Ataque do ADF mata nove civis e sequestra dez no Leste da RDC

Homem caminha por estrada de terra em área rural da República Democrática do Congo. (Foto: © JOHN WESSELS / AFP)

Um ataque atribuído às Forças Democráticas Aliadas (ADF) deixou pelo menos nove civis mortos e cerca de dez pessoas sequestradas na localidade de Makumo, no território de Mambasa, província de Ituri, no leste da República Democrática do Congo.

Os agressores invadiram a área no início da noite de domingo, executaram moradores e incendiaram residências e veículos. Em seguida, deixaram o local levando os reféns consigo.

A população permanece traumatizada e evita retornar ao trabalho nos campos agrícolas próximos. O representante da sociedade civil de Mambasa, John Muleveryo, cobrou medidas imediatas das autoridades.

Muleveryo apelou diretamente às Forças Armadas da RDC e ao governo nacional para que protejam os civis de forma efetiva na região. Ele afirmou que o sangue já foi derramado em Makumo, Biakato e outros vilarejos, e que a população exige paz e segurança.

Os ataques do ADF haviam registrado redução ao longo de 2025, mas intensificaram-se novamente desde o início de 2026. O grupo mantém aliança declarada com o Estado Islâmico e acumula histórico de atrocidades na província de Ituri.

A ausência de resposta efetiva tanto do governo congolês quanto de atores internacionais aprofunda a crise humanitária que assola a região há anos. Múltiplos grupos armados disputam controle territorial e geram ondas sucessivas de deslocamentos forçados.

Conforme reportado pelo portal RFI, o caso expõe os limites da presença estatal em áreas remotas do leste. O posicionamento de Muleveryo reflete o cansaço de comunidades que convivem diariamente com o risco de novas investidas.

As Forças Armadas da RDC enfrentam desafios logísticos para cobrir vastas zonas de selva onde operam os insurgentes. Especialistas destacam que operações isoladas não bastam sem inteligência e coordenação mais amplas.

A escalada de violência em Ituri compromete qualquer perspectiva de estabilização econômica ou social no curto prazo. Moradores de Makumo e vilarejos vizinhos relatam paralisia nas atividades rotineiras por receio de repetições.


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