O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou uma nova lei que aumenta as penas para crimes de furto e roubo de cabos de energia, dados e telefonia no Distrito Federal.
A medida busca conter a escalada desse tipo de delito. Segundo a Polícia Civil, a região registra uma média de oito casos por dia.
Entre 2024 e 2025, foram contabilizadas 5.640 ocorrências de furtos de cabos no DF. Os crimes impactaram diretamente serviços como iluminação pública e comunicação em vários bairros.
As áreas mais afetadas incluem Brasília, Ceilândia e Taguatinga, que juntas somaram 3.091 casos no período. A concentração geográfica dos delitos evidencia a necessidade de ações estruturadas.
Antes da nova legislação, a pena para furto de cabos variava de um a quatro anos de prisão. Agora, os condenados podem enfrentar de dois a oito anos de reclusão.
Para casos de roubo, a punição foi ampliada de seis a dez anos. Se o crime prejudicar serviços públicos essenciais, a pena pode chegar a 12 anos, além de multas.
No período de 2024 a 2025, a Polícia Civil realizou 315 prisões em flagrante relacionadas a esses crimes. As detenções envolveram 567 adultos e 32 menores, além de dez termos circunstanciados emitidos.
A Companhia Energética de Brasília Iluminação Pública S.A. (CEB Iluminação Pública) sofreu perdas consideráveis. Nos três primeiros meses de 2026, foram furtados 21 quilômetros de cabos, gerando prejuízo de R$ 432 mil.
Em 2025, as perdas da CEB chegaram a 96 quilômetros de cabos, com custo de R$ 1,9 milhão. A empresa adotou estratégias como o reforço de janelas de inspeção com solda e a substituição de cabos de cobre por alumínio, material menos visado no mercado ilegal.
A Neoenergia Brasília, responsável pela distribuição de energia, também enfrenta impactos severos. No primeiro trimestre de 2026, foram registradas 386 ocorrências, sendo 241 apenas no Plano Piloto, com prejuízo de R$ 100 mil.
Em 2025, a empresa contabilizou 1.108 casos, com perdas superiores a R$ 717 mil. O gerente Hudson Thiago destacou que os furtos representam risco à segurança pública e comprometem a qualidade do fornecimento de energia.
Ele também apontou a demora na reposição dos materiais furtados, o que agrava os transtornos para os moradores das áreas afetadas. Autoridades incentivam a população a denunciar atividades suspeitas pelos canais Disque 197 (Polícia Civil) e 190 (Polícia Militar).
Com a nova legislação em vigor, a expectativa é que as penas mais severas desestimulem os criminosos e protejam os serviços essenciais no DF, conforme reportado pelo G1.
Com informações de Metrópoles.
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Carlos Meirelles
06/05/2026
Mais uma lei pra inglês ver. Furto de cabo não se resolve com canetada em Brasília, se resolve com segurança patrimonial privada e cadeia produtiva que pague pelo material roubado. Enquanto o Estado não entender que o crime é custo de fazer negócio e que o contribuinte não tem que bancar ineficiência pública, vamos continuar nesse pingue-pongue de punição simbólica.
Ana Karine Xavante
06/05/2026
Carlos, você toca num ponto central quando diz que o crime é “custo de fazer negócio”. Mas a sua solução — segurança patrimonial privada e cadeia produtiva que pague pelo material roubado — me soa como mais uma camada de terceirização da responsabilidade que recai sempre sobre quem já está na ponta mais frágil. Você já parou pra pensar que a lógica do “custo de fazer negócio” é exatamente a mesma que permite que empresas de mineração, agronegócio e infraestrutura operem em territórios indígenas e quilombolas sem nenhum compromisso com a vida das comunidades? O furto de cabo não é um fenômeno isolado, ele é sintoma de um modelo que transforma tudo em mercadoria — inclusive o cobre, o alumínio, a própria terra. Enquanto a cadeia produtiva que você defende continuar tratando matéria-prima como ativo financeiro descolado do território, vai ter sempre alguém tentando extrair valor de onde puder, legal ou ilegalmente.
Você fala em “ineficiência pública” como se o Estado fosse um ente abstrato que atrapalha o mercado, mas esquece que quem banca a segurança privada que você sugere é o mesmo contribuinte que já paga imposto pra ter segurança pública — e que, na prática, as empresas de segurança privada nos bairros ricos e nos condomínios fechados só aprofundam o apartheid social. O problema não é que o Estado é ineficiente; é que ele foi desenhado pra servir a lógica que você defende. Furto de cabo em ferrovia, em linha de transmissão, em estação de trem — isso afeta diretamente o transporte público que a periferia usa, não o helicóptero do empresário. Então quando você diz que “o contribuinte não tem que bancar ineficiência pública”, eu pergunto: que contribuinte? O que depende de trem lotado todo dia ou o que tem gerador próprio e carro blindado?
A lei que endurece pena é sim paliativa, concordo com você nisso. Mas a sua alternativa — deixar que o mercado regule via segurança privada e rastreamento de cadeia — é igualmente paliativa, só que com um verniz de eficiência empresarial. O que a gente precisa é enfrentar a raiz: a desigualdade que empurra gente pro crime, a financeirização dos recursos naturais que transforma cobre e alumínio em ativos cobiçados, e a ausência de políticas públicas que garantam trabalho digno e território pra quem vive da terra. Enquanto o debate ficar entre “mais Estado penal” e “menos Estado regulador”, a gente vai continuar tratando sintoma, não doença. E quem paga o pato, como sempre, é o povo que não tem voz nem vez nas mesas onde essas decisões são tomadas.
Maria Aparecida
06/05/2026
Pois é, Rodrigo, você fala em “menos estado”, mas quem vai pagar o preço desse furto de cabo é o povo pobre que depende de trem e ônibus pra chegar no trabalho. A Bíblia já diz que a fé sem obras é morta — e obra é garantir que o transporte público funcione pra quem mais precisa. Endurecer pena sozinho não resolve, mas fingir que o problema é só “gasto público” é fechar os olhos pra injustiça estrutural que Jesus denunciou.
Rodrigo RedPill
06/05/2026
Mais uma medida paliativa desse governo que só sabe aumentar gasto público e criar lei inútil pra fingir que trabalha. Enquanto isso, o cidadão de bem que paga imposto e investe em cripto continua sendo roubado todo santo dia. Quer resolver? Menos estado, menos imposto e mais educação financeira pra esses marginalizados aprenderem a gerar valor ao invés de furtar cabo. Sad!
João Carlos da Silva
06/05/2026
Rodrigo, você reduz a questão a uma escolha individual de “gerar valor”, como se furto de cabos fosse resultado de analfabetismo financeiro e não da lógica predatória do capital que, como Gramsci já apontava, transforma necessidades básicas em mercadoria. Educação financeira sem emprego digno, moradia e transporte público de qualidade é apenas mais um discurso de responsabilização do pobre.
Sgt Bruno 🇧🇷
06/05/2026
Mais uma lei inútil desse governo pra fingir que tá fazendo algo. A real é que o crime organizado domina Brasília e o Lula só sabe criar cargo e imposto, não resolve nada na segurança. Selva!
Jeferson da Silva
06/05/2026
Sgt Bruno, com todo respeito, mas lei inútil é a reforma trabalhista que precarizou o chão de fábrica enquanto vocês batiam palma. Furto de cabo derruba linha de trem e prejudica trabalhador que depende de transporte público pra chegar na fábrica. Segurança pública se resolve com investimento, não com discurso de “selva”.
Mateus Silva
06/05/2026
Sargento, a lei é um sintoma, não a causa. O crime organizado não brota do nada: ele se alimenta da desigualdade estrutural que o Estado brasileiro, de FHC a Bolsonaro, nunca enfrentou de verdade. Endurecer pena de furto de cabo sem tocar na lógica do capital que transforma infraestrutura pública em sucata é tratar febre com aspirina enquanto o tumor cresce.