Astrônomos confirmaram a existência de um gigantesco halo de rádio com 3,3 milhões de anos-luz de extensão no aglomerado de galáxias RXCJ0232–4420. A descoberta foi possível graças a observações realizadas com o Giant Metrewave Radio Telescope, na Índia, e o telescópio MeerKAT, na África do Sul.
O achado, publicado no servidor de pré-impressão arXiv, oferece novas perspectivas sobre a evolução de galáxias e a dinâmica do cosmos. Aglomerados compostos por milhares de galáxias unidas pela gravidade são frequentemente estudados para compreender a evolução cósmica.
O RXCJ0232–4420, identificado em 2002, é classificado como um aglomerado de núcleo frio e relativamente tranquilo. Ele abriga duas galáxias centrais brilhantes separadas por cerca de 330 mil anos-luz.
Estudos anteriores já haviam detectado emissões difusas de rádio em seu centro, características de um mini-halo de rádio. Novas evidências apontam para uma estrutura muito maior, semelhante a um halo gigante de rádio.
As observações revelaram que a emissão central se estende por mais de 3,3 milhões de anos-luz, confirmando a presença do halo gigante. Além disso, foi identificado um possível relic de rádio a leste, com cerca de 980 mil anos-luz de comprimento.
Essas estruturas são compostas por partículas carregadas e campos magnéticos. Sua formação está associada a processos de aceleração de partículas em larga escala, como choques e turbulências no meio intra-aglomerado.
Os dados indicam que o halo possui índice espectral de -1,17, enquanto o relic apresenta índice de -0,85. Esses valores ajudam a caracterizar a distribuição de energia das partículas.
Os mapas espectrais mostraram pouca variação nos índices ao longo do halo. Isso sugere que a aceleração das partículas ocorre de maneira uniforme em pequenas escalas.
O estudo registrou forte correlação entre o brilho de rádio e o brilho de raios-X. Tal correlação evidencia a interação entre as componentes térmica e não térmica do meio intra-aglomerado.
O RXCJ0232–4420 apresenta características morfológicas e termodinâmicas que o classificam como um sistema dinâmico intermediário. O aglomerado possui núcleo frio, mas exibe sinais de estruturas secundárias.
Essa configuração torna o sistema uma peça-chave para entender como pequenos halos de rádio podem evoluir para estruturas gigantescas. O achado oferece pistas sobre os mecanismos que regem a formação e a evolução de aglomerados de galáxias.
O estudo foi liderado por Pralay Biswas, do Centro Nacional de Astrofísica da Índia. A pesquisa reforça a importância de telescópios como o uGMRT e o MeerKAT na exploração do universo, conforme reportagem do portal Phys.org.
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