Um deslizamento de terra no fiorde Tracy Arm, no Alasca, gerou um tsunami que alcançou a altura recorde de 481 metros. O evento não provocou vítimas porque não havia embarcações na área no momento do impacto.
O colapso de uma montanha próxima despejou milhões de toneladas de rochas no fiorde. A força do impacto criou uma onda que subiu pelas paredes do fiorde, ultrapassando a altura do arranha-céu Taipei 101, em Taiwan, e devastou completamente as margens, removendo toda a vegetação e expondo as rochas subjacentes.
Especialistas do Alaska Earthquake Center apontaram que o recuo acelerado da geleira próxima contribuiu diretamente para o desastre. Nos dois meses anteriores ao evento, a geleira recuou mais de meio quilômetro, enquanto chuvas intensas aumentaram a pressão nas fissuras da montanha e aceleraram o colapso.
Milhares de pequenos tremores sísmicos foram registrados na região nos dias que antecederam o deslizamento. Esses sinais indicavam instabilidade crescente e poderiam ter servido como alerta se um sistema de monitoramento adequado estivesse em operação na área.
O estudo publicado na revista Science detalha como o fenômeno se enquadra em uma tendência observada no Ártico. Regiões como Groenlândia e Noruega também registram eventos semelhantes, impulsionados pela combinação de forças tectônicas, erosão glacial e mudanças climáticas.
O sismólogo estadual do Alasca e sua equipe do Alaska Earthquake Center destacaram a vulnerabilidade crescente dessas paisagens. Sistemas de alerta progressivo, semelhantes aos usados para avalanches e erupções vulcânicas, poderiam reduzir riscos para comunidades costeiras e operadores turísticos que exploram a região.
O fenômeno reforça a necessidade urgente de investimentos em monitoramento contínuo de áreas de alto risco. Pesquisadores argumentam que, embora tais sistemas não eliminem completamente os perigos, eles permitem que comunidades e visitantes tomem decisões informadas e salvem vidas.
O caso de Tracy Arm ilustra os desafios impostos pela instabilidade geológica acelerada no Ártico. Autoridades e cientistas defendem maior atenção a esses eventos, que se tornam mais frequentes com o avanço das mudanças climáticas.
Leia mais sobre o assunto na phys.org.
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