O aumento significativo das temperaturas da superfície dos oceanos em abril acendeu um alerta entre cientistas climáticos ao redor do mundo.
Dados recentes mostram que o mês registrou a segunda temperatura oceânica mais alta para um abril já documentada. O sinal aponta para a iminente chegada de um evento El Niño que pode figurar entre os mais intensos do século.
Segundo o portal Live Science, há uma chance de 25% de que um ‘super’ El Niño se desenvolva ainda em 2026. O fenômeno é caracterizado por aquecimento excepcional acima de 2 °C na região tropical do Oceano Pacífico.
A última ocorrência de um El Niño significativo foi entre 2023 e 2024, período que marcou o ano mais quente já registrado. Durante esse intervalo, a média global de temperatura chegou a superar 1,5 °C acima dos níveis pré-industriais — o limiar que o Acordo de Paris busca evitar que se torne permanente.
O El Niño é uma fase do ciclo climático conhecido como Oscilação Sul-El Niño (ENSO), que alterna entre períodos de aquecimento e resfriamento das águas do Pacífico tropical. Potencializado pelas mudanças climáticas de origem humana, o fenômeno pode provocar secas severas, incêndios florestais, branqueamento em massa de corais e colapso em cadeias pesqueiras de importância global.
A estrategista climática do Serviço de Mudança Climática Copernicus da União Europeia, Samantha Burgess, destacou que abril de 2026 trouxe sinais inequívocos de aquecimento global persistente. Além das temperaturas marinhas próximas a recordes, ela apontou ondas de calor nos oceanos e a acelerada retração do gelo no Ártico como evidências de um sistema climático cada vez mais dominado por extremos.
O Centro de Previsão Climática da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) dos Estados Unidos indicou que há 61% de probabilidade de que o El Niño se estabeleça entre maio e julho, com alta chance de persistir até o final do ano. O meteorologista da NOAA Nathaniel Johnson afirma que a transição das condições de La Niña para um forte El Niño pode ser uma das mais rápidas já registradas em décadas.
Embora o termo ‘super El Niño’ não seja adotado formalmente por todas as organizações meteorológicas, ele descreve eventos de magnitude excepcional. O ocorrido entre 1997 e 1998, por exemplo, elevou as temperaturas do Pacífico em até 2,4 °C acima da média histórica.
Um evento de escala equivalente teria consequências diretas e mensuráveis sobre a agricultura, a biodiversidade marinha e o equilíbrio hídrico em regiões inteiras do planeta. Os cientistas alertam que, com o acúmulo de gases de efeito estufa na atmosfera, eventos El Niño tendem a se tornar mais frequentes e mais intensos nas próximas décadas.
Este cenário reforça a urgência de políticas climáticas robustas e coordenadas internacionalmente. Conter o avanço do aquecimento global antes que os limiares de irreversibilidade sejam ultrapassados de forma definitiva é, segundo os especialistas, uma corrida contra o tempo.
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