A China reforça seu papel como mediadora no conflito entre os Estados Unidos e o Irã, com foco na estabilidade do Estreito de Ormuz, rota crucial para o comércio global de petróleo.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, reuniu-se em Pequim com o chanceler chinês Wang Yi em um momento de tensões crescentes na região. Wang Yi destacou a necessidade de um cessar-fogo abrangente e a continuidade das negociações para evitar uma escalada.
Segundo o Al Jazeera, a China, maior importadora de petróleo iraniano, tem interesse direto na segurança do estreito. Por ali passa cerca de 20% do fluxo mundial de óleo.
As discussões ocorrem em meio a atritos entre Washington e Teerã, com os EUA pressionando Pequim a usar sua influência para reduzir as tensões no Golfo. A China, por sua vez, busca equilibrar suas críticas às ações militares americanas e israelenses contra o Irã com a defesa da estabilidade regional.
Pequim também enfrenta sanções dos EUA contra empresas chinesas acusadas de adquirir petróleo iraniano, mas resiste a essas medidas, fortalecendo laços com Teerã. Um acordo de cooperação de 25 anos, assinado em 2021, aprofundou parcerias em comércio, infraestrutura e segurança entre os dois países.
Araghchi busca apoio diplomático da China, especialmente no Conselho de Segurança da ONU. Analistas apontam que Pequim prioriza a livre circulação de mercadorias pelo Estreito de Ormuz, essencial para sua segurança energética.
Os EUA e aliados do Golfo tentam aprovar uma resolução na ONU para garantir o trânsito seguro na área, mas China e Rússia já vetaram iniciativas anteriores contra o Irã. Essa postura reflete o esforço chinês de manter um equilíbrio entre interesses econômicos e sua posição geopolítica no cenário global.
A mediação de Pequim pode fortalecer sua imagem como potência diplomática, ampliando sua influência entre os países do Golfo e além. Com o comércio de energia sob ameaça de interrupções, uma solução negociada no estreito é vista como prioridade para todas as partes envolvidas.
O diálogo entre Araghchi e Wang Yi representa um passo relevante na busca por estabilidade em uma das regiões mais estratégicas do mundo. A atuação chinesa sinaliza um esforço concreto para evitar que o conflito impacte ainda mais a economia global.
Com informações de Al Jazeera.
Leia também: Irã intensifica preparativos militares após nova disputa com EUA no Estreito de Ormuz
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