O governo do Zimbábue anunciou a restituição de 67 propriedades agrícolas a antigos proprietários estrangeiros expropriados durante a reforma agrária dos anos 2000.
O ministro da Agricultura apresentou a medida no Parlamento para resolver disputas históricas. O objetivo é cumprir acordos bilaterais de investimento com Dinamarca, Suíça, Alemanha e Países Baixos.
A reforma agrária promovida pelo ex-presidente Robert Mugabe confiscou milhares de fazendas de agricultores brancos e as redistribuiu para a população negra. A política foi uma resposta direta aos legados do colonialismo no país.
O presidente Emmerson Mnangagwa busca equilibrar a manutenção do legado da reforma com a atração de investimentos estrangeiros. A reestruturação da dívida externa também está no centro da agenda do governo.
O acadêmico Johan Willemse, especialista em economia agrícola, alertou que muitas propriedades tiveram infraestruturas destruídas ou abandonadas ao longo das duas décadas. Ele explicou que será necessário reconstruir as fazendas praticamente do início, o que exige aportes financeiros elevados.
A medida abrange ainda a formalização de direitos sobre mais de 800 fazendas ocupadas por zimbabuanos negros desde o período pré-colonial. Cerca de 400 agricultores brancos zimbabuanos também poderão negociar a readquirir suas antigas propriedades.
Em 2020, o governo de Mnangagwa havia prometido compensação de 3,5 bilhões de dólares aos expropriados, mas a falta de recursos impediu a execução integral do plano. Analistas consideram a iniciativa uma tentativa de melhorar as relações com países ocidentais e destravar apoio econômico externo.
O anúncio foi detalhado pelo portal RFI, que acompanhou a sessão parlamentar. Especialistas destacam que a recuperação plena da produtividade agrícola exigirá anos de investimento contínuo e coordenação entre Estado e setor privado.
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