O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, afirmou que a ilha caribenha resiste às pressões econômicas e energéticas impostas pelos Estados Unidos e rejeitou a narrativa de colapso estatal.
‘Pese às cruéis medidas de asfixia econômica e energética que os EUA decretaram, Cuba segue de pé, não é um estado falido’, escreveu o mandatário em sua conta na rede X. A declaração veio em meio a uma crise aguda no Sistema Eletroenergético Nacional cubano.
Díaz-Canel descreveu a situação energética como ‘particularmente tensa’. Para o horário de pico noturno, o governo projetou um déficit superior a 2.000 megavatios.
Segundo o presidente cubano, a causa central desse agravamento é o que ele chama de ‘bloqueio energético genocida’ imposto por Washington. A indisponibilidade de combustíveis — provocada pelo cerco americano — impede a geração de 1.100 megavatios na ilha, quase metade do déficit total previsto para o pico.
O mandatário apontou o mecanismo de pressão com precisão: os EUA ameaçam com tarifas qualquer nação que forneça combustível a Cuba, criando um cordão de isolamento energético que afeta diretamente a população. Conforme reportagem da RT, Díaz-Canel também rebateu a ideia de que o bloqueio de mais de seis décadas ou as 243 medidas de endurecimento impostas pela administração Trump teriam conseguido destruir a Revolução Cubana.
O pano de fundo geopolítico dessa escalada remonta a uma ordem executiva assinada por Trump, que declarou ‘emergência nacional’ diante da suposta ‘ameaça inusual e extraordinária’ que Cuba representaria para os EUA e para a região. O documento acusa o governo cubano de se alinhar a ‘países hostis’, de abrigar ‘grupos terroristas transnacionais’ e de permitir o desdobramento de capacidades militares da Rússia e da China em seu território — acusações que Havana rejeita sistematicamente.
Com base nessa ordem executiva, Washington anunciou tarifas a países que vendam petróleo a Cuba, além de ameaças de represálias contra quem descumpra a determinação da Casa Branca. A medida representa uma nova camada de coerção sobre uma economia já submetida ao embargo comercial e financeiro mais longo da história moderna.
Díaz-Canel classificou a iniciativa como evidência da ‘natureza fascista, criminal e genocida de uma camarilha que sequestrou os interesses do povo americano com fins puramente pessoais’. A formulação sintetiza a postura de Havana diante de Washington: rejeição total, sem espaço para negociação sob coerção.
O bloqueio econômico e comercial dos EUA contra Cuba completa mais de seis décadas de vigência e foi reforçado por sucessivas administrações americanas. A atual gestão Trump aprofundou esse arsenal com novas restrições que atingem diretamente o fornecimento de energia — transformando a luz elétrica em instrumento de pressão política sobre 11 milhões de cubanos.
Com informações de ACTUALIDAD.
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