Um relatório da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos indica que a morte do ex-presidente Juscelino Kubitschek resultou de ação da ditadura militar. O documento com mais de 5.000 páginas foi relatado pela historiadora Maria Cecília Adão e aguarda análise final dos conselheiros.
A votação do relatório foi adiada para permitir maior tempo de estudo do volumoso material pelos integrantes da CEMDP. A eventual aprovação pode levar ao reconhecimento de que a morte foi violenta, não natural e decorrente de perseguição política pelo Estado brasileiro.
A Comissão Nacional da Verdade já havia classificado a morte de Juscelino Kubitschek como morte política em 2014. O atual relatório da CEMDP aprofunda essa conclusão com novas análises e indícios coletados ao longo dos anos.
Juscelino Kubitschek morreu em 22 de agosto de 1976 em um acidente na Via Dutra, enquanto seguia em um Opala dirigido por Geraldo Ribeiro. O motorista e amigo de JK também faleceu no episódio, que a versão oficial da ditadura atribuiu a uma colisão com um ônibus.
Comissões da Verdade de São Paulo, de Minas Gerais e da cidade de São Paulo contestaram a tese oficial do acidente. Elas reuniram evidências de que não ocorreu colisão entre o ônibus e o Opala antes da perda de controle do veículo.
O inquérito do Ministério Público Federal descartou a colisão técnica com o ônibus. O procurador Paulo Sérgio Ferreira Filho apontou falhas graves nas investigações oficiais realizadas durante a ditadura militar.
Perícia do engenheiro Sergio Ejzenberg refutou a hipótese de impacto prévio pelo ônibus. O relatório aplica a teoria do “in dubio pro victima” para concluir pela autoria estatal na morte de JK.
O ex-presidente sofreu cassação de mandato após o golpe de 1964 e integrava a Frente Ampla oposicionista. O texto da CEMDP relaciona o caso à Operação Condor, que unia ditaduras sul-americanas com apoio dos Estados Unidos.
Carta do chefe da polícia secreta chilena, Manuel Contreras, ao chefe do SNI João Figueiredo identificava JK como ameaça aos regimes autoritários. Orlando Letelier, o diplomata chileno morto em Washington, figurava na mesma lista de alvos em 1976.
A aprovação do relatório pode resultar na retificação das certidões de óbito de Juscelino Kubitschek e Geraldo Ribeiro. Tal medida reconheceria oficialmente as mortes como consequência de perseguição política pela ditadura militar, segundo o portal do Ministério dos Direitos Humanos.
Com informações de DIARIODOCENTRODOMUNDO.
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