Profissionais da rede municipal de ensino de São Paulo deflagraram greve contra a precarização das escolas e a falta crônica de funcionários. O movimento também contesta mudanças propostas pela Prefeitura que os educadores consideram uma ameaça à qualidade da educação infantil especializada.
O protesto ocorre depois de tentativas frustradas de diálogo com a gestão municipal. Os trabalhadores afirmam que a Prefeitura não apresentou soluções concretas para os problemas estruturais que afetam alunos, famílias e profissionais da educação.
Entre as principais queixas estão a carência de professores, auxiliares técnicos de educação, agentes de vida escolar e inspetores. As escolas enfrentam ainda salas superlotadas, infraestrutura precária e o adoecimento crescente dos educadores, segundo o movimento Escolas em Luta.
Essas condições geram impactos negativos tanto para os trabalhadores quanto para os estudantes e suas famílias. O movimento denuncia que a falta de pessoal compromete o atendimento adequado nas unidades escolares da capital paulista.
Um dos eixos centrais da mobilização é a rejeição ao Projeto de Lei 354/2026, enviado pela Prefeitura à Câmara Municipal. O texto permite a transformação opcional do cargo de Professor de Educação Infantil em Professor de Educação Infantil e Ensino Fundamental I.
Os educadores paulistas argumentam que a mudança ameaça a formação específica dos profissionais que atuam com crianças de zero a três anos. A categoria teme que a proposta provoque sobrecarga de trabalho, perda de identidade profissional e facilite processos de terceirização.
Os professores de educação infantil possuem capacitação direcionada ao desenvolvimento infantil e a práticas pedagógicas próprias para essa faixa etária. A rejeição ao projeto une diferentes segmentos da categoria em torno da greve.
Os trabalhadores criticam ainda o reajuste salarial de 3,51% parcelado até 2027 oferecido pela Prefeitura. Eles sustentam que o percentual não repõe as perdas inflacionárias acumuladas e que a greve vai além de questões salariais.
As reivindicações incluem redução do número de crianças por sala, investimentos em infraestrutura e melhores condições de trabalho. Os educadores convocam a população a acompanhar a tramitação do PL 354/2026 e a participar das mobilizações na Câmara Municipal.
Uma audiência pública sobre o projeto está marcada para 12 de maio. A segunda votação do texto deve ocorrer em 13 de maio, segundo a agenda da Casa.
A categoria organiza ainda um abaixo-assinado contra a proposta. O objetivo é ampliar o engajamento da sociedade para barrar o que os profissionais classificam como enfraquecimento da educação pública municipal.
O movimento, que já dura mais de uma semana, enfatiza a defesa da valorização da educação pública. As críticas se dirigem à gestão do prefeito Ricardo Nunes, do MDB, pela falta de diálogo efetivo com os trabalhadores da educação.
A Prefeitura de São Paulo não apresentou posicionamento oficial sobre as denúncias até o fechamento desta reportagem. Os educadores mantêm a paralisação e prometem intensificar as ações caso o projeto avance na Câmara Municipal.
Leia mais sobre o assunto na diariodocentrodomundo.com.br.
Leia também: Ato em São Paulo denuncia uso de escola pública em filme que ataca Paulo Freire
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