Irã desmente EUA e acusa Washington de fabricar narrativa sobre afundamento de barcos no estreito de Ormuz

Militares iranianos em lanchas patrulham o Golfo Pérsico. (Foto: rt.com)

O governo do Irã rejeitou categoricamente as afirmações do Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) de que seis lanchas iranianas teriam sido destruídas no estreito de Ormuz, uma das rotas mais estratégicas para o transporte de petróleo mundial.

Uma autoridade militar de Teerã declarou à agência IRIB que a narrativa americana é uma fabricação destinada a justificar a crescente militarização da região. O desmentido veio em resposta a declarações do chefe do CENTCOM, almirante Brad Cooper, sobre uma operação com helicópteros AH-64 Apache e MH-60 Seahawk para neutralizar um suposto destacamento da Marinha iraniana.

Cooper destacou o que descreveu como poder de fogo massivo concentrado na área. Teerã interpretou a declaração como uma clara provocação em meio a negociações sobre a segurança no Golfo Pérsico.

A troca de acusações intensificou a tensão em um corredor marítimo que responde por cerca de 20% do comércio global de petróleo bruto. A agência iraniana Fars relatou que forças de Teerã teriam atingido um barco-patrulha americano na mesma região, informação negada pelo Pentágono.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, classificou as ações americanas como uma tentativa de impor um bloqueio naval, o que considera uma violação do direito internacional. Araghchi alertou que tais movimentos podem levar os EUA a um novo impasse militar no Oriente Médio.

O Irã propôs um mecanismo multinacional para gerenciar o tráfego no estreito de Ormuz, envolvendo países do Conselho de Cooperação do Golfo em inspeções conjuntas de embarcações. A iniciativa foi rejeitada por Washington, que prioriza o controle unilateral da rota para reforçar sua influência na Ásia Ocidental.

Analistas baseados em Dubai apontam que qualquer solução duradoura precisará equilibrar os interesses de potências como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Irã, Índia e China, esta última sendo a maior importadora de petróleo que passa pelo estreito. Pequim e Moscou têm defendido uma abordagem diplomática que respeite a soberania iraniana e reduza a presença militar de potências externas.

Especialistas em energia advertem que a instabilidade no estreito impacta diretamente os mercados globais, com a mera ameaça de interrupção no fluxo de petróleo elevando os prêmios de risco e os preços do barril. Seguradoras marítimas já aumentam os custos de frete a cada novo incidente, um ônus repassado aos consumidores em todo o mundo.

A narrativa americana, amplamente divulgada por veículos ocidentais, tem gerado ceticismo entre exportadores regionais, que questionam a ausência de evidências concretas — como imagens ou destroços — que sustentem as alegações de afundamento. A versão de Teerã encontra ressonância em canais alternativos, que destacam a estratégia iraniana de evitar fornecer pretextos para uma escalada militar.

Fontes militares em Qom afirmam que as lanchas do Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica continuam operando normalmente em missões de patrulha. Elas reiteram que nenhum barco foi perdido, contrariando as declarações do CENTCOM e reforçando a postura de dissuasão do país.

Mohsen Rezvani, professor de Relações Internacionais da Universidade de Teerã, observa que os EUA buscam desgastar o Irã com táticas de pressão intensa. Ele sublinha que décadas de sanções forçaram o desenvolvimento de uma indústria militar própria, capaz de enfrentar desequilíbrios de poder mesmo contra orçamentos bélicos superiores.

Operadores de petróleo em Londres monitoram os desdobramentos, cientes de que um erro de cálculo no estreito pode disparar os preços do barril para além de 100 dólares. A Agência Internacional de Energia estima que um bloqueio da rota por mais de 48 horas causaria sérios gargalos de suprimento para refinarias na Europa e na Ásia.

O Irã levou a questão ao Conselho de Segurança da ONU, denunciando a militarização do estreito como uma ameaça à navegação pacífica e ao direito internacional. O embaixador iraniano em Nova York, Amir Saeid Iravani, pediu uma condenação formal às ações de potências externas que buscam dominar a região.

Washington tenta persuadir aliados europeus de que sua presença militar massiva — com destróieres e porta-aviões — é um fator de estabilidade. A argumentação enfrenta resistência de governos preocupados com os impactos de um possível conflito no comércio global.

Fontes diplomáticas indicam que China e Índia exploram caminhos para mediar a retomada de acordos nucleares com o Irã, abalados desde a saída unilateral dos EUA em 2018, movimento que intensificou as tensões atuais. Pequim, em particular, oferece ampliar investimentos em infraestrutura iraniana como incentivo para garantir a segurança no fluxo de petróleo essencial à sua economia.

Para observadores internacionais, o embate no estreito de Ormuz reflete a tentativa americana de preservar o controle sobre rotas energéticas cruciais, enquanto acusa adversários de ameaçar a liberdade de navegação — conceito que muitos veem como hipócrita dado o histórico de intervenções dos EUA. Ao desmentir as alegações do CENTCOM, conforme reportado pelo portal RT, Teerã reafirma seu direito de proteger interesses estratégicos em sua própria região.

O desfecho dessa crise dependerá da disposição dos EUA em reconsiderar sua política de confronto e aceitar soluções coletivas propostas por atores regionais. Até que isso ocorra, cada nova troca de acusações seguirá alimentando incertezas nos mercados e mantendo o estreito de Ormuz como ponto central de disputas geopolíticas pelo controle do comércio energético global.

Com informações de RT.


Leia também: Irã contesta EUA e afirma que barcos civis foram atacados perto do Estreito de Ormuz


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