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Simulador de RCP para o espaço revela diferenças críticas no fluxo sanguíneo em gravidade reduzida

3 Comentários🗣️🔥 Pesquisadores em um avião adaptado para simular ambientes de baixa gravidade. (Foto: phys.org) Com o crescente interesse em missões tripuladas para a Lua e Marte, garantir a sobrevivência humana em emergências cardíacas a milhões de quilômetros de um hospital tornou-se um desafio científico urgente. Para enfrentar esse problema, uma equipe da Universidade Concordia, […]

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Pesquisadores em um avião adaptado para simular ambientes de baixa gravidade. (Foto: phys.org)

Com o crescente interesse em missões tripuladas para a Lua e Marte, garantir a sobrevivência humana em emergências cardíacas a milhões de quilômetros de um hospital tornou-se um desafio científico urgente.

Para enfrentar esse problema, uma equipe da Universidade Concordia, no Canadá, desenvolveu um simulador de alta fidelidade capaz de modelar o fluxo sanguíneo durante a ressuscitação cardiopulmonar em ambientes de gravidade reduzida.

O sistema é baseado em um manequim modificado equipado com um sistema cardiovascular impresso em 3D, incluindo coração, válvulas cardíacas e vasos artificiais. Um circuito preenchido com fluido análogo ao sangue completa a estrutura, permitindo que o simulador reproduza com precisão os padrões de pressão observados durante uma RCP eficaz na Terra.

Os testes confirmaram que o equipamento gera fluxo sanguíneo consistente tanto em gravidade normal quanto em hipogravidade. Também revelaram diferenças mensuráveis entre os dois ambientes: as pressões arteriais registradas em hipogravidade foram sistematicamente mais elevadas do que as obtidas em gravidade terrestre, conforme publicado na revista npj Microgravity e reportado pelo Phys.org.

Zoé Lord, autora principal do estudo e doutoranda na Queen’s University, detalhou que a pressão sistólica, a diastólica, a pressão arterial média e a pressão de pulso foram todas mais altas nas condições de hipogravidade. Esse resultado valida o simulador como ferramenta confiável para investigar a hemodinâmica espacial e aponta que o corpo humano responde de forma distinta às compressões cardíacas dependendo do campo gravitacional ao qual está submetido.

Lyes Kadem, professor do Departamento de Engenharia Mecânica, Industrial e Aeroespacial da Concordia e diretor do Laboratório de Dinâmica de Fluidos Cardiovasculares, explicou que a maioria das pesquisas sobre RCP no espaço tem se concentrado no profissional de saúde que realiza o procedimento, e não no paciente. O simulador foi concebido exatamente para preencher essa lacuna.

O sistema foi desenvolvido e testado nos laboratórios da Concordia e a bordo de um jato Falcon 20 do governo canadense, aeronave projetada para experimentos científicos em condições espaciais simuladas. Os experimentos foram conduzidos durante breves janelas de hipogravidade geradas por voos parabólicos, com o simulador automatizado fixado em uma estrutura posicionada acima do manequim para aplicar compressões precisas ao ventrículo cardíaco.

Durante os voos, sensores foram acoplados a pontos estratégicos do manequim, incluindo a artéria carótida, permitindo rastrear variações de pressão em tempo real. Christian Andrade, membro da equipe e estudante de graduação, foi responsável por coletar e interpretar esses dados diretamente sob as condições de hipogravidade a bordo da aeronave.

Lord ressalta que a versão atual do simulador é apenas a primeira de muitas iterações previstas pela equipe. O objetivo final é levar o manequim à Estação Espacial Internacional para medir o que acontece em condições reais de voo orbital, onde a microgravidade é constante e os desafios fisiológicos são ainda mais extremos.


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Marcos Conservador

05/05/2026

Mais um gasto bilionário com viagem ao espaço enquanto o Brasil tem fila de UPA. Se o coração para em gravidade zero, problema é de quem foi pra Lua. Fica na Terra, ora bolas.

    Paulo Ribeiro

    05/05/2026

    Marcos, seu comentário reproduz um equívoco que é preciso desmontar com cuidado, porque ele não é apenas um erro factual — é uma armadilha ideológica. Você coloca a pesquisa espacial como antagonista do investimento em saúde pública, como se o orçamento federal fosse um balde com um único furo: o que se gasta em ciência básica rouba o que deveria ir para o SUS. Isso é uma falsa dicotomia típica do pensamento liberal mais rasteiro, que ignora que o Estado não é uma empresa doméstica com orçamento fixo. O problema das filas nas UPAs não é a verba para pesquisa espacial; é a lógica de austeridade fiscal que, desde o golpe de 2016, engessou o investimento social com a Emenda do Teto de Gastos. Enquanto isso, bilhões são perdidos em renúncias fiscais para agronegócio e bancos, e ninguém pergunta se é justo subsidiar o lucro de quem já é rico.

    A pesquisa que você critica, sobre RCP em gravidade reduzida, não é uma aventura de turistas espaciais. É um estudo financiado por agências como a NASA e a ESA, que precisam entender como manter vivos astronautas em missões de longa duração — algo que, aliás, pode gerar conhecimento aplicável à medicina terrestre. O desenvolvimento de compressões torácicas automatizadas em condições extremas já resultou em tecnologias que melhoram o atendimento emergencial em ambulâncias e hospitais aqui na Terra. Gramsci nos ensinou que a hegemonia se constrói também pela ciência: quando um país deixa de investir em pesquisa de ponta, ele se condena a ser eternamente periferia tecnológica, dependente de patentes e equipamentos importados. O Brasil, que já teve um programa espacial promissor na década de 1960, foi desmontado justamente por esse tipo de pensamento miope.

    Você diz que “se o coração para em gravidade zero, problema é de quem foi pra Lua”. Isso é um argumento que nega a própria natureza da ciência, que é antecipar problemas. Se seguíssemos essa lógica, não teríamos vacinas porque “se a pessoa pegar pólio, problema é de quem não se isolou”. A pesquisa espacial não é um luxo para ricos; é um campo que empurra a fronteira do conhecimento e, como bem apontou Mariátegui, o desenvolvimento técnico-científico não pode ser separado das condições materiais da sociedade. A questão não é se devemos gastar com o espaço ou com a saúde. A questão é por que, numa sociedade que produz riqueza suficiente para ambos, a classe trabalhadora é sempre convocada a escolher entre migalhas enquanto os grandes capitais seguem acumulando. Talvez, em vez de atacar a pesquisa, você devesse perguntar por que o orçamento da ciência brasileira é um dos mais cortados entre os países do G20.

    Luizinho 16

    05/05/2026

    Tá, Marcos, mas se a gente só fizer pesquisa que cabe na fila da UPA, a gente nunca vai sair do lugar — e seu argumento parece mais medo de progresso do que preocupação com saúde pública.


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