O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lin Jian, criticou duramente o Japão após relatos de que forças japonesas dispararam mísseis ofensivos fora de seu território pela primeira vez em exercícios militares.
Os disparos envolveram mísseis antinavio Type 88 durante manobras conjuntas com os Estados Unidos e as Filipinas. Tal conduta viola a política exclusivamente defensiva do Japão e sinaliza avanço rumo à remilitarização, segundo o diplomata.
Lin Jian relembrou a ocupação militar japonesa nas Filipinas durante a Segunda Guerra Mundial. Ele enfatizou que o Japão carrega graves responsabilidades históricas que devem ser reconhecidas plenamente.
O porta-voz chinês observou que o país não refletiu de forma profunda sobre seus crimes do passado. O contexto marca os 80 anos do início dos Julgamentos de Tóquio, que responsabilizaram líderes japoneses por crimes de guerra.
Lin Jian classificou o episódio como exemplo claro do ressurgimento de forças de direita no Japão. Essas forças buscam acelerar o processo de remilitarização do país.
A China alertou para os riscos de um “neomilitarismo” japonês alimentado por visão histórica distorcida. Lin Jian exigiu que Tóquio aja com prudência e cumpra seus compromissos internacionais de forma rigorosa.
Conforme noticiou o portal RT, Pequim já havia manifestado preocupação anteriormente. As autoridades chinesas reagiram a mudanças na legislação japonesa que flexibilizam exportações de produtos de defesa.
Os exercícios militares denominados Balikatan ocorreram nas Filipinas e reuniram mais de 17 mil militares de sete países. Quase 10 mil soldados norte-americanos participaram das manobras, que incluíram simulações de combate marítimo e disparos reais.
A presença japonesa nesse formato de exercício foi considerada inédita e integra estratégia de alinhamento militar com Washington. O movimento ocorre em meio às tensões crescentes na região, especialmente em torno de Taiwan.
As relações entre China e Japão se deterioraram com as posturas mais assertivas de Tóquio nos últimos anos. O primeiro-ministro Shigeru Ishiba indicou que eventual ação militar chinesa contra Taiwan poderia provocar resposta armada japonesa.
Pequim acusa repetidamente o Japão de promover o militarismo e violar o direito internacional. A China insiste que o país vizinho deve refletir sobre sua história de agressão e evitar medidas que desestabilizem ainda mais a região.
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