A Polícia Federal identificou indícios de que o senador Ciro Nogueira teria recebido pagamentos mensais de até R$ 500 mil do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. As informações aparecem na quinta fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira.
A investigação elevou a crise envolvendo o Banco Master a um novo patamar político.
Segundo documentos da PF, conversas encontradas no celular de Vorcaro mostram referências a pagamentos periódicos destinados a uma pessoa identificada como “Ciro”.
Os investigadores afirmam que a relação entre o senador e o banqueiro ultrapassava “mera amizade” ou contato político institucional.
Na decisão que autorizou a operação, o ministro do STF André Mendonça afirmou que há elementos indicando um “arranjo funcional” voltado à obtenção de benefícios mútuos entre o parlamentar e o empresário.
A PF sustenta que Ciro Nogueira teria atuado em pautas de interesse do Banco Master no Congresso.
Entre os episódios analisados está uma emenda apresentada em 2024 durante discussões sobre a autonomia financeira do Banco Central. A proposta ampliava a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por CPF, medida interpretada por integrantes do mercado como favorável ao Banco Master.
As mensagens apreendidas detalham valores.
Segundo a investigação, os pagamentos começaram em torno de R$ 300 mil mensais e depois teriam sido elevados para R$ 500 mil.
A operação também revelou suspeitas de custeio de despesas pessoais.
Diálogos interceptados mencionam pagamento de restaurantes, viagens internacionais, hospedagens de alto padrão e até disponibilização de cartões bancários ligados ao grupo investigado.
Em uma das conversas citadas pela PF, operadores discutem se deveriam continuar pagando “as contas dos restaurantes do Ciro/Flávia”.
O caso ganhou dimensão maior porque envolve um dos políticos mais influentes do Centrão.
Ciro Nogueira foi ministro da Casa Civil no governo Bolsonaro e é presidente nacional do Progressistas.
Já Daniel Vorcaro tornou-se alvo central de uma série de investigações envolvendo suspeitas de fraude financeira bilionária, lavagem de dinheiro e corrupção.
A quinta fase da operação ocorre em meio às negociações de delação premiada de Vorcaro com a PF e a Procuradoria-Geral da República. O acordo ainda está em análise e não possui valor probatório definitivo neste momento.
A defesa de Ciro Nogueira afirmou que acompanha a operação e ainda analisa o conteúdo das acusações.
O dado central não é apenas o valor da suposta “mesada”.
É o alcance político da investigação.
A Operação Compliance Zero saiu do núcleo financeiro do Banco Master.
E passou a atingir diretamente figuras centrais do poder político nacional.


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