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Zimbábue anuncia devolução de 67 fazendas a antigos proprietários estrangeiros

7 Comentários🗣️🔥 Dois homens inspecionam uma plantação no Zimbábue. (Foto: © JEKESAI NJIKIZANA / AFP) O governo do Zimbábue anunciou a restituição de 67 propriedades agrícolas a antigos proprietários estrangeiros expropriados durante a reforma agrária dos anos 2000. O ministro da Agricultura apresentou a medida no Parlamento para resolver disputas históricas. O objetivo é cumprir […]

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Dois homens inspecionam uma plantação no Zimbábue. (Foto: © JEKESAI NJIKIZANA / AFP)

O governo do Zimbábue anunciou a restituição de 67 propriedades agrícolas a antigos proprietários estrangeiros expropriados durante a reforma agrária dos anos 2000.

O ministro da Agricultura apresentou a medida no Parlamento para resolver disputas históricas. O objetivo é cumprir acordos bilaterais de investimento com Dinamarca, Suíça, Alemanha e Países Baixos.

A reforma agrária promovida pelo ex-presidente Robert Mugabe confiscou milhares de fazendas de agricultores brancos e as redistribuiu para a população negra. A política foi uma resposta direta aos legados do colonialismo no país.

O presidente Emmerson Mnangagwa busca equilibrar a manutenção do legado da reforma com a atração de investimentos estrangeiros. A reestruturação da dívida externa também está no centro da agenda do governo.

O acadêmico Johan Willemse, especialista em economia agrícola, alertou que muitas propriedades tiveram infraestruturas destruídas ou abandonadas ao longo das duas décadas. Ele explicou que será necessário reconstruir as fazendas praticamente do início, o que exige aportes financeiros elevados.

A medida abrange ainda a formalização de direitos sobre mais de 800 fazendas ocupadas por zimbabuanos negros desde o período pré-colonial. Cerca de 400 agricultores brancos zimbabuanos também poderão negociar a readquirir suas antigas propriedades.

Em 2020, o governo de Mnangagwa havia prometido compensação de 3,5 bilhões de dólares aos expropriados, mas a falta de recursos impediu a execução integral do plano. Analistas consideram a iniciativa uma tentativa de melhorar as relações com países ocidentais e destravar apoio econômico externo.

O anúncio foi detalhado pelo portal RFI, que acompanhou a sessão parlamentar. Especialistas destacam que a recuperação plena da produtividade agrícola exigirá anos de investimento contínuo e coordenação entre Estado e setor privado.


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Carlos Meirelles

11/05/2026

O Zimbábue gastou décadas quebrando a cara com essa reforma agrária ideológica e agora tem que engolir o próprio veneno. Sem segurança jurídica e respeito à propriedade privada, não tem investimento estrangeiro nem produtividade que se sustente. Enquanto isso, o Brasil segue firme no rumo oposto, patrocinando invasão de terra e achando que função social é desculpa para confisco. A conta sempre chega.

    Carlos Henrique Silva

    11/05/2026

    Carlos Meirelles, é curioso como a sua narrativa trata a reforma agrária zimbabuana como um experimento ideológico fracassado, mas silencia sobre o que a precedeu: um século de espoliação colonial que alienou 70% das terras aráveis para uma minoria branca que nunca representou mais de 5% da população. Quando Mugabe iniciou a redistribuição nos anos 2000, não foi um capricho socialista, foi a consequência inevitável de uma promessa de independência não cumprida. O que você chama de “segurança jurídica” era, na prática, a segurança do latifúndio racialmente constituído. O problema não foi a reforma em si, mas as condições em que ela ocorreu: um país isolado diplomaticamente, sufocado por sanções ocidentais, e sem acesso a crédito internacional para capitalizar os novos assentados. A queda na produtividade não prova que reforma agrária não funciona; prova que ela precisa vir acompanhada de Estado forte, crédito rural e assistência técnica — exatamente o oposto do que o FMI e o Banco Mundial prescrevem para a África.

    Sua afirmação de que o Zimbábue “engoliu o próprio veneno” ignora que a atual devolução de fazendas não é uma correção de rota liberal, mas um movimento tático de um Estado que, após o golpe de 2017 contra Mugabe, tenta renegociar os termos da sua reinserção no capitalismo global. A propriedade privada, como Gramsci nos ensina, nunca é um dado natural — é uma relação de poder estabilizada pela hegemonia de classe. O que vemos no Zimbábue não é a vitória da “realidade” sobre a “ideologia”, mas a reconfiguração de uma elite política que descobriu que, sem capital estrangeiro e diante de uma crise econômica profunda, precisa ceder terreno para evitar o colapso total. Isso não valida o discurso da segurança jurídica como princípio universal; apenas mostra que, numa correlação de forças desfavorável, o capital sempre encontra meios de reafirmar sua primazia.

    Quanto ao Brasil, a comparação é forçada. Aqui nunca tivemos reforma agrária digna do nome — tivemos assentamentos precários, crédito insuficiente e um Judiciário que criminaliza o MST enquanto convalida grilagem histórica. O que você chama de “invasão de terra” é a resposta de quem não tem acesso à terra por meio legal, num país onde o índice de Gini fundiário beira o apartheid. A conta que chega para o Zimbábue não chegará para o Brasil pelos mesmos motivos: nosso latifúndio nunca foi desafiado de fato, e o agronegócio mantém hegemonia cultural e política. Mas daí a concluir que propriedade privada sem função social é sagrada vai um passo que a Constituição de 88, aliás, não dá. O que o Zimbábue nos ensina não é que reforma agrária é erro, mas que ela precisa ser feita com planejamento, soberania e, principalmente, com poder popular organizado — não com canetaço de ministro nem com farda. O resto é ideologia travestida de pragmatismo.

Célia Carmo

11/05/2026

Devolver terra pra gringo enquanto o povo passa fome? #PiadaDeMauGosto. Reforma agrária de verdade é com o povo no poder, não com canetaço de ministro vendido!

Maria Antonia

11/05/2026

Pois é, o Zimbábue passou décadas pagando o preço de uma reforma agrária feita na base do canetaço e da violência. No fim, a realidade bateu: sem segurança jurídica, não tem investimento estrangeiro nem produtividade que sustente. Aqui no Brasil a turma ainda acha que invadir terra e esperar o governo dar é solução, quando na verdade o único resultado certo é empobrecer o país e afastar quem realmente produz.

    João Carlos da Silva

    11/05/2026

    Maria Antonia, você reduz a questão a segurança jurídica para o capital estrangeiro, mas esquece que a violência fundiária no Zimbábue começou com a espoliação colonial, não com a reforma agrária. O problema não é a ausência de segurança para investidores, mas a recusa em debater a função social da terra — conceito que, se levado a sério, desmonta a ideia de que “quem realmente produz” é sempre o grande proprietário.

Capitão Tavares 🇧🇷

11/05/2026

Enquanto isso, no Brasil, entregam o país de bandeja para invasores e o STF prende patriota que defende a propriedade privada. Cadê a nossa intervenção federal que limpa essa bagunça de uma vez? Exército brasileiro precisava dar uma facada certeira nesse aparelhamento todo.

    Ronaldo Pereira

    11/05/2026

    Intervenção militar pra entregar terra de volta pra grileiro estrangeiro? Isso não é patriota, é capacho do latifúndio. Aqui na fábrica a gente sabe: propriedade privada sem função social é roubo, e o Zimbábue mostrou que luta de classes não se resolve com farda, mas com povo organizado.


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