PGR pede condenação de Eduardo Bolsonaro por coação no STF

Eduardo Bolsonaro gesticula durante pronunciamento. (Foto: metropoles.com)

O procurador-geral da República, Paulo Gonet Branco, apresentou as alegações finais no processo que tramita no Supremo Tribunal Federal contra o deputado federal Eduardo Bolsonaro, do PL de São Paulo.

Gonet solicitou a condenação do parlamentar pelo crime de coação no curso do processo, na modalidade continuada. O pedido acusa Eduardo Bolsonaro de tentar interferir em julgamentos relacionados à trama golpista que envolve seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e outros réus.

O deputado teria mantido uma postura de hostilidade continuada contra o Poder Judiciário, conforme documento protocolado pela Procuradoria-Geral da República. Entre as ações destacadas estão articulações nos Estados Unidos para pressionar autoridades brasileiras, incluindo a busca por sanções internacionais.

Essas medidas envolveram a imposição de tarifas de importação sobre produtos brasileiros, a suspensão de vistos para autoridades nacionais e a aplicação da Lei Magnitsky. Gonet enfatizou que os atos visavam criar um clima de instabilidade e temor entre os membros do Supremo Tribunal Federal.

O objetivo era projetar represálias internacionais, isolar o país no cenário global e influenciar as decisões judiciais para evitar condenações. A Procuradoria-Geral da República concluiu que a conduta do deputado extrapola os limites da liberdade de expressão.

O uso de discursos como ferramenta de coação e ameaça direta contra membros do Judiciário configura crime. A liberdade de expressão, embora essencial à democracia, não pode servir como salvo-conduto para práticas criminosas.

As ações comprometem a administração da Justiça, razão pela qual foi solicitada a condenação com fixação de valor mínimo para reparação dos danos causados. A Primeira Turma do STF aceitou a denúncia da PGR contra Eduardo Bolsonaro em novembro de 2025.

O ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, destacou que as ameaças se materializaram em ações concretas, como a busca por sanções internacionais. A aplicação da Lei Magnitsky foi citada contra autoridades brasileiras, incluindo o próprio relator, no contexto de apuração de atos antidemocráticos e tentativas de desestabilização das instituições.

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Leia também: Eduardo Bolsonaro ignora depoimento no STF e processo por coação avança para julgamento


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