A operadora nacional dinamarquesa DSB lidera um projeto pioneiro de automação completa da rede S-Bane em Copenhague, com meta de alcançar o nível GoA4 de operação totalmente sem condutor.
O diferencial do projeto é dispensar a instalação de portas ou barreiras nas plataformas. O vice-presidente executivo de estratégia e material rodante da DSB, Jürgen Müller, justificou a escolha pelos elevados custos e pela complexidade técnica de adaptar estações com até 90 anos de idade.
Para viabilizar a operação em ambiente aberto, a DSB desenvolve o sistema ODS-P de detecção de obstáculos. Esse sistema precisa lidar com cruzamentos urbanos, áreas florestais e condições climáticas extremas como neve pesada.
O projeto prevê fases de simulação operacional para validar a segurança antes da implementação real. A empresa colabora estreitamente com a Autoridade Dinamarquesa de Aviação Civil e Ferroviária para superar todos os padrões de segurança exigidos.
Um dos maiores desafios é a redução de alarmes falsos, que poderiam interromper o serviço desnecessariamente. Müller citou o caso da linha D do metrô de Lyon, na França, onde mais de 90% dos alarmes de sistemas semelhantes se revelaram falsos.
A DSB trabalha em mecanismos para identificar rapidamente a causa dos alarmes e permitir a reinicialização ágil do sistema em situações de falso positivo. Essa abordagem busca manter a confiabilidade e a pontualidade elevadas da rede.
O programa está estruturado em três contratos principais, conforme detalhado pelo portal Railway Gazette. A Siemens Mobility foi selecionada para fornecer a tecnologia GoA4, enquanto um consórcio da Siemens Mobility com a Stadler vai entregar e manter 226 trens elétricos sem condutor.
O terceiro contrato — que inclui o sistema ODS-P, câmeras de vigilância, sistemas de informação aos passageiros e botões de emergência — será licitado ainda este ano. A Siemens Mobility e a Hitachi Rail figuram entre as empresas pré-qualificadas para essa etapa.
A rede já utiliza o sistema de Controle de Trens Baseado em Comunicação, o CBTC, desde 2022. Müller ressaltou que o CBTC elevou a pontualidade para 95,6% em 2025, e a automação completa deve melhorar ainda mais a eficiência ao eliminar a variabilidade humana.
A implementação começará pela linha orbital F, que servirá como projeto piloto por sua menor complexidade. A automação completa de toda a rede está prevista para se estender por oito anos a partir de 2031.
A DSB pretende minimizar interrupções durante a transição e realocar os atuais condutores em novas funções. Os profissionais poderão atuar como supervisores a bordo ou agentes de atendimento ao cliente.
A operadora colabora com sistemas automatizados de Vancouver, Kuala Lumpur e Lyon, além de instituições como a Universidade Técnica da Dinamarca e a TU Dresden. O modelo desenvolvido deve servir de referência global para a automação eficiente de redes ferroviárias históricas.
Com informações de RAILWAYGAZETTE.
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