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Irã condena duramente ataques dos EUA a petroleiros no Estreito de Ormuz

8 Comentários🗣️🔥 O embaixador iraniano Amir-Saeid Iravani discursa em evento da ONU. (Foto: en.mehrnews.com) O embaixador e representante permanente do Irã na ONU, Amir-Saeid Iravani, denunciou os ataques dos Estados Unidos contra petroleiros iranianos nas proximidades do porto de Jask e do estreito de Ormuz. A carta enviada ao secretário-geral da organização e ao presidente […]

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O embaixador iraniano Amir-Saeid Iravani discursa em evento da ONU. (Foto: en.mehrnews.com)

O embaixador e representante permanente do Irã na ONU, Amir-Saeid Iravani, denunciou os ataques dos Estados Unidos contra petroleiros iranianos nas proximidades do porto de Jask e do estreito de Ormuz.

A carta enviada ao secretário-geral da organização e ao presidente do Conselho de Segurança, conforme reproduzida pela RT, alerta para as graves consequências que essas ações podem desencadear para a paz e a segurança internacionais.

Os ataques violam o cessar-fogo firmado em 8 de abril deste ano. Iravani destacou que essas ações também desrespeitam o Artigo 2(4) da Carta das Nações Unidas, que proíbe o uso da força contra a integridade territorial ou a independência política de qualquer Estado.

O diplomata iraniano afirmou que o presidente dos EUA, Donald Trump, reconheceu publicamente a responsabilidade por esses ataques. O Irã acusa Washington de manter um padrão contínuo de condutas ilegais na região do Golfo Pérsico.

Esse padrão envolve a imposição de um bloqueio naval, ataques a embarcações comerciais iranianas, apreensões arbitrárias e a detenção de tripulantes. Tais medidas configuram pirataria de acordo com o direito internacional e atos de agressão conforme a Resolução 3314 da Assembleia Geral da ONU.

Iravani enfatizou que essas ações, ao invés de promover a segurança marítima, a comprometem seriamente. O embaixador ressaltou que os Estados Unidos optam por militarismo e coerção quando o momento exige diplomacia e contenção.

Essa abordagem agrava as tensões na região do Golfo Pérsico e coloca em risco a estabilidade global. O representante iraniano reafirmou o direito inerente do Irã à autodefesa nos termos do Artigo 51 da Carta da ONU.

O país tomará todas as medidas necessárias para proteger sua soberania, sua integridade territorial e sua segurança nacional. Iravani conclamou o secretário-geral da ONU e o Conselho de Segurança a condenarem de forma inequívoca as ações dos Estados Unidos.

O diplomata exigiu que Washington cumpra suas obrigações legais internacionais e cesse imediatamente as provocações contra o Irã. O estreito de Ormuz segue como uma das rotas marítimas mais estratégicas para o transporte global de energia.

As tensões recentes nessa área reforçam a urgência de abordagens diplomáticas para resolver as disputas. O Irã busca que a comunidade internacional atue para preservar a legalidade e evitar novas escaladas perigosas.

Com informações de EN.


Leia também: Irã causa danos significativos a navios dos EUA após violação de cessar-fogo no Estreito de Ormuz


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Cíntia Alves

09/05/2026

Maria, é por aí mesmo. O problema é que essa briga no Estreito de Ormuz mexe com o preço do petróleo e afeta a economia global, mas ninguém pergunta pro brasileiro que paga mais caro na bomba se ele autorizou esse teatrinho geopolítico. Enquanto isso, a mídia trata o Irã como vilão e esquece que os EUA também têm histórico de violar soberania alheia quando convém. Cadê o tal do diálogo que tanto pregam?

Maria Silva

09/05/2026

Gente, que situação mais complicada. De um lado os EUA agindo como se fossem donos do mundo, do outro o Irã que também não é nenhum exemplo de conduta. O que me preocupa é que quem sempre paga o pato nessa briga de gigantes é o povo trabalhador, aqui e lá. Falta bom senso e diálogo de verdade nessa comunidade internacional.

Julia Andrade

09/05/2026

A leitura dessa thread me trouxe uma sensação curiosa de déjà-vu teórico. O Paulo e o João, cada um a seu modo, tentaram escapar do maniqueísmo “mocinho vs. vilão” que domina a cobertura mainstream, e fizeram isso com uma sofisticação que o Ricardo, infelizmente, parece não ter alcançado. Mas acho que ainda falta um elemento central nessa discussão: a dimensão racializada e colonial do direito internacional. Quando o embaixador iraniano recorre à ONU, ele está operando dentro de um sistema jurídico que foi desenhado pelas potências europeias do século XIX para administrar o que eles chamavam de “nações civilizadas”. O Irã, como país do Sul Global, precisa se vestir de terno e gravata, falar a língua do direito ocidental, para ter o mínimo de legitimidade. Enquanto isso, os EUA podem simplesmente agir, sem precisar justificar sua existência soberana perante nenhum tribunal. Isso não é cinismo geopolítico, é a estrutura mesma do colonialismo moderno.

O Ricardo, com seu discurso de “livre mercado” e “contribuinte americano”, reproduz exatamente essa lógica sem se dar conta. Ele enxerga o Estreito de Ormuz como um espaço neutro, uma “rodovia” do comércio global, quando na verdade é um dos pontos mais densamente militarizados e politizados do planeta. A ideia de que existe um “livre mercado” natural, que seria perturbado por “regimes terroristas”, é uma fantasia liberal que ignora que o próprio mercado global de petróleo foi construído sobre invasões, golpes de estado e acordos desiguais — do Irã de 1953 ao Iraque de 2003. O que os EUA chamam de “liberdade de navegação” é, na prática, a garantia de que o fluxo de energia continue servindo aos interesses de Wall Street e do Pentágono, independentemente da vontade das populações locais. O Irã, ao tentar controlar o que sai do seu próprio litoral, está exercendo um direito que qualquer nação soberana teria, mas que lhe é negado justamente por não se curvar à ordem unipolar.

A Letícia, nos comentários, tocou num ponto que me parece crucial e que gostaria de aprofundar: a performatividade da ONU. O Irã enviar uma carta ao secretário-geral é um ato de denúncia, sim, mas também é um ato de desespero institucional. O Conselho de Segurança tem cinco membros permanentes com poder de veto, e um deles é justamente o agressor. É como se um vizinho invadisse sua casa e você reclamasse na ouvidoria da imobiliária que o vizinho administra. O sistema de direito internacional pós-1945 foi pensado para evitar outra guerra mundial, não para garantir justiça entre nações desiguais. O que estamos vendo é a exaustão desse modelo: o Irã, a Rússia, a China e tantos outros países do chamado “Sul Global” já não acreditam mais que a ONU vá protegê-los. Eles usam o palco da organização para fazer propaganda política, enquanto nos bastidores buscam alianças paralelas — como o ingresso recente do Irã nos BRICS. O discurso do embaixador Iravani é, antes de tudo, um documento para a história e para a opinião pública doméstica.

Por fim, acho que precisamos tomar cuidado com um certo orientalismo invertido que às vezes aparece nessas discussões. Não se trata de defender o regime iraniano como se ele fosse um inocente cordeiro — a teocracia de Teerã tem seu próprio histórico brutal de repressão interna, especialmente contra mulheres e minorias étnicas, como as curdas e os árabes do Khuzistão. Mas a crítica ao autoritarismo iraniano não pode nos cegar para o fato de que, no tabuleiro geopolítico, o Irã está reagindo a décadas de cerco econômico e militar dos EUA. A saída de Washington do acordo nuclear em 2018, sob Trump, foi um tiro no pé que só fortaleceu os linha-dura dentro do regime. Enquanto a esquerda internacional não conseguir articular uma crítica que seja simultaneamente antimperialista e solidária com as lutas democráticas locais, vamos ficar presos nesse jogo de xadrez onde as únicas peças que importam são os petroleiros e os mísseis. O povo iraniano merece mais do que ser usado como moeda de troca entre potências.

Ricardo Menezes

09/05/2026

Mais um circo montado na ONU pra encher de retórica enquanto o contribuinte americano banca a conta. O Irã chora de vítima, mas é o mesmo regime que financia terrorista e fecha o estreito quando quer. Livre mercado de verdade não precisa de petroleiro escoltado por canhão, precisa de menos estado atrapalhando o comércio.

    Letícia Fernandes

    09/05/2026

    Ricardo, permita-me começar com uma observação que talvez lhe pareça estranha: seu comentário, embora venha de um lugar ideológico oposto ao meu, revela uma intuição correta, ainda que mal direcionada. Você identifica que há um “circo montado na ONU” e que o contribuinte americano arca com a conta. Até aí, estamos de acordo. O problema é que você interpreta esse circo como um mero excesso de Estado, quando na verdade ele é a expressão mais pura do capitalismo em seu estágio imperialista. Não é “menos Estado” que dissolverá a geopolítica do petróleo; é a própria lógica do capital que exige que o Estado burguês, especialmente o norte-americano, atue como guarda-costas armado das cadeias de suprimento energético. O livre mercado que você evoca nunca existiu — ele é uma fantasia ideológica que esconde a violência necessária para manter a circulação de mercadorias e a extração de mais-valor em escala global.

    Quando você acusa o Irã de “fechar o estreito quando quer” e de financiar “terroristas”, você repete acriticamente o léxico da propaganda do Departamento de Estado. Mas vamos aos fatos concretos: quem fecha o Estreito de Ormuz são as sanções unilaterais dos EUA, que impedem o Irã de comercializar seu petróleo livremente, e não o contrário. O regime iraniano é, sim, uma teocracia burguesa reacionária, com sua própria cota de opressão interna — e não tenho nenhuma simpatia por aiatolás que executam manifestantes e oprimem mulheres. Mas reduzir a questão a “Irã malvado versus livre mercado benigno” é um maniqueísmo que serve apenas para ocultar a estrutura de classes que sustenta ambos os lados. O petróleo não é um bem abstrato do “mercado”; é uma mercadoria estratégica cujo controle define quem vive e quem morre na periferia do capitalismo.

    Sua defesa do “livre mercado de verdade” me soa, com todo respeito, como a nostalgia de um paraíso perdido que nunca existiu. O capitalismo sempre precisou de canhões para abrir caminho para seus navios — desde as Companhias das Índias até a VII Frota dos EUA. O que estamos vendo no Estreito de Ormuz não é um desvio do livre mercado, mas sua essência: a concorrência interimperialista por recursos, disfarçada de retórica de “segurança energética” e “combate ao terrorismo”. Enquanto você pede menos Estado, o Estado burguês está ocupado garantindo que o petróleo chegue às refinarias europeias e asiáticas a um preço que não quebre a taxa de lucro das petroleiras. O contribuinte americano banca a conta, sim, mas não por acaso: ele banca porque o sistema precisa que ele banque. O dia em que o “livre mercado” existir de fato será o dia em que não houver mais petroleiros escoltados por destróieres — e esse dia só chegará quando superarmos a sociedade de classes. Até lá, o circo continua, e você, sem perceber, está na plateia aplaudindo o domador.

João Carvalho

09/05/2026

Paulo, você tocou no ponto nevrálgico. O que estamos vendo é a atualização da doutrina Monroe para o século XXI, agora travestida de “segurança energética”. Enquanto a mídia hegemônica trata o Irã como vilão de plantão, esquece de mencionar que a geopolítica do petróleo sempre foi movida a sanções e intervenções unilaterais. Resta saber se o Sul Global vai continuar assistindo passivamente a esse teatro ou se articula uma resposta à altura.

Ana Paula Conserva

09/05/2026

Mais uma vez os EUA se metendo onde não são chamados, provocando instabilidade no Oriente Médio. O Irã tem todo direito de defender seus petroleiros e sua soberania, enquanto o governo americano insiste em bancar o xerife do mundo. O Brasil deveria ficar longe dessas confusões e prezar pela paz.

    Paulo Ribeiro

    09/05/2026

    Ana Paula, sua análise toca num ponto central, mas precisamos ir além da crítica ao “xerife do mundo” para entender a lógica estrutural que move essas ações. O que estamos vendo no Estreito de Ormuz não é um mero capricho belicista de Washington, e sim a expressão concreta daquilo que Gramsci chamaria de crise de hegemonia. Os EUA, diante do declínio relativo de seu poder unipolar e da ascensão de novas potências como a China e a própria Rússia, recorrem cada vez mais à coerção militar direta para manter o controle sobre as rotas energéticas globais. O petróleo não é apenas uma commodity; é o sangue do capitalismo financeirizado, e controlar seu fluxo significa ditar os termos da acumulação para o mundo inteiro. O Irã, ao resistir, não está apenas defendendo sua soberania nacional no sentido jurídico-formal, mas desafiando a divisão internacional do trabalho imposta pelo imperialismo, algo que Mariátegui certamente compreenderia como uma luta anticolonial no século XXI.

    Sua sugestão de que o Brasil “deveria ficar longe dessas confusões” merece uma reflexão mais aprofundada à luz do materialismo histórico. O Brasil nunca esteve “longe” dessas dinâmicas; nossa posição subordinada na economia-mundo capitalista nos insere objetivamente nesse tabuleiro, queiramos ou não. Quando a Petrobras depende do pré-sal e a China é nosso maior parceiro comercial, a estabilidade do Estreito de Ormuz afeta diretamente o preço dos combustíveis, a inflação e o poder de compra do povo trabalhador brasileiro. Fingir neutralidade é, na prática, consentir com a ordem imperialista. O que precisamos, inspirados por Althusser e sua noção de aparelhos ideológicos de Estado, é de uma política externa que não apenas condene os ataques, mas que rompa com a dependência estrutural, fortalecendo alianças Sul-Sul com países como o Irã, a Rússia e a China, não como “parceiros comerciais ingênuos”, mas como polos de uma frente anti-imperialista capaz de construir uma nova hegemonia.

    Portanto, concordo com sua indignação, mas discordo do isolacionismo implícito. A paz que devemos prezar não é a paz dos cemitérios imposta pelo silêncio diante da agressão, mas a paz ativa que só se conquista com a autodeterminação dos povos e a superação da lógica predatória do capital. Condenar os ataques é o mínimo; o passo seguinte é articular, no plano concreto da política e da economia, alternativas que desmontem as bases materiais que alimentam essas guerras. O Brasil precisa de uma política externa que seja, como diria Florestan Fernandes, radicalmente democrática e soberana, e isso passa por não aceitar passivamente o papel de coadjuvante nesse teatro de operações imperialista.


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