Pesquisadores recuperam artefatos de naufrágio mais profundo da França

Pesquisadores monitoram telas com imagens de operações subaquáticas em naufrágio na França. (Foto: unn.ua)

Nas profundezas do Mediterrâneo, pesquisadores franceses desbravaram o naufrágio mais profundo já registrado em águas territoriais do país. Trata-se de um navio mercante do século XVI, sepultado a mais de 2,4 quilômetros de profundidade próximo à costa de Ramatuelle, no sudeste da França.

A embarcação, batizada de ‘Camatat 4’, foi identificada em 2025 pela Marinha Francesa durante uma operação de pesquisa submarina. No local, arqueólogos localizaram uma vasta coleção de artefatos, incluindo seis canhões, dois caldeirões, uma âncora e centenas de peças cerâmicas dispersas pelo leito marítimo.

Dentre os itens recuperados, destacam-se pratos e jarros adornados com motivos decorativos e as iniciais ‘IHS’, um acrônimo do nome de Jesus Cristo no grego antigo. Evidências sugerem que as cerâmicas foram fabricadas na Ligúria, região do noroeste italiano, apontando para uma provável rota comercial em direção ao oeste antes da tragédia marítima.

Para desvendar os mistérios do naufrágio, os cientistas utilizaram um veículo remotamente operado (ROV), projetado para suportar pressões extremas em profundidades abissais. Durante a expedição, o ROV registrou um impressionante mosaico de 66.974 imagens, possibilitando a criação de um modelo tridimensional detalhado da embarcação e de seu entorno.

Com meticulosa precisão, os arqueólogos conseguiram resgatar três jarros e um prato do fundo do oceano. Um dos jarros, em particular, exibe elaborados padrões geométricos em azul e amarelo, refletindo o apuro artístico da época renascentista.

Entretanto, a expedição também revelou um cenário inquietante. Entre os vestígios históricos, as câmeras capturaram detritos modernos, como garrafas plásticas, redes de pesca, latas de alumínio e até restos de embalagens de iogurte, evidenciando o impacto humano no ambiente marinho.

A descoberta não só ilumina aspectos da história marítima do Mediterrâneo, mas também destaca a crescente urgência de preservar os oceanos. Segundo informações detalhadas no site da UNN, a expedição exemplifica o entrelaçamento entre ciência e conservação ambiental.

Os especialistas acreditam que o ‘Camatat 4’ ainda guarda segredos não revelados, protegidos sob camadas de sedimentos acumulados por séculos. Enquanto arqueólogos continuam a recuperar relíquias, o desafio de equilibrar a preservação do patrimônio cultural e a mitigação de danos ambientais permanece colossal.


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