A nova pesquisa Futura/Apex mostra que a disputa presidencial de 2026 entrou em uma fase de equilíbrio duro entre lulismo e bolsonarismo.
No principal cenário estimulado de primeiro turno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece com 38,3% das intenções de voto, contra 36,1% do senador Flávio Bolsonaro. Como a margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, os dois estão tecnicamente empatados.
O dado é politicamente relevante porque confirma que a eleição tende a repetir a lógica de polarização nacional. Mesmo sem Jair Bolsonaro na urna, o campo bolsonarista mantém competitividade com Flávio, que aparece como herdeiro direto do capital político do ex-presidente.
A pesquisa foi realizada pela Futura Inteligência em parceria com a Apex Partners entre 4 e 8 de maio de 2026. Foram ouvidos 2 mil eleitores com 16 anos ou mais, por telefone, em 870 cidades brasileiras. O levantamento tem margem de erro de 2,2 pontos percentuais, confiança de 95% e está registrado no TSE sob o número BR-03678/2026.
Atrás dos dois principais nomes, Ciro Gomes aparece com 4,4%, empatado numericamente com Ronaldo Caiado, também com 4,4%. Romeu Zema soma 3,6%, Renan Santos tem 1,5%, Augusto Cury registra 1,4%, Cabo Daciolo aparece com 0,6% e Aldo Rebelo marca 0,1%. Brancos, nulos e indecisos somam 9,6%.
O cenário mostra uma terceira via comprimida. Nenhum nome fora da polarização consegue, neste momento, romper a barreira dos dois dígitos. Isso reforça a leitura de que a disputa presidencial segue organizada em torno de dois blocos: o campo liderado por Lula e o campo reorganizado em torno do sobrenome Bolsonaro.
Em um segundo cenário de primeiro turno, sem Ciro Gomes e Romeu Zema, a distância fica ainda menor. Lula marca 38,1%, enquanto Flávio sobe para 37,4%. A diferença cai para apenas 0,7 ponto percentual, o que aprofunda a percepção de empate real entre os dois polos.
A pesquisa espontânea também traz um sinal importante. Quando os nomes não são apresentados ao eleitor, Lula lidera com 34,9%, seguido por Flávio Bolsonaro, com 27,8%. O número de indecisos, porém, ainda é alto: 20,8%.
Esse ponto é decisivo. Lula mantém recall forte, resultado de décadas de presença nacional e de estar no exercício da Presidência. Flávio, por sua vez, mostra capacidade de transferência do bolsonarismo, mas ainda depende de consolidar sua imagem própria fora da sombra política do pai.
No segundo turno, o levantamento indica disputa apertada. Flávio aparece numericamente à frente de Lula, com 46,9% contra 44,4%. A diferença, porém, também está dentro da margem de erro, configurando empate técnico.
Contra outros nomes da direita, Lula aparece em situação mais confortável. O presidente venceria Ronaldo Caiado por 45,1% a 36,9% e Romeu Zema por 46% a 37,8%. Contra Ciro Gomes, Lula teria 41,4%, diante de 37,8% do ex-governador do Ceará.
Esses números sugerem que Flávio Bolsonaro é, hoje, o nome da direita com maior capacidade de reproduzir a polarização contra Lula. Caiado e Zema seguem competitivos, mas não alcançam o mesmo nível de tração nacional no confronto direto.
A leitura política é clara: a eleição de 2026 ainda está distante do fim, mas já tem um eixo dominante. O país não caminha, por enquanto, para uma disputa pulverizada. Caminha para uma batalha de campos consolidados, com rejeições altas, eleitorado dividido e pouco espaço para candidaturas intermediárias.
Para Lula, o alerta é evidente. O presidente aparece numericamente à frente no primeiro turno, mas enfrenta um adversário bolsonarista competitivo. Isso exige melhora na economia percebida, presença territorial, comunicação direta com a base popular e redução de desgaste entre setores médios.
Para Flávio, o desafio é outro. Ele precisa provar que consegue transformar herança política em candidatura nacional viável. Carregar o sobrenome Bolsonaro garante base fiel, mas também amplia rejeição e mantém a eleição presa ao confronto de 2022.
A pesquisa Futura/Apex não define o resultado de 2026. Mas mostra que o tabuleiro está longe de ser confortável para qualquer lado. Lula segue forte, Flávio cresceu como polo real da direita, e a terceira via continua sem força para romper o bloqueio.
A disputa, neste momento, não é apenas sobre nomes. É sobre qual projeto conseguirá falar com o eleitor que ainda oscila entre medo, memória, renda, rejeição e expectativa de futuro. E esse eleitor, como mostram os indecisos e a margem apertada, pode decidir a eleição nos detalhes.