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Irã muda a ordem mundial e deixa Trump enfurecido, analisam Richard Wolff e Michael Hudson

Richard Wolff e Michael Hudson analisam os desdobramentos das negociações EUA-Irã, o papel de Trump e a nova ordem mundial que enfraquece o domínio america

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As negociações entre Estados Unidos e Irã, realizadas na Suíça com mediação do Paquistão e do Catar, marcaram uma virada na geopolítica do Oriente Médio. Durante o encontro, uma enorme explosão em instalações petrolíferas do Catar e reuniões paralelas de chanceleres da Arábia Saudita, Turquia, Paquistão e Egito no Cairo expuseram a complexidade regional. Donald Trump, por sua vez, anunciou um acordo de paz histórico para encerrar o conflito no Estreito de Ormuz, destacando o fluxo recorde de 19 milhões de barris de petróleo em um único dia e assegurando que o Irã nunca terá uma arma nuclear. Para os analistas Richard Wolff e Michael Hudson, a retórica presidencial merece ceticismo.

Richard Wolff apelidou o presidente de “Taco Trump”, sugerindo que ele sempre recua e cria narrativas convenientes, independentemente da verdade. “Ele diz o que é útil naquele momento, sem se importar com a consistência”, afirmou Wolff, lembrando que frequentemente o próprio secretário de Estado ou o vice-presidente desmentem as declarações do mandatário. O economista destacou que o fluxo de petróleo citado por Trump não corresponde à realidade pré-guerra e que o anúncio é mais um espetáculo do que um acordo sólido. Wolff também alertou para a pressão de Israel e seus aliados internos nos EUA, como AIPAC, para reverter qualquer aproximação com o Irã.

Michael Hudson acrescentou que as palavras de Trump visam manipular os mercados financeiros e o eleitorado. “O que ele mais quer é enriquecer a si mesmo e a sua família, além de garantir lealdade entre os membros do gabinete”, disse Hudson. Segundo ele, a estratégia é inflar artificialmente os preços das ações e títulos antes de mudar o discurso, permitindo ganhos de curto prazo para grandes investidores. Hudson sublinhou que o petróleo que atravessa o Estreito de Ormuz é majoritariamente iraniano, destinado à China, e que a suposta solução da questão nuclear é uma cortina de fumaça para adiar o reconhecimento da derrota dos EUA na guerra contra o Irã.

Os dois entrevistados também analisaram a crise econômica que se desenha nos Estados Unidos. Wolff citou um relatório da Moody’s Analytics que calcula em 132 bilhões de dólares o custo da guerra no Irã para os contribuintes americanos e estima em 49% a probabilidade de recessão em um ano. Hudson foi mais contundente: “A chance é de 100%, já estamos em recessão desde o governo Obama”. Ele lembrou que 40% da população não tem poupança e que o aumento dos preços do petróleo elevará os custos de transporte, fertilizantes e alimentos, agravando as tensões sociais.

O cenário político interno dos EUA também foi abordado. Wolff destacou a vitória de candidatos socialistas em Nova York, como Zoran Mamdani, com ampla margem, sinalizando um deslocamento à esquerda impulsionado pela oposição à guerra e ao papel de Israel. “Há uma pressão tremenda para encerrar a guerra do Irã, mas ainda é prematuro afirmar que Trump prevalecerá”, ponderou Wolff. Hudson apontou que a maioria dos americanos sempre foi contra o conflito e que o governo tenta manipular a opinião pública com discursos otimistas enquanto se aproxima uma crise de abastecimento de petróleo.

Sobre a reconfiguração regional, ambos ressaltaram que países como Arábia Saudita, Egito e Paquistão buscam uma arquitetura de segurança autônoma, livre das bases militares americanas. Segundo Wolff, os aliados dos EUA perceberam que as bases se tornaram alvos dos mísseis iranianos e que o país já não é um parceiro confiável, seja por suas tarifas comerciais ou pela manipulação do dólar. Hudson alertou que a alternativa é uma solidariedade islâmica que supere a divisão entre sunitas e xiitas, e destacou o papel dúbio dos Emirados Árabes Unidos, descritos como “coringa e patrocinador do terrorismo regional”, em contraste com o novo pragmatismo de Riad.

A entrevista concluiu com um alerta sobre a Europa, cuja economia definha após a decisão de confiscar ativos russos, provando ao mundo que nenhum país deve manter reservas no continente. “O custo da guerra, a perda de confiança dos investidores e a aproximação do colapso financeiro vão acelerar o declínio da hegemonia americana”, resumiu Wolff. Para Hudson, a crise do petróleo forçará os países a criar novas instituições econômicas para evitar serem vítimas colaterais das aventuras militares dos EUA e de Israel.

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