A busca por níquel, mineral crucial para tecnologias de energia limpa e produção de aço inoxidável, ameaça gravemente ecossistemas tropicais de alta biodiversidade.
Um estudo liderado pelo Dr. Jayden Hyman, da Escola de Meio Ambiente da Universidade de Queensland, na Austrália, aponta que até 2050 cerca de metade do níquel extraído no mundo pode vir de áreas prioritárias para a conservação ambiental. A pesquisa foi publicada na revista Nature Ecology & Evolution.
Grande parte dos depósitos de níquel está em solos lateríticos sob florestas tropicais, exigindo desmatamento em larga escala para sua extração. A Indonésia desponta como um dos principais centros dessa exploração, gerando poluição de águas costeiras em regiões de rica biodiversidade marinha.
Entre as áreas mais afetadas está o Triângulo de Corais, localizado no Sudeste Asiático e Pacífico Ocidental, abrangendo países como Indonésia, Filipinas e Papua Nova Guiné. A pressão sobre esses ecossistemas cresce na mesma velocidade que a demanda global por minerais estratégicos.
Os pesquisadores elaboraram um modelo para analisar diferentes cenários de mineração, considerando a demanda projetada pela Agência Internacional de Energia. O Dr. Stephen Northey, do Instituto para Futuros Sustentáveis da Universidade de Tecnologia de Sydney, destacou que o modelo estima quantas novas minas serão necessárias para atender à meta de emissões líquidas zero.
Uma das conclusões do estudo é que evitar a exploração em zonas de maior sensibilidade ambiental poderia reduzir significativamente os danos à biodiversidade. Porém, essa medida pode gerar um déficit de até 18% na oferta global de níquel até 2050, caso novas fontes não sejam encontradas ou tecnologias alternativas não sejam desenvolvidas.
Entre as soluções propostas estão o fortalecimento da reciclagem de níquel e a criação de baterias que demandem menos desse metal. Depósitos em águas profundas também são considerados uma possibilidade, embora sua viabilidade econômica e os impactos ambientais ainda exijam estudos mais aprofundados.
O Dr. Hyman reforçou a necessidade de equilibrar a demanda por níquel com a preservação ambiental, defendendo padrões de sustentabilidade mais rigorosos nas cadeias de suprimento. Ele argumenta que, mesmo com custos mais altos, valorizar produtores responsáveis é essencial para evitar que a expansão da mineração comprometa metas globais de clima e biodiversidade.
Conforme noticiado pelo portal Phys.org, a pesquisa também aponta a Indonésia como um dos maiores exportadores de níquel a baixo custo, o que tem pressionado o fechamento de minas em outros países. Esse cenário reforça a importância de um planejamento global que priorize a sustentabilidade e a proteção de ecossistemas vulneráveis.
A transição para energias limpas, embora necessária, não pode ignorar os custos ambientais de sua própria cadeia produtiva, alerta o estudo. A transparência sobre os impactos da mineração de níquel é vista como um passo crucial para mitigar danos e alinhar o setor às metas de preservação ambiental.
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