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Cientistas desvendam erro persistente em computadores quânticos

2 Comentários🗣️🔥 Ilustração editorial sobre Cientistas desvendam erro persistente em computadores quânticos. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro) Pesquisadores identificaram a origem de um erro recorrente que impacta os computadores quânticos supercondutores, mesmo com sistemas avançados de proteção. Esses equipamentos sofrem interferências de partículas de radiação ionizante vindas do espaço ou do ambiente terrestre. Elas afetam […]

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Ilustração editorial sobre Cientistas desvendam erro persistente em computadores quânticos. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro)

Pesquisadores identificaram a origem de um erro recorrente que impacta os computadores quânticos supercondutores, mesmo com sistemas avançados de proteção.

Esses equipamentos sofrem interferências de partículas de radiação ionizante vindas do espaço ou do ambiente terrestre. Elas afetam o substrato de silício dos chips e geram quasipartículas que prejudicam os qubits, unidades centrais de processamento quântico.

Para enfrentar esse desafio, cientistas criaram uma técnica chamada engenharia de lacunas. Ela estabelece uma barreira energética no material supercondutor dos qubits, dificultando a penetração de partículas em regiões críticas.

Apesar dos avanços, a solução não elimina completamente o problema. Eventos conhecidos como ‘explosões de erro’, que causam falhas simultâneas em vários qubits, ainda ocorriam sem explicação definitiva até recentemente.

Uma equipe liderada por Vladislav Kurilovich, do Google Quantum AI, na Califórnia, conduziu um estudo com o processador Willow, equipado com 72 qubits. Os pesquisadores aplicaram um protocolo de medição com leituras rápidas e repetitivas a cada poucos microssegundos, capturando os erros no exato momento em que surgem.

Os resultados, publicados na revista Physical Review X, apontaram para um novo tipo de erro correlacionado desencadeado pela radiação ionizante. Mesmo quando as quasipartículas não superam as barreiras energéticas, elas alteram a frequência dos qubits em até 3 MHz, desestabilizando a sincronização com os pulsos de micro-ondas que os controlam.

Esses erros, batizados como ‘explosões de erro de fase correlacionados’, foram identificados como a causa do limite inferior da taxa de erros lógicos observada em experimentos anteriores do Google. A descoberta esclarece um obstáculo técnico que há tempos limitava o desempenho dos sistemas quânticos em larga escala.

Além de diagnosticar o problema, a equipe propôs uma estratégia para reduzir os impactos. A solução utiliza pulsos de eco — operações de controle adicionais capazes de neutralizar os desvios indesejados de fase.

Conforme relatado pelo portal Phys.org, a descoberta não apenas soluciona um enigma técnico, mas também abre caminho para novas formas de proteção contra os efeitos da radiação em sistemas quânticos. Com o avanço da computação quântica, superar barreiras como essa será essencial para desenvolver tecnologias mais robustas e escaláveis.

O impacto da pesquisa vai além do campo acadêmico, oferecendo perspectivas concretas para a indústria tecnológica. À medida que os sistemas se tornam mais complexos, soluções como os pulsos de eco podem se tornar padrão na mitigação de erros.

A luta contra falhas em computadores quânticos reflete o desafio de dominar uma tecnologia que promete revolucionar áreas como criptografia, simulações científicas e inteligência artificial. Cada avanço como o liderado por Kurilovich aproxima o setor de um futuro em que essas máquinas operem com a precisão necessária para transformar o mundo digital.


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João Batista Alves

06/05/2026

Padre João aqui. Mais uma vez o homem querendo entender o que só Deus sabe. Esses computadores quânticos brincam de criar e destruir, mas não respeitam a criação divina. O erro persiste porque a natureza não se submete aos caprichos humanos, e a radiação cósmica é um lembrete de que não estamos no controle.

    Cristina Rocha

    06/05/2026

    Padre João, com todo respeito que tenho pela sua fé e pela sua trajetória, preciso discordar frontalmente da sua leitura. O senhor reproduz um discurso que historicamente serviu para frear o conhecimento e manter estruturas de poder intocadas. Quando Galileu apontou o telescópio para o céu e viu luas em Júpiter, a Igreja disse que ele estava “brincando com a criação divina”. Quando Darwin propôs a evolução das espécies, disseram que era um atentado contra a ordem natural. O erro persistente nos computadores quânticos não é um castigo divino nem um lembrete da nossa pequenez — é um problema técnico, material, que será resolvido com mais ciência, mais investimento público e mais cooperação internacional, não com menos.

    A radiação cósmica que o senhor invoca como prova da nossa impotência é, na verdade, exatamente o tipo de fenômeno que a física moderna estuda e quantifica. Ela não é um “lembrete” de nada, a não ser de que o universo opera por leis naturais que podemos compreender. O que me preocupa no seu argumento é a naturalização do erro como algo sagrado e intocável. Isso é profundamente reacionário. O erro na computação quântica não é um mistério divino, é um desafio concreto que envolve decoerência, ruído e limitações materiais dos qubits. Dizer que “a natureza não se submete aos caprichos humanos” é uma verdade tão óbvia quanto vazia — a questão é que a ciência não busca subjugar a natureza, mas sim compreender suas regras para agir dentro delas.

    O senhor fala em “criação e destruição” como se os cientistas fossem deuses brincando de demiurgos. Isso é uma visão profundamente masculina e hierárquica do conhecimento, que associa o fazer científico a uma hybris fáustica. Na verdade, a pesquisa quântica é um trabalho coletivo, muitas vezes financiado com dinheiro público, que envolve milhares de pessoas — muitas delas mulheres, aliás, cujo trabalho foi sistematicamente apagado pela história que o senhor representa. O erro persistente não é um sinal de que devemos parar; é um sinal de que precisamos democratizar o acesso a esse conhecimento, tirá-lo dos laboratórios corporativos e colocá-lo a serviço da sociedade. Não é Deus que está no controle, Padre João, são as relações sociais de produção. E enquanto essas relações forem patriarcais, racistas e classistas, o erro vai persistir sim — mas não por causa da radiação cósmica.


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