Pesquisadores australianos empregaram DNA ambiental (eDNA) para explorar os enigmáticos cânions submarinos de Cape Range e Cloates, situados a aproximadamente 1.200 km ao norte de Perth. O estudo revelou a presença surpreendente do Architeuthis dux, a mítica lula gigante, marcando um registro inédito na costa oeste da Austrália em mais de duas décadas.
Liderada pela Dra. Georgia Nester, da Universidade da Austrália Ocidental, a equipe coletou mais de mil amostras de água em profundidades que chegaram a 4.510 metros. Por meio do eDNA, foi possível identificar 226 espécies pertencentes a 11 grupos animais principais, incluindo criaturas raras e até organismos potencialmente desconhecidos pela ciência.
Além da lula gigante, foram catalogados o tubarão-dorminhoco (Somniosus sp.), o peixe sem rosto (Typhlonus nasus) e o peixe-dente-de-gancho (Rhadinesthes decimus). O estudo, publicado na revista Environmental DNA, demonstrou como o eDNA pode revolucionar a exploração e preservação de ecossistemas marinhos profundos.
A Dra. Lisa Kirkendale, do Museu da Austrália Ocidental, destacou que este é o registro mais ao norte da Architeuthis dux no Oceano Índico oriental. Ela enfatizou a relevância de tecnologias não invasivas como o eDNA, que permitem mapear a biodiversidade sem a necessidade de capturar ou observar diretamente as espécies.
A análise também revelou a presença de mamíferos marinhos que habitam grandes profundidades, como o cachalote-pigmeu (Kogia breviceps) e a baleia-bicuda-de-cuviers (Ziphius cavirostris). Estes achados reforçam a imensidão e a complexidade ainda pouco compreendida dos habitats marinhos da Austrália.
Conforme a Dra. Nester, os resultados sublinham o quão limitado ainda é o entendimento científico sobre os ecossistemas de águas profundas. Muitas espécies detectadas não correspondem perfeitamente aos registros existentes, indicando uma biodiversidade inexplorada que expande significativamente o horizonte do conhecimento biológico.
A Dra. Zoe Richards, também da Universidade da Austrália Ocidental, salientou que o eDNA representa uma ferramenta escalável e de baixo impacto para mapear a biodiversidade dos oceanos. Ela alertou para os crescentes riscos enfrentados por esses ambientes remotos, como mudanças climáticas, pesca industrial e extração de recursos.
Richards reforçou a importância de ampliar o conhecimento para assegurar a proteção desses ecossistemas ameaçados. Segundo ela, a conservação depende diretamente da identificação de espécies e habitats, uma tarefa que o eDNA tem tornado mais acessível e precisa.
A pesquisa, realizada a bordo do navio R/V Falkor do Schmidt Ocean Institute, demonstra o potencial ainda inexplorado dos oceanos profundos. Mais informações sobre a investigação podem ser encontradas no relatório publicado.
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