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Operação resgata 37 pessoas de trabalho escravo em igreja no Maranhão

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Ilustração editorial sobre Operação resgata 37 pessoas de trabalho escravo em igreja no Maranhão. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro)

Uma operação conjunta de auditores fiscais do Ministério do Trabalho e Emprego, do Ministério Público do Trabalho e da Polícia Federal resgatou 37 pessoas mantidas em condições análogas à escravidão nas dependências da igreja Shekinah House Church, em Paço do Lumiar, na região metropolitana de São Luís.

Entre os resgatados, 17 eram pessoas com deficiência e dependentes químicos. Eles realizavam atividades como cuidado de cavalos, limpeza e preparo de alimentos.

O pastor David Gonçalves da Silva, líder da igreja e proprietário de 32 cavalos encontrados no local, foi preso pela Polícia Civil durante a operação Falso Profeta, antes do início da ação federal. Ele é acusado de liderar uma estrutura de poder baseada em manipulação religiosa, violência física e abuso sexual, com investigações iniciadas há dois anos após denúncias de fiéis.

Os trabalhadores resgatados relataram jornadas exaustivas que ultrapassavam 12 horas diárias sem remuneração. Recebiam apenas alimentação, abrigo e vestimentas em troca do trabalho.

As punições para o descumprimento de ordens incluíam castigos físicos como chicotadas e tapas, além de exposição prolongada ao sol e outras formas de violência psicológica. As condições no local eram degradantes, com água imprópria para consumo, banheiros sem divisórias e dormitórios superlotados e sem ventilação.

Crianças a partir de dez anos também foram forçadas a participar de atividades laborais como limpeza e construção civil. O pastor desencorajava a frequência escolar, alegando que a educação afastava os jovens de Deus.

Os trabalhadores que cuidavam dos cavalos não utilizavam equipamentos de proteção individual, o que os expunha a riscos sanitários. A Vigilância Sanitária interditou o sítio devido às inúmeras irregularidades encontradas.

As investigações revelaram ainda uma sistemática de exploração sexual de adolescentes do sexo masculino, abusados pelo pastor sob a justificativa de ser o “anjo da igreja”. Em troca, essas vítimas recebiam privilégios como acesso a celulares e alimentação diferenciada, usados como mecanismos de controle.

Aqueles que tentavam fugir eram rastreados e coagidos a retornar por meio de manipulação religiosa e pressão psicológica. Parte dos resgatados não se reconhece como vítima de trabalho escravo e tentou retornar ao sítio.

Esse comportamento é comum em casos de exploração por grupos religiosos, devido à relação de dependência emocional e psicológica com os abusadores — fenômeno semelhante à síndrome de Estocolmo. A legislação brasileira considera irrelevante o consentimento das vítimas para a caracterização do trabalho escravo.

A operação segue em andamento e está calculando as verbas rescisórias devidas aos trabalhadores resgatados, além de oferecer o seguro-desemprego previsto em casos de trabalho escravo. O caso evidencia a persistência de formas contemporâneas de escravidão, mesmo após 135 anos da abolição formal no país.

Desde 1995, quase 70 mil trabalhadores foram resgatados em situações semelhantes em atividades como pecuária, agricultura e construção civil. Para denúncias de trabalho escravo, o governo disponibiliza a Plataforma Ipê e o Disque 100, que permitem o registro anônimo de informações sobre casos de exploração.

Leia mais sobre o assunto na noticias.uol.com.br.


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