se alinha às análises de diversos especialistas que apontam a estratégia dos EUA como uma tentativa de manter hegemonia militar e energética, mesmo diante da consolidação de um mundo cada vez mais multipolar. Para o Irã, esse movimento esbarra nos limites de uma política que negligencia a autodeterminação dos povos do Oriente Médio e reforça alianças que alimentam conflitos permanentes.
O porta-voz reiterou que a diplomacia iraniana continuará priorizando o diálogo entre países da região e resistindo ao que considera práticas coercitivas de Washington. Ele afirmou que a estabilidade só será possível quando atores externos cessarem operações militares e permitirem que mecanismos regionais assumam a condução de iniciativas de paz.
A agência Tasnim e o portal RT registraram que Baqaei também mencionou iniciativas recentes de Teerã para reduzir tensões e apresentar propostas de cooperação, destacando que elas foram ignoradas por Washington. Para o diplomata, esse comportamento revela que os EUA preferem manter um ambiente de confrontação em vez de abrir espaço para mecanismos de negociação.
A fala de Baqaei ocorreu em meio a novo ciclo de pressões militares e declarações inflamadas vindas de autoridades norte-americanas, que sinalizaram possibilidade de ampliar operações na região. O porta-voz observou que essas ameaças não intimidam o Irã e apenas reforçam a percepção global de que os EUA seguem presos à lógica de intervenção que marcou sua política externa nas últimas décadas.
Ao final, Baqaei afirmou que Teerã continuará defendendo o estreito de Ormuz e atuando pela estabilidade regional, independentemente da postura adotada pelos Estados Unidos. Para ele, a presença militar norte-americana, somada aos ataques realizados por Israel, ameaça a segurança coletiva e impede a construção de um ambiente favorável à cooperação no Oriente Médio.
Com informações de ACTUALIDAD.
Leia também: Vice-ministro russo culpa agressão de EUA e Israel pela crise no Oriente Médio
📨 Inscreva-se na Newsletter de O Cafezinho
Receba nossas análises e as principais notícias diárias do Brasil e do Sul Global.


Luciana
04/05/2026
Pois é, enquanto eles tão nessa briga de gigante no Oriente Médio, aqui a gente se vira pra pagar as contas no fim do mês. O que me irrita é ver político brasileiro querendo gastar energia com isso sendo que o povo tá com o gás de cozinha a preço de ouro. Cada um cuide do seu quintal primeiro.
Marcus Almeida
04/05/2026
O Irã tem toda razão: os EUA plantaram vento no Oriente Médio e agora colhem tempestade. É a mesma história de sempre, o império americano se mete onde não é chamado, desestabiliza nações inteiras e depois chora de vítima. Enquanto isso, aqui no Brasil a esquerda tenta destruir a família e a moral cristã com a mesma arrogância.
Diego Fernández
04/05/2026
É a mesma lógica do FMI na América Latina: criam a crise com pacotes de austeridade e depois culpam os países por não se ajustarem. No Oriente Médio, os EUA financiam, armam e destabilizam, e quando o caldo entorna, dizem que são vítimas. O Irã não é santo, mas a hipocrisia ianque é de cair o cu da bunda.
João Carlos da Silva
04/05/2026
Ronaldo e José, vocês tocam num ponto central que a análise de conjuntura muitas vezes ignora: a lógica de intervenção não é acidental, é estrutural. O que o Irã aponta é justamente a incapacidade dos EUA de romper com o próprio ciclo de hegemonia que Gramsci chamaria de “dominação sem consentimento”. Enquanto Washington insistir em ditar regras unilaterais, vai colher o que plantou. Aqui na sala de aula, quando vejo meus alunos discutindo relações internacionais, sempre lembro: império que não aprende com a história está fadado a repeti-la.
José dos Santos
04/05/2026
Ronaldo falou tudo. O americano adora se meter onde não é chamado, aí quando a coisa desanda, ainda querem culpar os outros. Aqui na Bahia a gente vê isso todo dia: político promete, faz lambança e depois joga a responsabilidade pro povo. No fim, quem paga o pato é sempre o trabalhador.
Ronaldo Silva
04/05/2026
Pois é, Maria Clara, você tem razão que ninguém é santo nessa história. Mas a real é que o americano gosta de bancar o xerife do mundo, mete o bedelho onde não é chamado, e depois reclama que o bagulho fica feio. Aqui no Brasil a gente sente na pele esse mesmo tipo de intervenção disfarçada de ajuda, com juros nas alturas e o povo pagando a conta.
Maria Clara Lopes
04/05/2026
A Marta e a Samara estão presas naquele loop de “quem começou primeiro” que não leva a lugar nenhum. Os EUA têm um histórico péssimo de intervenções, ninguém nega, mas o Irã também não é nenhum mocinho com esse regime teocrático que reprime protestos internos. O que me cansa é ver os dois lados usando a história como desculpa para continuar alimentando o conflito em vez de buscar saídas pragmáticas.
Marta Souza
04/05/2026
Eduardo, Marcos, vocês adoram culpar os EUA por tudo, mas esquecem que o Irã é um regime teocrático que financia terrorismo e oprime seu próprio povo. Enquanto ficam nessa lenga-lenga histórica, o mercado livre e a liberdade individual são sufocados por intervencionismo estatal de ambos os lados. Menos Estado, mais responsabilidade individual — isso resolveria metade dos problemas do Oriente Médio e do Brasil.
Samara Oliveira
04/05/2026
Marta, o problema dessa lógica de “menos Estado e mais responsabilidade individual” é que ela ignora que o pobre não tem escolha real quando o sistema já nasceu podre. O Irã oprime seu povo sim, e isso é grave, mas a história de intervenção dos EUA criou o terreno fértil pra regimes autoritários brotarem — sem justiça social de verdade, a “liberdade individual” vira privilégio de quem já está no topo.
Marcos Andrade Niterói
04/05/2026
Eduardo C. foi cirúrgico ao lembrar do Mossadegh em 1953 – isso é a raiz do problema, e os EUA nunca fizeram mea-culpa. Enquanto isso, aqui no Brasil a gente vê o governo estadual do Rio repetindo o mesmo padrão de descaso que os americanos aplicam no Oriente Médio: jogam a conta pro povo e ainda culpam os outros. O Irã pode não ser flor que se cheire, mas a crise atual é filha direta da arrogância imperialista de Washington.
Eduardo C.
04/05/2026
Caio, bonita a referência a Gramsci, mas vamos aos números: desde 1953, quando os EUA derrubaram Mossadegh, são mais de 70 anos de intervenção direta na região. A conta do Irã está certa, eles só estão apontando o óbvio com dados históricos que qualquer planilha de cronologia confirma.
Caio Vieira
04/05/2026
Cíntia, Sandra e Sofia, vocês tocam em pontos nevrálgicos que merecem um aprofundamento à luz da teoria crítica. A retórica iraniana, ao afirmar que os EUA se enredam em sua própria crise, evoca o conceito gramsciano de hegemonia em fratura exposta. Washington, ao longo das últimas décadas, construiu uma hegemonia no Oriente Médio baseada no que poderíamos chamar de “consenso securitário-petrolífero” — uma aliança entre elites locais, complexo militar-industrial e a ideologia do “choque de civilizações”. O problema, como bem apontou a senhora Martins, é que esse edifício ideológico sempre dependeu da capacidade de ocultar suas contradições internas. Quando a invasão do Iraque em 2003 revelou-se um fracasso existencial — lembremos do relatório da Carta Capital sobre os custos humanos daquela aventura —, a máscara do “exportador de democracia” caiu, e o que restou foi a pura e simples coerção.
A ironia trágica, meus caros, é que a crise atual não é um acidente de percurso, mas sim o que os escolásticos medievais chamariam de “causa sui” — uma crise que gera a si mesma. Os EUA, ao patrocinarem golpes e ditaduras na região (do Irã de Mossadegh em 1953 ao apoio à Arábia Saudita), criaram as condições objetivas para o surgimento de um Irã teocrático que, hoje, usa a própria linguagem da resistência anti-imperialista como arma. É a dialética do senhor e do escravo hegeliana aplicada à geopolítica: o dominador, ao tentar submeter o outro, acaba por fortalecê-lo. A bandeira enterrada na areia não é apenas uma imagem impactante; é a materialização simbólica de um império que, ao cavar trincheiras alheias, acabou soterrado por suas próprias escavações.
Sofia, você levanta com razão a hipocrisia iraniana. De fato, Teerã não é nenhum paraíso democrático — longe disso. A perseguição a minorias religiosas, como os bahá’ís, e a repressão interna são reais e precisam ser denunciadas sem relativismos. Mas aqui reside o perigo do falso equivalencialismo: apontar os defeitos do Irã não exime os EUA de sua responsabilidade histórica. Como diria o saudoso professor Florestan Fernandes, a crítica ao imperialismo não implica uma defesa acrítica dos regimes autóctones; ambos podem (e devem) ser criticados, mas a partir de lugares diferentes. Enquanto o Irã comete violações dentro de suas fronteiras, os EUA as cometem em escala transnacional, com drones, embargo econômico e apoio a monarquias absolutistas. Não se trata de “mocinhas e vilões”, mas de compreender a assimetria de poder e a lógica estrutural que perpetua a violência.
Por fim, Tiago, seu comentário sobre a perseguição religiosa é pertinente, mas peca por um certo maniqueísmo que ignora a complexidade teopolítica da região. A fé, como nos ensina a sociologia da religião de Peter Berger, é sempre mediada por estruturas de poder. Os EUA usaram o discurso da “liberdade religiosa” para justificar intervenções que, na prática, destruíram comunidades inteiras — vide o caso dos cristãos iraquianos, que eram mais seguros sob Saddam do que sob a “democracia” imposta. A crise atual, portanto, não é um desvio de rota, mas a consequência lógica de um projeto imperial que sempre tratou o Oriente Médio como um laboratório para seus experimentos geopolíticos. Até que essa hegemonia seja desconstruída — não apenas por sanções ou discursos, mas por uma reconfiguração radical das relações de poder —, continuaremos vendo bandeiras enterradas e povos sofrendo.
Sofia García
04/05/2026
gente, a bandeira dos EUA na areia é literalmente o moodboard da geopolítica atual kkkk os caras cavaram o próprio buraco e agora tão reclamando que tão no deserto, mó plot twist. Cíntia e Sandra mandaram bem, mas cadê a thread falando que o Irã também joga sujo? todo mundo errado nessa novela, só o povo civil que se lasca como sempre.
Sandra Martins
04/05/2026
Cíntia, você foi cirúrgica. O Irã também tem suas culpas, mas negar que os EUA ajudaram a cavar esse buraco é fechar os olhos pra história. Como cristã, fico triste em ver tanta gente sofrendo enquanto as potências só pensam em petróleo e poder.
Cíntia Alves
04/05/2026
Gabriel Teen resumiu tudo em uma frase kkkk. Mas é aquela velha história: os EUA querem controlar o petróleo e a geopolítica da região, aí se surpreendem quando o caldo entorna. Irã não é santo, mas a crise tem dedo americano sim, desde o apoio a ditaduras até a invasão do Iraque.
Gabriel Teen
04/05/2026
EUA cavou o próprio buraco e agora quer culpar o deserto, mó paz.
Marcos Conservador
04/05/2026
João Batista, você sempre trazendo Amós pra discussão, o que é raro e bom. Mas acho que você e o Eduardo estão perdendo o ponto principal: o Irã é um regime que persegue abertamente cristãos e judeus, enquanto os EUA, apesar de todos os erros, ainda são um país que tem liberdade religiosa na sua fundação. Essa crise no Oriente Médio é fruto de décadas de um mundo sem Deus, e não de “política externa” ou “mercado”.
Tiago Mendes
04/05/2026
Marcos, concordo que a perseguição religiosa no Irã é real e precisa ser denunciada, mas dizer que a crise é fruto de um “mundo sem Deus” ignora que os EUA usaram a fé como escudo para invadir o Iraque e armar ditaduras. Liberdade religiosa na fundação não impediu o país de apoiar regimes que torturam cristãos no Oriente Médio quando isso servia ao petróleo.
Eduardo Teixeira
04/05/2026
O Irã tem razão em apontar a hipocrisia, mas a real crise é que os EUA gastam bilhões em intervenções enquanto o contribuinte americano se lasca com inflação e dívida. Se cada país cuidasse do próprio mercado em vez de bancar guerra alheia, o Oriente Médio estaria muito melhor.
João Batista
04/05/2026
Eduardo, você toca num ponto justo sobre o contribuinte americano pagar a conta, mas esse papo de cada um cuidar do próprio mercado é a velha teologia da prosperidade travestida de política. O profeta Amós já denunciava os que vendem o justo por prata e o pobre por um par de sandálias — a crise no Oriente Médio não é só gastança, é a ganância de uns poucos que transformam sangue em petrodólar enquanto o povo sofre dos dois lados do oceano.
Beatriz Lima
04/05/2026
Ah, o Irã e o porta-voz dele soltando essa pérola de que os EUA estão enredados na própria crise. É uma análise tão óbvia quanto a areia do deserto na foto: claro que os EUA cavaram o próprio buraco no Oriente Médio, mas a declaração iraniana parece mais um exercício de retórica do que um diagnóstico honesto. Teerã adora apontar o dedo para Washington enquanto silencia sobre o próprio histórico de desestabilização na região — financiamento do Hezbollah, milícias no Iraque, repressão interna. A crise é real, mas a narrativa de “vítima da geopolítica” soa cínica vindo de um regime que também sabe muito bem como jogar o jogo do caos.
A Fernanda Oliveira tocou num ponto crucial: reduzir o Irã a “apedreja mulheres” e os EUA a “valores judaico-cristãos” é raso, mas também não dá pra ignorar que o regime iraniano é uma teocracia que sufoca dissidentes e financia grupos que espalham violência. A questão é que a política externa americana no Oriente Médio é um festival de contradições: invadem países em nome da democracia, armam ditadores quando convém, e agora choramingam que a região está instável. O Irã não é santo, mas os EUA perderam o direito de posar de xerife moral depois do Iraque, do apoio à Arábia Saudita no Iêmen e de décadas de alianças com regimes nada democráticos.
O Helton Barros ali em cima parece acreditar que os EUA são uma força civilizatória no Oriente Médio, o que me faz pensar em quantos livros de história ele leu depois de 2003. A invasão do Iraque não foi um acidente de percurso — foi uma escolha deliberada baseada em mentiras sobre armas de destruição em massa, e o resultado foi um país destroçado, o fortalecimento do Irã e a ascensão do Estado Islâmico. Se isso é “valores”, prefiro ficar com o cinismo de quem não compra discurso de salvador vindo de nenhum dos lados.
No fim das contas, o que me irrita nessa thread é a polarização preguiçosa: ou você defende o Irã como resistência anti-imperialista, ou defende os EUA como bastião da liberdade. Os dois lados são igualmente seletivos com os fatos. Enquanto isso, o Beto Engenheiro e o Rick Ancap têm razão em um ponto — o Brasil deveria estar mais preocupado com a própria infraestrutura do que com essa novela geopolítica. Mas aí a gente lembra que nossa política externa também adora tomar partido em briga alheia, então nem nisso escapamos da hipocrisia.
Fernanda Oliveira
04/05/2026
Helton, com todo respeito, mas reduzir o Irã a “apedreja mulheres” e os EUA a “valores” é um desserviço à análise política. O regime iraniano é autoritário e misógino sim, e a gente precisa denunciar isso sem nunca esquecer que os EUA financiaram e armaram ditaduras no Oriente Médio por décadas, além de invadir países sob mentiras. A crise de hoje é fruto desse histórico de intervenção, não de um “vale tudo” moral. Dá pra criticar os dois lados sem fazer de conta que um é mocinho.
Helton Barros
04/05/2026
Lucas Andrade, você é mais um desses jovens que engolem discurso de esquerda sem enxergar a realidade. O Irã é um regime que apedreja mulheres e persegue cristãos, não venha com esse papo de “exploração periférica”. Enquanto isso, os EUA pelo menos têm valores judaico-cristãos na sua fundação, coisa que esse bando de aiatolá nunca teve. Família, Deus e Pátria primeiro, sempre.
Rick Ancap
04/05/2026
Beto Engenheiro, enquanto você chora asfalto e trem, os EUA tão ocupados demais bancando guerra alheia pra manter o petrodólar rodando. Brasil que se vire, Estado grande é que nem areia movediça: quanto mais mexe, mais afunda.
Lucas Andrade
04/05/2026
Rick, trocar a crítica ao imperialismo por um mantra libertário de “cada um no seu quadrado” é só maquiar a mesma lógica de abandono que o mercado adora. O petrodólar e o asfalto que você despreza são faces da mesma moeda da exploração periférica — negar o Estado não desmonta o poder, só esconde quem manda de verdade.
Beto Engenheiro
04/05/2026
Carlos Rocha, você falou a real: enquanto eles discutem crise no Oriente Médio, aqui a gasolina bate recorde e a obra pública não sai do papel. Enquanto os EUA gastam bilhões em guerra no deserto, o Brasil precisa de trem e asfalto decente. Cada um cuida do seu quintal, mas o meu tá cheio de buraco.
Carlos Rocha
04/05/2026
O Irã tem razão em apontar a hipocrisia americana, mas a real é que os EUA sempre agiram assim e vão continuar. Enquanto isso, o brasileiro paga a conta com gasolina a quase 7 reais e impostos que não param de subir. Cada um que se vire, porque o Estado só sabe criar crise.
Maria Aparecida
04/05/2026
Carlos, você tem razão sobre o preço do gás e dos impostos, mas “cada um que se vire” é justamente o discurso que os poderosos querem ouvir. A Bíblia nos manda carregar as cargas uns dos outros (Gálatas 6:2), e isso inclui cobrar um Estado que não transfira a conta das guerras dos ricos para o povo pobre.
John Marshall
04/05/2026
Maria Silva, a senhora tem toda razão ao apontar que a teocracia iraniana também não é exemplo de ética. O problema é que, desde Maquiavel, sabemos que Estados agem por interesse, não por moral. Os EUA, ao invadir o Iraque em 2003 sob pretextos falsos, criaram o vácuo de poder que o Irã preenche hoje. É a velha lição de Hobbes: quem desrespeita o contrato não pode reclamar da guerra de todos contra todos.
Maria Silva
04/05/2026
Cecília, você tocou num ponto que me preocupa como crente e como mãe: essa novela sem fim no Oriente Médio só traz instabilidade e sofrimento para inocentes dos dois lados. O Irã tem razão em apontar a hipocrisia americana, mas a teocracia iraniana também não é exemplo de ética ou paz. No fim, o que a gente vê é orgulho e poder falando mais alto, enquanto o povo comum paga a conta.
Cecília Silva
04/05/2026
Ana Souza, você trouxe a visão de quem sente na pele o descaso, mas a real é que essa crise é o espelho do que a gente vive aqui. Enquanto os EUA brincam de deus no Oriente Médio, o Brasil importa a guerra deles na forma de preço do gás e bala perdida na favela. O Irã pode até ter seus interesses, mas a hipocrisia americana é a mãe de todo esse caos.
Ana Souza
04/05/2026
João Carvalho, você resumiu bem o sentimento de quem olha de fora: enquanto eles se acusam, a gente paga o pato. Mas acho que o Renato Professor tem um ponto válido sobre a falta de regras claras nesse jogo. No fim, a crise no Oriente Médio é um sintoma de um sistema internacional quebrado, e a gente aqui só sente os reflexos no bolso e na segurança.
João Carvalho
04/05/2026
Pois é, Renato Professor, o senhor falou bonito, mas na prática é tudo a mesma lengalenga. O Irã fala que os EUA se enroscaram sozinhos, e os EUA falam que o Irã é o terrorista. Enquanto isso, a gasolina aqui no Rio não baixa e a segurança pública vai de mal a pior. No fim, quem paga o pato é o trabalhador que só quer pegar o busão e voltar pra casa sem susto.
Renato Professor
04/05/2026
Julia, você tocou num ponto crucial. O livre mercado como conceito abstrato depende de um arcabouço jurídico que garanta contratos e propriedade, algo que inexiste em teocracias e em políticas externas baseadas em exceções unilaterais. O que vemos é o velho jogo de poder com roupagem de crise humanitária, e enquanto a intelectualidade orgânica americana e iraniana não fizer uma autocrítica honesta sobre o papel do Estado como agente de perpetuação de desigualdades, o povo continuará pagando a conta.
Carlos Meirelles
04/05/2026
O Irã tem razão em apontar a hipocrisia americana, mas a solução não vem de mais intervencionismo ou sanções que só fortalecem tiranias. Enquanto os contribuintes americanos bancam essa farra geopolítica e o povo iraniano amarga o custo, o regime de ambos os lados se perpetua. Menos Estado, mais liberdade econômica e cada um cuidando do seu jardim — isso sim quebrava o ciclo de crise.
Julia Andrade
04/05/2026
Carlos, eu entendo o apelo intuitivo da sua proposta de “cada um cuidando do seu jardim” — parece uma saída elegante e pacífica. Mas, como estudante de cultura e relações de poder, preciso questionar essa idealização do livre mercado como antídoto para conflitos geopolíticos. A ideia de que “menos Estado” resolveria o ciclo de crise entre EUA e Irã ignora que o próprio mercado global que você defende é uma construção política, não um estado de natureza. As sanções econômicas, por exemplo, não são um desvio do livre mercado — são a expressão máxima de como o capitalismo contemporâneo opera através de fronteiras, embargos e hierarquias. O “jardim” americano já invade o iraniano há décadas, seja pelo golpe de 1953 contra Mossadegh, seja pelo apoio ao Iraque na guerra dos anos 80. O livre mercado não existiu ali nem antes nem depois; o que houve foi uma relação colonial disfarçada de comércio.
Seu argumento de que sanções fortalecem tiranias é correto, mas a conclusão liberal clássica de que “liberdade econômica” quebraria o ciclo me parece ingênua. A Guarda Revolucionária iraniana não se sustenta só porque o Estado é grande; ela se sustenta porque controla setores inteiros da economia — e a abertura de mercado, sem reformas institucionais profundas, tende a beneficiar justamente quem já tem poder de fogo e capital acumulado. O que vemos na história recente do Irã é que os períodos de maior abertura comercial, como nos anos 90, não enfraqueceram o regime; eles criaram uma burguesia compradora ligada ao Estado. A “liberdade econômica” virou liberdade para a elite militarizada diversificar seus negócios. O problema não é Estado versus mercado, é de quem é o Estado e a quem o mercado serve.
Além disso, “cada um cuidando do seu jardim” pressupõe que os jardins são simétricos — que o Irã e os EUA partem de posições de poder equivalentes e que a não-intervenção seria uma escolha bilateral. Mas os EUA têm bases militares em países que fazem fronteira com o Irã, controlam o sistema financeiro global pelo dólar e têm uma indústria bélica que lucra com a instabilidade. O “jardim” americano já é, estruturalmente, um império. A saída não é menos Estado, mas um Estado global regulado por instituições multilaterais que de fato representem o Sul Global — algo que o livre mercado, sozinho, jamais entregou. Enquanto não enfrentarmos a assimetria real entre esses atores, qualquer discurso de “liberdade econômica” corre o risco de ser apenas a retórica do mais forte pedindo para não ser incomodado enquanto continua a ditar as regras do jogo.
João Carlos Silva
04/05/2026
Pois é, Pedro Silva e Luciana Santos, vocês dois acertaram na mosca. Enquanto os governos ficam nesse joguinho de empurra-empurra, quem sofre é o povo comum que só quer trabalhar em paz. Aqui no Brasil a gente já tem nossos próprios problemas com custo de vida e segurança, não precisa ficar importando briga dos outros.
Carlos Mendes
04/05/2026
Luciana, você resumiu bem o drama: enquanto os dois lados se engalfinham, o contribuinte americano financia essa farra e o povo iraniano amarga sanções que só enriquecem a guarda revolucionária. O livre mercado resolveria isso muito antes do que qualquer bombardeio ou acordo podre.
Ricardo Almeida
04/05/2026
Carlos, discordo do livre mercado como solução mágica: ele pressupõe instituições e regras que justamente não existem num ambiente de teocracia e guerra por procuração. O problema não é falta de mercado, é falta de Estado de Direito dos dois lados.
Luciana Santos
04/05/2026
Pedro Silva falou tudo. Enquanto EUA e Irã ficam nesse joguinho de empurra-empurra, quem paga o pato é o povo que precisa de paz e pão. Cansei dessa novela, os dois lados só sabem fazer barulho e gastar dinheiro com guerra.
Pedro Silva
04/05/2026
Pois é, mais um capítulo dessa novela sem fim. Os EUA vivem se metendo onde não são chamados e depois reclamam que o caldo entorna. Mas o Irã também não é santo, né? No fim, quem se lasca é o povo comum dos dois lados, enquanto os políticos ficam nesse teatrinho.
Padre Antônio Rocha
04/05/2026
Mais uma prova de que o mundo laico e materialista colhe o que planta. Os Estados Unidos, que tanto se intrometem nas nações alheias impondo sua agenda anticristã e relativista, agora se veem encurralados por suas próprias artimanhas. O Irã, embora não seja uma nação cristã, ao menos preserva valores de fé e tradição que o Ocidente já perdeu. Que essa crise sirva de lição: quem abandona Deus acaba enredado em suas próprias armadilhas.
Laura Silva
04/05/2026
Padre Antônio, sua leitura tem um mérito que preciso reconhecer: a crítica ao intervencionismo estadunidense é certeira e necessária. Os EUA realmente colhem o que plantaram ao longo de décadas de golpes, sanções e bombardeios no Oriente Médio. No entanto, discordo frontalmente quando o senhor atribui essa crise a um suposto abandono de Deus pelo Ocidente laico. Essa análise troca a materialidade das relações de poder por uma metafísica que, francamente, serve mais para consolar do que para explicar.
O problema não é o secularismo ou a falta de fé. Os EUA sempre foram um país profundamente religioso — basta ver como os presidentes juram sobre a Bíblia e invocam Deus em discursos de guerra. O que move a política externa americana não é o ateísmo, mas o imperativo do capital: controlar rotas de petróleo, vender armas, desestabilizar governos que ameaçam a hegemonia do dólar. O Irã, por sua vez, não é um refúgio de virtude tradicionalista; é uma teocracia que também oprime minorias e trabalhadores em nome de Deus. A fé, quando instrumentalizada pelo Estado, vira apenas mais uma ferramenta de dominação.
O senhor fala em “valores de fé e tradição” como antídoto ao caos, mas a história mostra que monarquias absolutistas e regimes teocráticos produziram tanta ou mais miséria que estados laicos. O que falta ao Oriente Médio não é religião — é soberania popular, distribuição de riqueza e fim da exploração imperialista. Enquanto reduzirmos a geopolítica a um embate entre crentes e ímpios, estaremos fazendo o jogo das elites que se beneficiam exatamente dessa cortina de fumaça ideológica. Que essa crise sirva de lição, sim, mas para entendermos que o deus que realmente governa o mundo chama-se capital, e ele não tem pátria nem fé.
Cristina Rocha
04/05/2026
Padre Antônio, sua crítica ao intervencionismo estadunidense tem um ponto que endosso inteiramente: os EUA, de fato, colhem o que plantaram com décadas de golpes de Estado, apoio a ditaduras e bombardeios que mataram centenas de milhares de civis no Oriente Médio. Nisso estamos de acordo. Mas quando você atribui essa crise a uma suposta “falta de Deus” e ao “materialismo ocidental”, você comete um erro grave de análise, que é o de espiritualizar um fenômeno que é essencialmente material e histórico. Não foi o “relativismo” que levou os EUA a invadir o Iraque em 2003 com base em mentiras sobre armas de destruição em massa; foi o petróleo, foram os contratos bilionários da Halliburton, foi a geopolítica imperialista do controle de rotas energéticas. Reduzir isso a uma questão de fé ou de valores cristãos é, no mínimo, um desvio idealista que esconde as engrenagens reais do poder.
O Irã que você elogia por “preservar valores de fé e tradição” é o mesmo que executa homossexuais, que prende e tortura ativistas feministas como Narges Mohammadi, que mantém um regime teocrático onde mulheres são apedrejadas por adultério e meninas de 13 anos são forçadas a se casar. Desculpe, padre, mas isso não é “tradição” que eu, como feminista, possa romantizar. A fé iraniana é instrumentalizada por uma elite clerical que, assim como a elite estadunidense, usa a religião para consolidar poder e reprimir dissidências. A diferença é que lá eles fazem isso em nome de Alá, e aqui os EUA fazem em nome da “liberdade” e do “mercado”. Ambos são fundamentalismos a serviço do capital e do patriarcado. O que o Irã preserva não é fé pura, é uma teocracia que oprime mulheres, minorias religiosas e trabalhadores, exatamente como o Ocidente “cristão” fez durante séculos com a Inquisição e a escravidão.
Você diz que “quem abandona Deus acaba enredado em suas próprias armadilhas”. Ora, mas foram justamente as nações mais “tementes a Deus” que cometeram os maiores horrores da história moderna. Os EUA são um país onde 70% da população se declara cristã, onde presidentes juram sobre a Bíblia e onde a direita evangélica dita políticas externas genocidas em relação à Palestina. O “Deus” deles não os impediu de destruir o Iraque, a Líbia, o Afeganistão. A questão não é ter ou não ter fé; a questão é ter ou não ter uma análise materialista das relações de poder. Enquanto a esquerda e setores progressistas insistirem em debates teológicos sobre quem é mais “temente a Deus”, o imperialismo continuará operando impune. O que precisamos é de uma crítica radical ao capitalismo, ao imperialismo e ao patriarcado, e não de uma disputa sobre qual religião é mais autêntica. O Irã e os EUA são duas faces da mesma moeda: ambos usam a violência estatal para sustentar elites que exploram os pobres, e ambos tratam mulheres como propriedade. Que essa crise sirva de lição, sim, mas para entendermos que o problema é estrutural, não espiritual.
Luisa Teens
04/05/2026
Padre, com todo respeito, mas falar em “valores de fé” enquanto o Irã prende e mata mulheres por protestar é no mínimo uma visão bem seletiva da realidade, né? #ForaBolsonaro