A ofensiva militar dos Estados Unidos e Israel contra a República Islâmica do Irã provocou impactos econômicos significativos em todo o continente africano, criando uma divisão profunda entre países exportadores e importadores de energia.
Os preços do petróleo dispararam com as interrupções na produção e no transporte na região do Golfo. A crise no Estreito de Ormuz representa o maior choque de oferta de petróleo da história, segundo a Agência Internacional de Energia, reduzindo a produção global em 14,5 milhões de barris por dia — queda equivalente a 57 por cento.
Nações ricas em petróleo, como a Nigéria, colhem benefícios financeiros expressivos com a alta dos preços. Empresas petrolíferas nigerianas acumularam lucro adicional de US$ 4 bilhões, conforme análise da Vanguard, enquanto o barril saltou de US$ 70,14 para uma média de US$ 116,84.
Esse aumento fortaleceu as receitas de exportação e abriu espaço para novos investimentos no setor energético local. A República Democrática do Congo também se beneficia da demanda crescente por minerais estratégicos usados na reposição de equipamentos militares destruídos no Oriente Médio.
Por outro lado, os países africanos dependentes de importações de energia enfrentam graves dificuldades econômicas. No Quênia, o preço do diesel subiu 24 por cento e atingiu cerca de US$ 1,60 por litro.
Essa alta nos custos de combustíveis afetou diretamente a população. Eric Wainaina, motorista de táxi em Nairóbi, viu sua renda mensal cair 50 por cento pela redução na demanda por corridas.
O governo queniano estuda pedir empréstimo de US$ 600 milhões ao Banco Mundial para amenizar os efeitos da crise energética. A situação se agrava ainda mais por pressões fiscais e pela proximidade das eleições gerais, que elevam a necessidade de subsídios estatais para conter os preços dos combustíveis.
A África detém 12 por cento das reservas globais de petróleo, mas ainda importa mais de 70 por cento de seus combustíveis refinados. Isso expõe as economias do continente à volatilidade do mercado internacional, conforme alertou a Africa Finance Corporation, que prevê déficit de 86 milhões de toneladas de combustível até 2040 sem ampliação da capacidade de refino.
Amaka Anku, chefe da divisão africana do Eurasia Group, afirmou que os efeitos da guerra são globais. Ela considerou simplista a narrativa de que a África seria a região mais prejudicada, pois a Ásia também sofre impactos severos na cadeia de suprimentos por depender do petróleo do Golfo.
A crise acelerou os investimentos em energia renovável em vários países africanos. Países do Oriente Médio como a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos se comprometeram a investir US$ 175 bilhões em projetos de energia limpa no continente.
A China atua como o principal investidor em energia renovável na África e contribui para a diversificação das matrizes energéticas locais. O prolongamento do conflito no Oriente Médio pode reconfigurar alianças geopolíticas e estimular novas parcerias econômicas.
Ebenezer Obadare, especialista do Council on Foreign Relations, avalia que os laços econômicos entre os países africanos e os Estados Unidos devem permanecer sólidos. A busca por soluções sustentáveis e pela diversificação econômica será fundamental para o continente lidar com crises globais futuras.
Com informações de Al Jazeera.
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