Romeu Zema, ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência pelo partido Novo, tem intensificado sua estratégia para se posicionar como alternativa na direita brasileira. Aproveitando a operação da Polícia Federal que envolveu o Banco Master, Zema reforçou sua retórica antissistema, mirando tanto o eleitorado bolsonarista mais radical quanto uma possível composição como vice de Flávio Bolsonaro (PL).
Em declarações recentes, Zema criticou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o Supremo Tribunal Federal, classificando-os como “intocáveis” diante de crises como a do Master. Sem citar diretamente figuras específicas, usou termos como “políticos vendidos” e “raposas velhas” para atacar a corrupção e se diferenciar de outros nomes da direita. Segundo reportagem da Folha, o discurso de Zema busca atrair eleitores desiludidos com a política tradicional e consolidar sua imagem como outsider, mesmo após dois mandatos no governo mineiro.
O reflexo de 2022
Minas Gerais, onde Zema conquistou 56,2% dos votos válidos em 2022, é considerado um estado estratégico para qualquer candidatura presidencial. Apesar de sua força local, há ceticismo sobre a capacidade de Zema transferir votos para aliados em um cenário nacional. A aliança com Flávio Bolsonaro, que tenta moderar sua imagem para evitar rejeições associadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro, é vista como uma tentativa de equilibrar os extremos de seu discurso com a necessidade de ampliar o alcance eleitoral.
No entanto, a operação contra o Banco Master, que gerou tensões entre aliados do PP e do PL, também expõe as dificuldades de articulação no campo conservador. Parte dos aliados de Flávio avalia que Zema pode ser uma escolha arriscada como vice, dado seu tom confrontador e a dificuldade de agregar apoios em um campo já fragmentado.
A matemática das alianças
A busca de Zema por protagonismo ocorre em um momento de incerteza na direita. A operação Master abalou a credibilidade de figuras centrais do PP e colocou em xeque a viabilidade de alianças amplas com o PL. Por outro lado, Zema tenta se posicionar como um nome “limpo” e combativo, mesmo que isso signifique antagonizar figuras do próprio campo político.
Embora tenha declarado que manterá sua candidatura até o fim, a possibilidade de compor como vice de Flávio Bolsonaro ainda divide opiniões. Um dos principais argumentos a favor dessa chapa é a força de Zema em Minas, estado que foi decisivo na eleição de 2022 e que pode novamente desempenhar papel central em 2026. Ainda assim, a rejeição de parte do eleitorado bolsonarista mais moderado ao discurso radical de Zema é um fator que preocupa estrategistas.
Por que isso importa
O movimento de Zema revela as dificuldades da direita em encontrar unidade após o desgaste da era Bolsonaro. Enquanto Flávio tenta moderar o discurso para ampliar sua base, Zema aposta em uma retórica mais agressiva para capturar o eleitorado radicalizado. Essa tensão interna pode definir os rumos da oposição em 2026, especialmente em estados-chave como Minas Gerais.
Além disso, a operação Master expõe fragilidades estruturais em partidos como o PP, tradicionalmente aliados do bolsonarismo, e reforça a necessidade de renovação no campo conservador. Para Zema, o desafio será equilibrar seu discurso antissistema com a construção de alianças viáveis, sem perder o apoio do eleitorado que busca alternativas à política tradicional.
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