A diplomacia multilateral ganhou novo impulso quando o chanceler chinês Wang Yi telefonou ao seu homólogo paquistanês para pedir que Islamabad intensifique seus esforços de mediação entre a República Islâmica do Irã e os Estados Unidos. A iniciativa foi divulgada pela agência chinesa Xinhua e ocorre em momento de alta tensão no Oriente Médio, com o presidente americano Donald Trump em viagem pela região — com paradas previstas na Arábia Saudita, no Qatar e nos Emirados Árabes Unidos.
A escolha do Paquistão como canal diplomático não é casual. Islamabad mantém relações históricas com Teerã e ao mesmo tempo preserva canais abertos com Washington, o que o coloca numa posição rara de interlocutor aceito por ambos os lados.
Ao acionar esse eixo, Pequim reforça seu papel de arquiteta de soluções diplomáticas na região, em contraste com a postura de pressão máxima que Washington tem adotado contra o Irã. O contexto é de alta voltagem.
Trump sinalizou recentemente que considerava relançar pressão militar para garantir a passagem de navios pelo Estreito de Ormuz, declaração recebida em Teerã como provocação direta. O Estreito de Ormuz é passagem obrigatória de cerca de 20% do petróleo consumido no mundo, e qualquer escalada militar ali teria consequências imediatas para os mercados globais de energia.
A retórica americana sobre Ormuz não é novidade, mas ganha peso num momento em que as negociações nucleares entre Washington e Teerã seguem em terreno instável. A ameaça de “proteger navios” no estreito é, na prática, uma forma de pressão militar disfarçada de retórica de segurança — um recurso acionado quando se quer dobrar governos soberanos sem declarar guerra aberta.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, concedeu entrevista à rede americana CBS na qual reafirmou sua determinação de pressionar pelo desmantelamento do programa nuclear iraniano. A declaração revela a extensão das ambições israelenses, que dependem, em última análise, do respaldo militar e político de Washington para se sustentar.
No Líbano, o custo humano das operações israelenses continua se acumulando. O Ministério da Saúde libanês divulgou balanço atualizado das vítimas das ofensivas conduzidas pelo exército de Israel no território libanês, conforme acompanha o portal da RFI em sua cobertura ao vivo do Oriente Médio. Os números seguem em atualização, mas já configuram um dos períodos mais letais para a população civil libanesa nos últimos anos.
Pequim é o maior parceiro comercial e estratégico do Irã, e qualquer negociação que envolva o futuro nuclear iraniano ou a estabilidade do Oriente Médio passa, inevitavelmente, pela disposição chinesa de engajar ou bloquear pressões ocidentais. Ao mobilizar o Paquistão como mediador, a China sinaliza que prefere construir pontes diplomáticas a assistir passivamente a uma escalada que poderia desestabilizar toda a região.
O quadro geral é o de uma ordem multipolar em construção acelerada, onde Washington já não dita sozinho os termos do jogo. A China mobiliza o Paquistão, o Irã mantém sua postura de defesa soberana, e Israel pressiona por uma solução de força que nenhum outro ator regional deseja — o resultado dessa equação ainda está em aberto, mas a diplomacia chinesa deixou claro que não pretende ficar de fora dela.
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