Pesquisadores da Universidade Técnica de Munique e do Helmholtz Munich desenvolveram uma técnica inovadora que permite extrair informações genéticas de células vivas sem destruí-las. O método, batizado de NTVE — Transcriptômica Não-Destrutiva via Exportação Vesicular —, supera a limitação dos processos tradicionais que exigiam a destruição das células para análise.
A nova abordagem utiliza partículas semelhantes a vírus para transportar o RNA mensageiro para fora das células intactas. Uma vez extraído, o material genético permite determinar com alta precisão quais genes estão ativos no momento exato, sem interromper os processos biológicos em andamento.
O estudo, publicado na revista Nature Communications, demonstra que os resultados obtidos com o NTVE apresentam precisão comparável aos métodos destrutivos convencionais. A técnica abre caminho para o monitoramento contínuo da diferenciação de células-tronco em cardiomiócitos e outros tipos celulares ao longo do tempo.
Os pesquisadores também poderão investigar neurônios e populações celulares mistas de forma não invasiva. Essa capacidade permite análises detalhadas da comunicação entre células, algo fundamental para compreender processos biológicos complexos em contextos como desenvolvimento e doença.
O professor Gil Westmeyer, líder da pesquisa e especialista em engenharia neurobiológica na Universidade Técnica de Munique, afirmou que a técnica representa um avanço poderoso para a pesquisa biomédica. A observação contínua da maturação e funcionalidade de células-tronco pode tornar terapias celulares futuras mais precisas e eficazes.
O método ainda facilita a preparação genética de células destinadas a implantação em tecidos e permite análises de longo prazo em organoides, tumores e suas interações. Niklas Armbrust, autor principal do estudo, e o Dr. Jeffery Truong, coautor correspondente, destacaram o potencial transformador da abordagem.
Armbrust e Truong explicaram que o NTVE pode revolucionar a terapia celular e a pesquisa de doenças graves ao permitir o estudo da intercomunicação celular em tumores. Essa compreensão mais refinada deve contribuir diretamente para o desenvolvimento de tratamentos mais eficazes contra diversas patologias.
A inovação elimina barreiras impostas pelos métodos que sacrificam as células após cada medição. O avanço permite acompanhar dinâmicas genéticas em tempo real, o que deve acelerar descobertas em medicina regenerativa e oncologia, conforme reportagem do portal Phys.org.
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