Uma pesquisa da Universidade de Sheffield identificou mecanismos nos cérebros de insetos que podem inspirar sistemas de inteligência artificial mais eficientes em energia.
O trabalho publicado na Nature Communications demonstra que moscas realizam movimentos oculares rápidos chamados saccades para sincronizar percepção e ação. Esses movimentos ativam no sistema nervoso uma modalidade de alta frequência que dispara sinais três vezes mais rápido que o normal.
O processo conhecido como high-frequency jumping elimina atrasos na comunicação neural. Com isso, os insetos conseguem desviar de perigos com precisão mesmo em alta velocidade.
O professor Mikko Juusola, da Escola de Biociências e do Instituto de Neurociência da Universidade de Sheffield, comandou a investigação. Juusola detalhou que a visão não opera como um fluxo passivo de dados, mas se adapta ativamente ao movimento corporal.
Essa integração garante que as informações visuais cheguem sem atraso ao centro de decisão. O pesquisador Jouni Takalo, também da Universidade de Sheffield, construiu um modelo estatístico que explica a organização dos sensores oculares.
O modelo mostra como os minúsculos receptores concentram o processamento nas áreas mais relevantes do campo visual durante manobras rápidas. O professor Aurel A. Lazar, da Universidade de Columbia, destacou a eficiência biológica alcançada por animais com recursos neuronais limitados.
Lazar observou que a combinação de movimento e percepção reduz drasticamente a demanda por grandes volumes de dados brutos. O professor Lars Chittka, especialista em ecologia sensorial e comportamental da Queen Mary University de Londres, enfatizou o potencial para a robótica.
Chittka indicou que a replicação desses princípios pode equipar robôs e veículos autônomos com capacidade superior de resposta em ambientes dinâmicos. A descoberta sugere que máquinas podem operar com algoritmos mais leves sem perder precisão ou velocidade de reação.
Aplicações incluem drones de resgate e carros autônomos que precisam decidir instantaneamente diante de mudanças súbitas no entorno. De acordo com o portal phys.org, o estudo indica um caminho para o desenvolvimento de tecnologias que imitam a arquitetura neuronal dos insetos.
Essa estratégia diminui o consumo de energia e a necessidade de hardware poderoso nos sistemas computacionais. Os pesquisadores concluem que a inteligência eficiente surge da interação dinâmica entre corpo e sentidos, abrindo caminho para sistemas de IA mais adaptáveis e robustos no mundo real.
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