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Descoberta de tigela romana em fazenda espanhola revela ligação com Muralha de Adriano

0 Comentários🗣️🔥 Tigela romana de 1.900 anos, decorada com a Muralha de Adriano, foi descoberta em fazenda espanhola. (Foto: www.smithsonianmag.com) Em uma descoberta que ecoa através dos séculos, uma tigela romana, datada de aproximadamente 1.900 anos, foi encontrada em uma fazenda em Berlanga de Duero, na Espanha. Este artefato intrigante, adornado com padrões vibrantes de […]

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Tigela romana de 1.900 anos, decorada com a Muralha de Adriano, foi descoberta em fazenda espanhola. (Foto: www.smithsonianmag.com)

Em uma descoberta que ecoa através dos séculos, uma tigela romana, datada de aproximadamente 1.900 anos, foi encontrada em uma fazenda em Berlanga de Duero, na Espanha. Este artefato intrigante, adornado com padrões vibrantes de vermelho, verde, azul e turquesa, pode ter sido um tributo à Muralha de Adriano, uma imponente fortificação erguida no norte da Inglaterra para proteger a fronteira noroeste do Império Romano.

A Muralha de Adriano, com seus 73 milhas de extensão, começou a ser construída em 122 d.C., estendendo-se do Solway Firth na costa oeste da Grã-Bretanha até o rio Tyne, próximo ao Mar do Norte. Apesar de a muralha estar localizada na Inglaterra, a tigela foi desenterrada a cerca de 1.200 milhas de distância, sugerindo que um soldado romano trouxe este souvenir consigo ao retornar para casa.

Segundo um estudo publicado na revista Britannia, a tigela pode ter sido encomendada ou comprada por um oficial do exército romano, talvez como um presente de aposentadoria. A análise de isótopos de chumbo indica que a peça foi confeccionada no norte da Grã-Bretanha, utilizando materiais locais, evidenciando a influência britânica no design do artefato.

A inscrição presente na tigela, embora parcialmente deteriorada, revela fragmentos de nomes de quatro fortes: Cilurnum, Onno, Vindobala e Condercom. Estes fortes faziam parte da linha defensiva da Muralha de Adriano, e a presença dessas inscrições sugere que a tigela servia como uma lembrança do serviço militar prestado naquela região.

Descobertas semelhantes já foram feitas anteriormente, como a famosa Rudge Cup, encontrada em 1725 perto da vila de Froxfield, na Inglaterra. Essas tigelas, conhecidas como trullae, eram características do equipamento militar romano e frequentemente exibiam nomes de fortes ou imagens da Muralha de Adriano, constituindo algumas das mais antigas representações conhecidas desta grandiosa fortificação.

O achado na Península Ibérica é particularmente significativo, pois até então, as referências em outras tigelas estavam limitadas aos fortes do setor oeste da muralha. Rob Collins, arqueólogo da Universidade de Newcastle, na Inglaterra, destaca que a descoberta da Berlanga Cup amplia a possibilidade de que tais objetos fossem produzidos para toda a extensão da muralha, abrangendo tanto o setor leste quanto o oeste.

As lembranças de destinos turísticos, ao invés de fortificações militares, eram comuns em todo o Império Romano, muitas vezes pertencendo a pessoas que não podiam visitar esses locais pessoalmente. Maggie Popkin, historiadora de arte da Universidade Case Western Reserve, observa que, assim como os turistas de hoje, os antigos romanos colecionavam réplicas de monumentos famosos e estátuas conhecidas, criando uma verdadeira indústria de souvenirs.

A tigela de Berlanga não é apenas uma peça de metal, mas também de esmaltes caros, posteriormente personalizada, indicando que não era um produto industrial. Jesús García Sánchez, arqueólogo do Instituto Arqueológico de Mérida, na Espanha, afirma que a personalização da peça sugere um valor sentimental profundo, provavelmente relacionado ao serviço militar do soldado na Muralha de Adriano.


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