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Irã intensifica preparativos militares após nova disputa com EUA no Estreito de Ormuz

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Ilustração editorial sobre Irã intensifica preparativos militares após nova disputa com EUA no estreito de Ormuz. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro)

As forças da República Islâmica do Irã ampliam sua prontidão militar enquanto a tensão com os EUA no estreito de Ormuz volta a subir de forma acelerada. A movimentação ocorre após veículos iranianos relatarem que um navio de guerra norte-americano teria sido atingido por mísseis ao ignorar alertas próximos ao porto de Jask.

O Comando Militar dos EUA negou que qualquer embarcação tenha sido atingida, mas a narrativa de confronto ganhou força em Teerã e passou a moldar o ambiente político interno. Segundo descreveu o portal Al Jazeera, a tensão aumentou horas depois de o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas do Irã alertar que qualquer ingresso não autorizado no estreito seria combatido.

O major-general Ali Abdollahi, comandante conjunto das Forças Armadas da República Islâmica, afirmou que o país manterá a segurança de Ormuz com toda a sua capacidade operacional. A declaração respondeu diretamente ao anúncio do presidente dos EUA, Donald Trump, que prometeu escoltar navios supostamente afetados pelo conflito entre Washington, Tel Aviv e Teerã.

Enquanto as trocas de recados se intensificam, autoridades iranianas trabalham simultaneamente na frente diplomática e militar para enfrentar um impasse prolongado. O Ministério das Relações Exteriores do Irã confirmou que avalia uma nova proposta enviada por Washington por intermédio do Paquistão, embora tenha pedido uma postura que classificou como mais realista por parte da Casa Branca.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, declarou que Teerã discute apenas caminhos para encerrar totalmente a guerra iniciada em fevereiro. A posição reforça a linha iraniana de apostar no diálogo sem abrir mão da soberania, especialmente diante de pressões norte-americanas que historicamente ampliam tensões no Golfo.

Na dimensão interna, o Irã segue reconstruindo parte de sua infraestrutura militar para o caso de uma retomada de hostilidades em grande escala. Entradas de bases subterrâneas que abrigam mísseis e drones vêm sendo desobstruídas após terem sido bombardeadas anteriormente, num esforço de recomposição da capacidade estratégica.

O país também mantém em vigor um bloqueio quase total de internet, afetando dezenas de milhões de usuários e justificado por autoridades como medida de segurança durante o período de guerra. A interrupção permanece mesmo após o cessar-fogo que reduziu a intensidade dos confrontos, e sua suspensão dependerá da evolução das negociações.

Paralelamente, motorcades armados e mobilizações noturnas em cidades como Teerã reforçam o ambiente de vigilância e mobilização nacional. A atmosfera é alimentada pelo programa Jan Fadaa, descrito como uma campanha de voluntariado voltada a apoiar o esforço de defesa e que ganhou forte enaltecimento de lideranças políticas e religiosas.

A iniciativa permite inscrições com apenas um número de telefone e afirma ter ultrapassado 31 milhões de participantes, algo que equivaleria a mais de um terço da população iraniana. As autoridades iranianas rechaçaram contestações vindas do exterior e acusaram detratores de atuar contra o país em meio ao conflito.

O porta-voz do programa, Sasan Zare, declarou que mais de 60 por cento dos participantes seriam mulheres e que a maioria tem entre 20 e 45 anos. Ele também informou que a campanha deixará de ter caráter apenas simbólico e convocará seus inscritos para atividades determinadas pelo Estado.

A combinação de mobilização social, reconstrução militar e tensão diplomática projeta novos riscos sobre o estreito de Ormuz, uma das rotas estratégicas mais sensíveis do planeta. Com Washington tentando reposicionar sua presença militar e Teerã reafirmando sua defesa territorial, o desfecho das negociações poderá definir se a escalada será contida ou se uma nova fase do conflito irá emergir.


Leia também: Irã ameaça ação militar sem precedentes e petróleo dispara com risco de bloqueio em Ormuz


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