Tensão no estreito de Ormuz dispara petróleo a US$ 114 e abala cessar-fogo entre EUA e Irã

Um pequeno barco patrulha próximo a um grande navio cargueiro no Estreito de Ormuz. (Foto: aljazeera.com)

Novos confrontos no Estreito de Ormuz provocaram uma alta de quase 6% no barril Brent, que atingiu o pico de US$ 114,44. O aumento reflete o temor de interrupções duradouras na principal rota de petróleo global, em meio a embates navais entre forças dos Estados Unidos e da República Islâmica do Irã.

Posteriormente, o contrato recuou para US$ 113,54. Analistas advertem que o mercado ainda embute um risco elevado de escalada militar.

June Goh, consultor sênior da Sparta, destacou que o chamado prêmio de guerra deve crescer enquanto houver chances de danos a infraestruturas e de um bloqueio total da passagem. O cenário pressiona governos e empresas a reavaliarem suas estratégias de abastecimento.

O incidente mais recente envolveu a declaração do Comando Central dos EUA de que seis embarcações iranianas foram destruídas após supostos ataques a navios mercantes. Um porta-voz das Forças Armadas do Irã, citado pela agência IRNA, refutou a narrativa, classificando as alegações norte-americanas como inverídicas.

Paralelamente, os Emirados Árabes Unidos reportaram ataques com mísseis e drones contra seu território, intensificando a instabilidade na região. A República Islâmica do Irã mantém sua postura de defesa nacional diante da crescente pressão militar americana na área.

O Estreito de Ormuz, com largura mínima navegável de cerca de 33 quilômetros em seu ponto mais estreito, é a rota por onde passa aproximadamente 20% do petróleo comercializado no mundo. Qualquer obstáculo ao tráfego impacta diretamente os preços, pressionando nações importadoras e agravando a inflação energética global.

Em resposta à crise, o presidente dos EUA, Donald Trump, lançou a operação “Project Freedom”, com a promessa de escoltar embarcações civis pelo corredor marítimo. No entanto, armadores hesitam em retomar as rotas, e apenas dois navios com bandeira norte-americana cruzaram o estreito desde o anúncio, conforme registros militares divulgados à imprensa.

Stephen Cotton, secretário-geral da Federação Internacional dos Trabalhadores em Transportes, afirmou que tripulações não podem ser forçadas a navegar sem garantias concretas de proteção. Em declaração ao portal Al Jazeera, ele exigiu um plano claro de evacuação e um compromisso explícito para assegurar a passagem segura de cargueiros.

A Organização Marítima Internacional informou que cerca de 20 mil marinheiros estão retidos em 2 mil navios parados na zona de conflito, uma situação considerada alarmante. Esse bloqueio logístico afeta não apenas combustíveis, mas também insumos estratégicos como fertilizantes e grãos.

A ONU expressou inquietação com os efeitos do bloqueio parcial na economia mundial, apontando o estreito como um ponto crítico para o fornecimento de energia e bens essenciais. Diplomatas em Nova York intensificam esforços por negociações que restaurem a navegação livre, conforme as normas do direito internacional.

Além da alta imediata nos preços, o mercado enfrenta uma redução estimada de 14,5 milhões de barris diários desde o início do conflito. A destruição de oleodutos, terminais e a presença de minas navais geram um déficit que limitará a oferta mesmo com a retomada de um cessar-fogo.

June Goh prevê que governos da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico precisarão usar reservas estratégicas para conter a escalada de preços. Relatórios apontam uma redução acelerada nesses estoques, o que tende a estimular movimentos especulativos nos mercados futuros.

Especialistas em segurança do Golfo avaliam que a violência expõe os limites de políticas baseadas apenas em força militar externa. Eles defendem que a estabilidade duradoura depende de permitir ao Irã exportar sem restrições e de suspender sanções unilaterais que aprofundam tensões regionais.

Economistas acompanham a situação com preocupação, já que cada dólar a mais no Brent encarece a importação de derivados e impacta balanças comerciais ao redor do mundo. O cenário reforça a necessidade de investir em refino doméstico e energias alternativas, estratégias centrais para a independência energética de nações soberanas, como a defendida pela Petrobras no Brasil.

Enquanto as potências trocam acusações, o barril de petróleo voltou a ultrapassar US$ 110, um patamar não visto há semanas, gerando apreensão sobre os rumos de economias dependentes de energia acessível. A instabilidade deve continuar até que um acordo sólido entre Washington e Teerã seja alcançado.


Leia também: Irã alerta que interferência dos EUA no estreito de Ormuz viola cessar-fogo


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