A Índia recebe nesta quinta e sexta-feira, 14 e 15 de maio, a reunião de chanceleres do BRICS em Nova Delhi, encontro que serve de preparação para a cúpula de líderes prevista para setembro.
O encontro será presidido pelo ministro das Relações Exteriores da Índia, S. Jaishankar, e reúne representantes de um bloco que concentra hoje mais da metade da população mundial e parcela crescente do PIB global.
O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, confirmou presença e viajará a Nova Delhi para participar das discussões multilaterais. Além da reunião do BRICS, Lavrov conduzirá conversas bilaterais com Jaishankar e outros membros do governo indiano, incluindo tratativas sobre a visita do presidente russo Vladimir Putin à Índia para a cúpula de setembro.
A ausência mais notada será a do chanceler chinês Wang Yi, que não comparecerá ao encontro por conflitos de agenda. O motivo é a visita do presidente dos EUA, Donald Trump, à China, prevista para ocorrer entre os dias 13 e 15 de maio — a primeira em quase nove anos. A coincidência de datas entre dois eventos de tamanha magnitude geopolítica não passou despercebida nos círculos diplomáticos.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, confirmou presença, segundo o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano. A participação iraniana carrega peso especial diante do contexto regional de escalada de tensões no Oriente Médio, que envolve tanto a situação em Gaza quanto as crescentes fricções entre Teerã e potências ocidentais.
A situação na Palestina também estará formalmente na pauta. Segundo o portal RT, fontes próximas às negociações indicam que a maioria dos membros do bloco é contrária a suavizar a linguagem do grupo sobre Gaza, onde organizações internacionais de direitos humanos documentam um número crescente de vítimas civis decorrentes das operações militares israelenses. As tensões envolvendo Irã e Emirados Árabes Unidos — ambos membros do BRICS — também prometem dominar parte significativa dos debates.
A Índia, anfitriã e presidente rotativa do BRICS em 2026, tem buscado manter uma postura de equilíbrio dentro do bloco, resistindo às pressões ocidentais tanto no que diz respeito às importações de energia russa quanto ao conflito na Ucrânia. Nova Delhi consolida, com este encontro, seu papel de articuladora central num momento em que o mundo multipolar exige interlocutores capazes de dialogar com todos os polos de poder simultaneamente.
Os chanceleres deverão delinear os elementos centrais dos documentos finais que serão levados à cúpula de setembro, quando os líderes do bloco se reunirão sob a presidência indiana. A última reunião de chanceleres do BRICS havia ocorrido às margens da 80ª sessão da Assembleia Geral da ONU, em setembro de 2025, ainda sob a presidência brasileira do grupo.
O encontro de Nova Delhi acontece num momento em que o BRICS ampliado enfrenta o desafio de coordenar posições entre membros com interesses por vezes divergentes. O eixo Washington-Tel Aviv aprofunda sua presença militar no Oriente Médio e pressiona aliados a se alinharem. A capacidade do bloco de emitir uma voz coletiva sobre Gaza e sobre as tensões regionais será o principal teste político desta rodada diplomática.
Com informações de RT.
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