Menu

Irã expulsa destróier dos EUA do Estreito de Ormuz após alerta da Guarda Revolucionária

26 Comentários🗣️🔥 Ilustração editorial sobre Irã expulsa destróier dos EUA do estreito de Ormuz após alerta da Guarda Revolucionária. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro) A Armada do Corpo de Guarda Revolucionária Islâmica do Irã emitiu um alerta direto a um destróier de mísseis guiados dos Estados Unidos no estreito de Ormuz, forçando a embarcação americana […]

26 comentários
Apoie o Cafezinho
Siga-nos no Siga-nos no Google News
Ilustração editorial sobre Irã expulsa destróier dos EUA do estreito de Ormuz após alerta da Guarda Revolucionária. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro)

A Armada do Corpo de Guarda Revolucionária Islâmica do Irã emitiu um alerta direto a um destróier de mísseis guiados dos Estados Unidos no estreito de Ormuz, forçando a embarcação americana a recuar da área. O incidente foi registrado em vídeo divulgado por Teerã e ocorreu em meio à movimentação militar batizada pelo Pentágono de ‘Projeto Liberdade’.

A operação americana na região mobiliza destróieres de mísseis guiados, mais de 100 aeronaves, plataformas não tripuladas e cerca de 15 mil militares. O dispositivo é apresentado por Washington como medida de proteção à navegação, mas Teerã o classifica como provocação direta contra sua soberania territorial.

O estreito de Ormuz é o ponto de passagem mais sensível do comércio global de petróleo, escoando aproximadamente um quinto de todo o cru consumido no planeta. Qualquer atrito militar na faixa estreita entre o Irã e a península Arábica reverbera imediatamente nos mercados energéticos e nas chancelarias do mundo inteiro.

Segundo divulgou o portal RT, as imagens mostram o momento exato em que oficiais iranianos transmitem o alerta por rádio e o destróier americano executa a manobra de afastamento. O episódio reforça o padrão recorrente de aproximações tensas entre as duas marinhas na região.

A Guarda Revolucionária mantém patrulhamento permanente no Golfo Pérsico com lanchas rápidas, drones e baterias costeiras de mísseis antinavio. A doutrina iraniana é a de exercer controle territorial efetivo sobre suas águas e responder de imediato a qualquer embarcação considerada hostil que se aproxime do limite reconhecido por Teerã.

Do lado americano, a postura segue a linha tradicional de projeção de força no Oriente Médio, agora reforçada pela administração de Donald Trump, que retomou a política de ‘pressão máxima’ contra a República Islâmica. A retórica de ‘liberdade de navegação’ contrasta com a presença ostensiva de uma frota de guerra a milhares de quilômetros do território dos Estados Unidos, num exemplo clássico do duplo padrão imperial que Washington costuma vender como missão civilizatória.

Analistas militares apontam que o Irã desenvolveu nas últimas duas décadas uma estratégia assimétrica desenhada justamente para neutralizar a superioridade convencional da Marinha americana em águas confinadas. Enxames de embarcações rápidas, mísseis balísticos antinavio e drones suicidas tornariam o estreito uma armadilha potencial para qualquer porta-aviões em caso de escalada efetiva.

O episódio acontece em um momento em que as negociações sobre o programa nuclear iraniano permanecem congeladas. Teerã denuncia o aumento das sanções e da pressão militar como tentativa de sufocar sua economia, e autoridades iranianas reafirmaram que qualquer agressão direta contra o território nacional ou contra sua frota será respondida de forma proporcional e imediata.

A divulgação do vídeo cumpre também função política interna e externa para Teerã, ao demonstrar capacidade de impor recuo a uma das embarcações mais sofisticadas da Marinha dos EUA sem disparar um único tiro. Para o establishment militar iraniano, trata-se de prova de que a dissuasão construída ao longo de décadas funciona em situações reais de confronto.

A situação no estreito de Ormuz segue como uma das principais variáveis de risco da geopolítica energética mundial. Cada incidente como o registrado nas últimas horas reacende o temor de que um cálculo errado de qualquer um dos lados possa desencadear uma crise de proporções incalculáveis para o fornecimento global de petróleo.

Com informações de ACTUALIDAD.


📨 Inscreva-se na Newsletter de O Cafezinho

Receba nossas análises e as principais notícias diárias do Brasil e do Sul Global.


, ,
Apoie o Cafezinho
Siga-nos no Siga-nos no Google News

Comentários

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do site O CAFEZINHO. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie.

Escrever comentário

Escreva seu comentário

João Carvalho

06/05/2026

Pois é, mais uma vez o Irã dando show de autoridade enquanto a gente fica pagando gasolina a preço de ouro aqui. Se o Tio Sam deixar esses caras tomarem conta do Estreito de Ormuz, o petróleo dispara de vez e quem sofre é o trabalhador que depende de ônibus todo dia. Cadê a firmeza que a gente esperava? Parece que o governo tá mais preocupado em fazer média com ditadura do que defender o bolso do brasileiro.

    Pedro Silva

    06/05/2026

    Pois é, João, mas a real é que essa “firmeza” que você cobra nunca existiu pra ninguém — é sempre o mesmo teatro: os caras lá se estranhando e a gente pagando o pato aqui na bomba.

João Martins

06/05/2026

Pessoal, antes de qualquer coisa, precisamos separar o fato do teatro geopolítico. A manchete é forte: “Irã expulsa destróier dos EUA”. Mas vamos aos dados. O Estreito de Ormuz é um gargalo de 33 km de largura por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial. Qualquer incidente ali mexe com o preço do barril na hora. O que a Guarda Revolucionária fez foi um movimento tático clássico de dissuasão: emitiu um alerta, provavelmente com barcos rápidos e mísseis costeiros, e o destróier americano recuou. Isso não é “expulsão” no sentido de uma batalha naval, é um jogo de pôquer onde ambos os lados mostram as cartas. O Irã sabe que não pode vencer a Marinha dos EUA em alto-mar, mas dentro do estreito, com artilharia costeira e minas, o custo para os americanos seria altíssimo. A pergunta que fica é: qual era a missão do destróier? Patrulha de rotina ou tentativa de testar os limites iranianos pós-acordo nuclear?

O que me incomoda nesse tipo de notícia é a narrativa binária. De um lado, a mídia ocidental vai pintar como “provocação iraniana”. Do outro, sites como este vão vender como “vitória do Eixo da Resistência”. A realidade, como sempre, está no meio. Precisamos de fontes primárias: houve troca de tiros? Algum canal de navegação foi fechado? A quinta frota dos EUA emitiu algum comunicado oficial confirmando o recuo? Sem isso, o que temos é um release da Guarda Revolucionária, que tem todo interesse em inflar o feito para consumo interno. O Irã está com a economia sob sanções, o rial desvalorizado, e protestos latentes. Um “confronto” com os EUA no Golfo é uma cortina de fumaça clássica para desviar a atenção de problemas domésticos. Cético que sou, sempre desconfio de manchetes que soam heroicas demais para um lado e humilhantes demais para o outro.

Outro ponto crucial: a diferença entre a Guarda Revolucionária (IRGC) e as forças armadas regulares do Irã. A IRGC responde diretamente ao Líder Supremo, não ao governo eleito. Eles têm sua própria marinha, exército e aeronáutica. Quando a IRGC age, muitas vezes é para sabotar qualquer abertura do governo moderado (como o do ex-presidente Rouhani) com o Ocidente. Este tipo de incidente no Estreito de Ormuz historicamente aumenta o prêmio de risco do petróleo iraniano e dificulta qualquer negociação. Portanto, não podemos ignorar que a “expulsão” pode ser mais um movimento da linha dura iraniana para manter o confronto com os EUA aquecido, garantindo assim sua relevância política e orçamentária dentro do país. É um jogo de xadrez interno disfarçado de conflito externo.

Por fim, o que realmente importa para o Brasil? Muito pouco, a não ser que o preço dos combustíveis dispare. O Brasil é praticamente autossuficiente em petróleo e não depende do Estreito de Ormuz para sua matriz energética. Nosso problema é a política de preços da Petrobras atrelada ao dólar e ao Brent. Se esse tipo de notícia elevar o petróleo lá fora, a diretoria da estatal vai repassar para a bomba aqui, e o brasileiro vai pagar a conta de um teatro militar no Oriente Médio. Enquanto isso, nossos próprios problemas na Amazônia, na educação e na saúde pública ficam em segundo plano. Fica a dica: acompanhem os preços do petróleo nos próximos dias. Se subir forte, sabem o motivo. Se não subir, era só fumaça e espelho.

    Rubens O Pescador

    06/05/2026

    João, você trouxe um monte de análise geopolítica rebuscada, mas esqueceu do essencial: o povo iraniano tá sob sanção dos Estados Unidos há décadas, e o que a gente vê aqui é um país pequeno botando respeito num império que acha que manda no mundo. Lá na roça, quando o vizinho grande vem com ameaça, a gente não fica teorizando sobre xadrez interno, a gente fecha porteira e mostra que tem coragem. Esse papo de “teatro” e “cortina de fumaça” é coisa de quem nunca passou aperto de verdade — comida na mesa e dignidade não se negocia.

      Sofia García

      06/05/2026

      Rubens, fechou com tudo! Irã mandou o recado na base da coragem, sem teoria de buteco. Sanção aperta, mas dignidade não tem preço — e eles mostraram que porteira fechada também é estratégia.

        Cíntia Alves

        06/05/2026

        Sofia, coragem eles têm de sobra, mas a pergunta que fica é: até onde essa porteira fechada segura o tranco sem explodir a economia deles? Dignidade é ótima, mas estratégia que isola o país também cobra um preço alto.

Luiz Augusto

06/05/2026

Mais um exemplo de como o governo Biden expõe a fraqueza estratégica americana. Um destróier da maior potência militar do mundo recuando diante de um alerta iraniano, e a esquerda ainda acha que diplomacia unilateral funciona. Enquanto isso, o comércio global fica refém de um regime teocrático que só respeita demonstrações de força.

    Laura Silva

    06/05/2026

    Luiz Augusto, sua análise parte de uma premissa que precisa ser historicamente desmontada: a de que a “fraqueza” americana começou com Biden. Na verdade, o que vemos no Estreito de Ormuz não é um recuo tático de um governo específico, mas a consequência lógica de décadas de imperialismo estadunidense que, desde o fim da Guerra Fria, vem perdendo capacidade de impor sua vontade por meios exclusivamente militares. O destróier não recuou porque Biden é “fraco”; recuou porque o Irã, diferentemente de países submetidos a golpes ou invasões, construiu um aparato de dissuasão assimétrica que torna qualquer confronto direto no Golfo uma aposta de custo proibitivo para Washington. Você chama isso de fraqueza; eu chamo de realismo geopolítico que a direita insiste em ignorar quando não lhe convém.

    O problema central do seu argumento é a fetichização da força bruta como única linguagem que “regimes teocráticos” entenderiam. Ora, o Irã não é um ator irracional movido a misticismo; é um Estado nacional com interesses de classe bem definidos, que aprendeu nas últimas quatro décadas que a melhor defesa contra o imperialismo é tornar qualquer agressão cara demais. A Guarda Revolucionária não é uma milícia de fanáticos, mas uma instituição que integra cálculo estratégico e mobilização popular. Se o comércio global fica “refém” de Teerã, isso diz menos sobre o Irã e mais sobre a dependência estrutural do capitalismo mundial de rotas marítimas militarizadas. O problema não é o Irã defender sua soberania; é o sistema que permite que um punhado de potências decida quem controla os gargalos do comércio.

    Quanto à “diplomacia unilateral” que você critica, sugiro uma leitura mais cuidadosa da história recente. Foi a diplomacia multilateral do acordo nuclear JCPOA, costurado por Obama e abandonado por Trump, que manteve o programa iraniano sob monitoramento da AIEA por anos. O que gerou a atual escalada não foi a “fraqueza” de Biden, mas a sabotagem trumpista que rasgou um acordo funcional em nome de uma fantasia de “pressão máxima” que só fortaleceu os setores mais duros do regime iraniano. O destróier recuou porque a alternativa seria um conflito regional que ninguém, nem mesmo os aliados dos EUA no Golfo, deseja. Se a direita acha que demonstrações de força resolvem tudo, que explique por que o Iraque e o Afeganistão terminaram em retiradas humilhantes, não em vitórias.

    Por fim, Luiz Augusto, sua visão reduz o mundo a um jogo de xadrez onde apenas os EUA têm direito de definir as regras. O Irã não é um “regime teocrático” abstrato; é um país de 85 milhões de pessoas que, apesar de todas as contradições internas de sua teocracia, resistiu a sanções, golpes e ameaças de invasão. A “fraqueza” que você vê no recuo do destróier é, na verdade, a força de um sistema internacional que já não aceita mais a tutela unilateral de Washington. O que você chama de “demonstração de força” necessária, a história recente chama de aventura imperial que sempre termina em corpos e mais instabilidade. Talvez o problema não seja a suposta fraqueza americana, mas a dificuldade de aceitar que o mundo multipolar chegou e não pedirá licença.

      Silvia Ramos

      06/05/2026

      Laura, querida, você fala em realismo geopolítico, mas esquece que o Irã persegue cristãos e oprime mulheres em nome de uma teocracia que nega a liberdade que Deus deu ao homem. O problema não é o mundo multipolar, é a falta de temor a Deus que leva nações a se curvarem diante de regimes que zombam da verdade.

Zé Trovãozinho

06/05/2026

Isso aí é o que a esquerda chama de vitória? Irã expulsou nada, os EUA fizeram uma manobra tática e saíram porque quiseram. Se fosse na Venezuela já estariam chamando de invasão. Esse Cafezinho só posta fake news pra lacrar.

    Márcio Torres

    06/05/2026

    Zé Trovãozinho, sua análise padece do mesmo viés que você imputa aos outros: uma blindagem ideológica que impede enxergar o óbvio. Vamos aos fatos, já que você invocou a lógica. No dia 20 de abril de 2023, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã ordenou que um submarino nuclear americano, o USS Florida, e um destróier, o USS Paul Ignatius, submergissem e mudassem de curso ao entrar no Estreito de Ormuz. A ordem foi dada por um drone iraniano que sobrevoou os navios, e a resposta dos EUA foi recuar e evitar o confronto. Isso não é invenção de blog: foi reportado pela Reuters, pela Associated Press e pelo próprio comando central dos EUA (CENTCOM), que confirmou que os navios estavam em trânsito “de rotina” e que a ação iraniana foi “insegura e não profissional”. A diferença entre “manobra tática” e “expulsão” é semântica, não factual. Se os EUA “saíram porque quiseram”, por que não simplesmente ignoraram a ordem e seguiram? Porque a alternativa era um incidente militar de consequências imprevisíveis. O Irã demonstrou capacidade de dissuasão na prática, não em tuíte.

    Agora, sua analogia com a Venezuela é uma falácia de espantalho clássica. O que a esquerda chama de invasão na Venezuela foi a tentativa de ingerência dos EUA em 2019, com o envio de “ajuda humanitária” na fronteira e o reconhecimento de Juan Guaidó como presidente interino, sem qualquer respaldo jurídico interno. Isso não tem paralelo com o Estreito de Ormuz, onde o Irã age dentro de suas águas territoriais e com base no direito internacional – o estreito é uma via de passagem, mas o Irã tem jurisdição sobre sua zona costeira. A Guarda Revolucionária não invadiu o território americano; ela aplicou as regras de trânsito marítimo que qualquer país costeiro pode fazer. Se você acha que isso é “fake news”, sugiro consultar as gravações de radar e as comunicações de rádio entre os navios, que são de domínio público. Negar um evento documentado por múltiplas fontes não é ceticismo, é militância.

    Por fim, seu comentário sobre “lacrar” revela mais sobre você do que sobre o artigo. A expressão é usada para desqualificar qualquer informação que contrarie sua narrativa sem precisar rebatê-la com dados. O que o Cafezinho fez foi reportar um incidente geopolítico real, com fontes citadas. Se você acha que a retirada dos navios foi voluntária, precisa explicar por que os EUA não emitiram nenhum protesto formal ou sanção imediata contra o Irã pelo ocorrido – algo que fariam se acreditassem ter sido vítimas de uma violação. O silêncio do Pentágono e a linguagem cautelosa do CENTCOM indicam que eles reconhecem a legitimidade tática da ação iraniana, mesmo que a chamem de “insegura”. No xadrez geopolítico, recuar quando o oponente tem a posição mais forte não é derrota, é pragmatismo. Mas chamar isso de “vitória” ou “derrota” é simplificar relações internacionais ao nível de torcida de futebol.

      Lucas Andrade

      06/05/2026

      Márcio, sua erudição factual é admirável, mas você ainda insiste em ler o real como se ele fosse um dado bruto, não um texto. A semântica entre manobra tática e expulsão não é um detalhe menor: é a própria disputa pelo significado que constitui o poder. O Pentágono chama de inseguro, o Irã chama de dissuasão, e você escolhe um dos lados da narrativa achando que está descrevendo a verdade. No fim, o que importa não é quem recuou, mas quem detém o monopólio de definir o que é um recuo.

      Marcos Andrade Niterói

      06/05/2026

      Márcio, excelente comentário, você desmontou a falácia com dados concretos, coisa rara nesses tempos de terraplanismo geopolítico. É exatamente isso: o Irã agiu dentro do direito internacional e mostrou que dissuasão não é discurso de Twitter, é fato consumado. Enquanto isso, aqui em Niterói a gente vê o que é gestão de verdade com o Rodrigo Neves, que fez o túnel Charitas-Cafubá e briga pelo metrô subaquático, enquanto o governo estadual abandona a infraestrutura e a extrema-direita só sabe lacrar contra o que não entende.

      Ronaldo Pereira

      06/05/2026

      Márcio, você trouxe dados concretos e fontes, isso é raro num debate onde o normal é repetir bordão de patrão. O Irã mostrou que soberania não é discurso de palanque, é ação na prática, e o recuo dos EUA prova que o imperialismo não é invencível quando enfrenta resistência organizada.

Cláudio Ribeiro

06/05/2026

Mais um capítulo da farsa da “liberdade de navegação” que o imperialismo estadunidense insiste em encenar. Enquanto a mídia hegemônica trata o Irã como vilão, esquece que o estreito de Ormuz é território soberano iraniano e que a presença de um destróier com mísseis guiados a poucos quilômetros de suas costas é, na prática, um ato de provocação militar. A Guarda Revolucionária apenas exerceu o direito de autodefesa que qualquer nação teria.

    Carlos Oliveira

    06/05/2026

    Exatamente, Cláudio. Enquanto a gente aqui se mata pra pagar conta e o Estado brasileiro mal consegue garantir segurança nas fronteiras, os EUA tão lá provocando nação soberana com porta-aviões lotado de míssil. A mídia sempre do lado do imperialismo, mas o Irã só fez o que qualquer país com dignidade faria: se defender.

      Eduardo Teixeira

      06/05/2026

      Carlos, discordo. O Irã defende soberania? Ora, um país que enforca homossexual, persegue mulher e financia terrorista não tem moral pra dar lição em ninguém. E o que me irrita mesmo é ver brasileiro pagando 40% de imposto pra ver o Estado falido enquanto a mídia faz propaganda de regime teocrático.

        Carlos Henrique Silva

        06/05/2026

        Eduardo, você misturou alhos com bugalhos de um jeito que merece uma análise mais cuidadosa. A expulsão de um destróier dos EUA do Estreito de Ormuz não é um ato de “lição moral” do Irã sobre como governar sociedades; é um ato de afirmação de soberania sobre uma via navegável estratégica, em um contexto de décadas de intervenção imperialista dos EUA no Oriente Médio. Você pode discordar do regime iraniano em quase tudo — e eu mesmo tenho críticas severas à teocracia dos aiatolás, especialmente na repressão às mulheres e às minorias sexuais —, mas reduzir a geopolítica a um teste de pureza moral é um erro teórico primário. A China de Xi Jinping também prende dissidentes e oprimiu uigures, e nem por isso o Brasil deveria aceitar passivamente que a Marinha chinesa bloqueie o Porto de Santos. Soberania não é um prêmio de conduta ética; é um direito elementar de qualquer Estado, inclusive dos que consideramos autoritários. O que está em jogo ali não é a defesa do “bom mocismo”, mas a disputa material pelo controle de rotas energéticas que afetam o preço do petróleo que você paga na bomba aqui em São Paulo.

        Agora, sobre o “brasileiro pagar 40% de imposto pra ver o Estado falido”: concordo que a carga tributária é regressiva e mal aplicada, mas a culpa disso não é do Irã nem da “mídia que faz propaganda de regime teocrático”. É do nosso próprio pacto político interno, que há décas mantém um sistema onde o pobre paga proporcionalmente mais e o rico se beneficia de renúncias fiscais e juros estratosféricos. Você está canalizando sua irritação legítima com o Estado brasileiro para um bode expiatório externo, enquanto o verdadeiro problema está na correlação de forças aqui dentro: um Congresso hegemonizado pelo centrão fisiológico, um sistema tributário que nunca taxou grandes fortunas e uma mídia corporativa que, sim, faz propaganda de regimes teocráticos quando convém aos negócios — vide o silêncio cúmplice da Globo com a Arábia Saudita, que também enforca homossexuais e bombardeia iemenitas, mas é tratada como “parceiro comercial estratégico”. A hipocrisia é seletiva, Eduardo.

        Por fim, quando você diz que o Irã “não tem moral pra dar lição”, você cai na armadilha liberal de personalizar a política internacional. O Estado iraniano não é uma pessoa dando lição; é um agente geopolítico defendendo seus interesses materiais, exatamente como os EUA fazem quando invadem o Iraque ou a Arábia Saudita quando financia o wahhabismo global. A diferença é que o Irã desafia a ordem unipolar, e por isso é satanizado. Não estou pedindo para você aplaudir o enforcamento de ninguém — pelo contrário, sou crítico ferrenho disso —, mas estou pedindo para você enxergar o jogo de poder sem a lente moralista que só se aplica aos inimigos do império. Enquanto a esquerda crítica não conseguir articular uma posição que condene a teocracia iraniana sem cair no ufanismo imperialista dos EUA, vamos continuar nesse falso debate. O desafio é defender a autodeterminação dos povos sem abrir mão da crítica às opressões internas. Isso se chama dialética, e não incoerência.

João Carlos Silva

06/05/2026

Pois é, mais uma treta lá no Oriente Médio. A gente aqui preocupado com o preço da gasolina e do gás de cozinha, e esses barulho todo num lugar que passa o petróleo do mundo inteiro. Tomara que não vire guerra porque quem sofre é o bolso do trabalhador.

    Mateus Silva

    06/05/2026

    João Carlos, você tocou no ponto central: a carestia que aperta o trabalhador brasileiro é a ponta de um cabo de guerra geopolítico que começa justamente nesses estreitos. Enquanto a imprensa trata como briga de vizinhos, é a nossa dependência energética e a financeirização do petróleo que transformam cada tiro no Oriente Médio em aumento no botijão de gás da periferia.

    Eduardo C.

    06/05/2026

    João, a correlação é direta: 20% do petróleo mundial passa por ali. Cada míssil disparado em Ormuz é um centavo a mais no seu gás de cozinha.

    Fernanda Oliveira

    06/05/2026

    Pois é, João, e o pior é que essa tensão no Estreito de Ormuz mexe diretamente com o preço dos combustíveis aqui no Brasil, já que o mercado global reage na hora a qualquer barulho de guerra. Por outro lado, vale lembrar que a Petrobras tem política de preços própria e nem sempre repassa esses sustos internacionais na bomba na mesma velocidade. Ficar de olho na diplomacia e torcer para que prevaleça o diálogo é o melhor que a gente pode fazer.

Maria Silva

06/05/2026

Gente, que situação tensa! Mas vamos colocar os pés no chão: ninguém ganha com esse tipo de provocação, nem os EUA bancando os xerifes do mundo, nem o Irã com esse governo radical. O que a gente precisa é de diálogo e bom senso, não de show de força que só aumenta o risco de um conflito e no final quem sofre é o povo comum.

Luiz Carlos

06/05/2026

Pois é, mais uma prova de que o mundo tá virando um barril de pólvora. Enquanto aqui a gente paga imposto absurdo e o governo gasta mal, os caras lá fora tão mostrando força. Se bobear, a gente ainda vai sentir esse reflexo no preço do combustível.

    Marta

    06/05/2026

    Luiz Carlos, meu filho, deixa eu te contar uma coisa: esse papo de que o problema do Brasil é imposto e gasto público é a muleta que todo liberal usa pra não encarar a realidade. Você reclama do preço do combustível, mas sabe quem lucra com isso? A Petrobras, que segue a política de preços de paridade internacional que o governo Temer e o Guedes implantaram, amarrando o bolso do povo brasileiro ao humor do mercado externo. Enquanto isso, o Irã, um país que sofre sanções há décadas, tem coragem de enfrentar a marinha mais poderosa do mundo porque construiu uma indústria nacional e uma política externa soberana. Agora me diga: por que o Brasil, que tem pré-sal, refinarias e capacidade técnica, não faz o mesmo? Porque nossos governantes, de direita e de esquerda, sempre preferiram entregar o petróleo pra multinacional levar embora enquanto a gente paga o pato.

    E outra: essa história de que o mundo é um barril de pólvora é verdade, mas o estopim não é o Irã, são os Estados Unidos e seus aliados que insistem em patrulhar o Golfo Pérsico como se fosse quintal deles. O Estreito de Ormuz é uma rota estratégica, e o Irã está exercendo seu direito de defesa e soberania. Se você acha que isso é “mostrar força”, então deveria torcer para o Brasil também mostrar força e parar de ser capacho de potência estrangeira. Enquanto a gente fica discutindo se imposto é alto ou baixo, o Irã está ensinando ao mundo que país que não se curva a intimidação consegue respeito. E olha, não estou defendendo regime teocrático nenhum, mas é fato que eles têm uma política externa independente, coisa que o Brasil perdeu faz tempo.

    Quanto ao preço do combustível, Luiz Carlos, a culpa não é do Lula nem do PT, é do modelo econômico que transforma petróleo em commodity e joga o povo na mão do mercado. Enquanto você repetir esse discurso raso de “governo gasta mal”, vai continuar sendo enganado por quem lucra com a miséria alheia. O Brasil precisa de um projeto nacional de desenvolvimento, com investimento em refinarias, biocombustíveis e energia limpa, e não ficar chorando migalhas enquanto os EUA e a Arábia Saudita decidem o preço da gasolina. Então, ao invés de repetir bordão de menino mal-educado, pega um livro de geopolítica e estuda como o Irã consegue manter sua economia funcionando sob sanções. Depois a gente conversa sobre imposto e gasto público.

    Lucas Pinto

    06/05/2026

    Luiz Carlos, seu comentário reproduz exatamente o movimento ideológico que Gramsci chamaria de senso comum despolitizado: você vê um evento geopolítico — a expulsão de um destróier americano no Estreito de Ormuz — e imediatamente o traduz para a sua própria experiência de consumo, como se a história fosse um grande mercado de combustíveis. O mundo virando um barril de pólvora? Sim, mas não porque os “caras lá fora tão mostrando força”, e sim porque a ordem imperialista está em crise, e o Irã, ao desafiar a marinha dos EUA, está exercendo o que qualquer Estado soberano deveria fazer: defender seu território contra a presença militar estrangeira. O problema não é que “o mundo tá virando um barril de pólvora”, é que você está olhando pra pólvora e só enxergando o preço do querosene.

    Você reclama de imposto e gasto público como se fossem abstrações neutras, mas esquece que a Petrobras segue a política de paridade de importação — PPI — que atrela o preço interno ao dólar e ao barril internacional. Quando um destróier americano é expulso de Ormuz, o mercado futuro de petróleo sobe, e aqui no Brasil o lucro vai pros acionistas da Petrobras, não pro povo que paga o combustível. O “governo gasta mal” que você critica é o mesmo que poderia usar a soberania energética pra quebrar esse ciclo, mas prefere manter a estatal refém do capital financeiro. Enquanto você pede menos Estado, o Estado que você tem é o servo do capital — e é exatamente esse Estado que permite que uma crise no Oriente Médio vire aumento na bomba do seu carro.

    Marta já apontou a muleta do liberalismo, e ela está certa. Mas o que eu acrescento é: o discurso do “imposto é roubo” e do “governo gastador” é a forma mais eficaz de despolitizar a luta de classes. Você não pergunta quem produz o petróleo, quem lucra com ele, quem decide a política cambial. Você só sente o reflexo no bolso e acha que a solução é menos Estado — quando, na verdade, o que falta é um Estado que sirva aos interesses da maioria, não aos dos acionistas da Petrobras e do capital internacional. O Irã, com todos os seus problemas teológicos e autoritários, ao menos tem clareza de que soberania energética é condição de existência política. Nós temos PPI e discurso de barista de co-working.


Leia mais

Recentes

Recentes