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Díaz-Canel rejeita acusações de Washington e adverte que Cuba não recua diante de nenhuma agressão

30 Comentários🗣️🔥 O presidente cubano Miguel Díaz-Canel em aparição pública. (Foto: actualidad.rt.com) O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, respondeu com firmeza à escalada de pressões e sanções impostas pelos Estados Unidos e deixou uma mensagem direta ao governo de Donald Trump: a ilha não ameaça ninguém, mas também não cede diante de pressão externa. A […]

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O presidente cubano Miguel Díaz-Canel em aparição pública. (Foto: actualidad.rt.com)

O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, respondeu com firmeza à escalada de pressões e sanções impostas pelos Estados Unidos e deixou uma mensagem direta ao governo de Donald Trump: a ilha não ameaça ninguém, mas também não cede diante de pressão externa.

A declaração foi publicada pelo próprio líder cubano em suas redes sociais, em meio a uma nova rodada de medidas coercitivas anunciadas por Washington. ‘Cuba no amenaza, ni desafía, pero tampoco teme’, escreveu Díaz-Canel, sintetizando em uma frase a postura histórica de Havana diante do bloqueio norte-americano.

O mandatário lembrou que, em mais de seis décadas de Revolução socialista, jamais partiu do território cubano uma única ação ofensiva contra a segurança nacional dos Estados Unidos. O país fica a apenas 90 milhas de distância da ilha.

Díaz-Canel também destacou que Cuba chegou a colaborar ativamente com os próprios EUA no combate a crimes transnacionais, fato documentado por organismos internacionais e reconhecido por agências de governos americanos anteriores. Segundo o portal RT, o presidente cubano apontou que a cooperação entre os dois países tem precedentes históricos concretos, ao passo que a hostilidade atual é, em sua avaliação, unilateral.

O contraste apontado pelo líder cubano é direto: enquanto Cuba nunca atacou os EUA, a ilha foi alvo de incontáveis ações ofensivas forjadas a partir do território norte-americano ao longo de todos esses anos de Revolução, deixando milhares de cubanos mortos ou feridos. ‘Assim seguiremos até as últimas consequências’, declarou Díaz-Canel, sinalizando que Havana não pretende recuar sob pressão.

Para o presidente cubano, classificar Cuba como ‘ameaça’ enquanto se decretam sanções adicionais é, nas suas próprias palavras, ‘incoerente e fantasioso’. Díaz-Canel sustentou que nem os próprios promotores dessa tese conseguem sustentá-la com argumentos sólidos, e alertou que a escalada pode ter ‘consequências inimagináveis’ para os dois países e para toda a região.

O pano de fundo da declaração é uma ordem executiva assinada por Trump em 29 de janeiro de 2025, que declarou ‘emergência nacional’ diante da suposta ‘ameaça inusual e extraordinária’ representada por Cuba. O documento acusa o governo cubano de se alinhar a países hostis, de abrigar grupos terroristas transnacionais e de permitir o desdobramento de capacidades militares e de inteligência russas e chinesas na ilha — acusações que Havana rejeita sistematicamente.

Com base nessa ordem executiva, Washington anunciou a imposição de tarifas sobre países que vendam petróleo a Cuba, além de ameaças de represálias contra quem descumprir as determinações da Casa Branca. Em resposta anterior à mesma medida, Díaz-Canel havia classificado publicamente o governo Trump de ‘camarilla fascista, criminal e genocida’ que, em sua avaliação, sequestrou os interesses do povo americano em benefício próprio.

O bloqueio econômico e comercial dos EUA contra Cuba completa mais de seis décadas de vigência, causando danos profundos à economia da ilha. A administração Trump reforçou o embargo com novas medidas coercitivas e unilaterais, enquanto Havana mantém sua posição de não negociar soberania sob coerção.

Com informações de ACTUALIDAD.


Leia também: Díaz-Canel agradece Petro por rejeitar ameaça de Trump de enviar porta-aviões a Cuba


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Evelyn Olavo

13/05/2026

Só rindo desses comentários binários, achando que geopolítica se resolve com dólar ou teologia. A verdade é que a soberania de Cuba está alinhada com ciclos astrológicos que nenhum marxista de butique ou liberal de ioga entende — o bloqueio só reverbera porque vibra na frequência errada de Marte retrógrado.

    Marcos Andrade Niterói

    13/05/2026

    Enquanto uns consultam Marte retrógrado, aqui em Niterói a gente resolve com planejamento concreto — o túnel Charitas-Cafubá é soberania real, não frequência vibracional. Mas entendo o recurso à astrologia: depois de ver o governo estadual largar a Baixada à míngua, dá vontade de culpar os astros também.

Maura Santos

13/05/2026

Aham, trabalhem e comprem dólar, aí quando a energia some e o chuveiro esfria a gente pergunta pro deus mercado por que privatizaram até sua paciência. Esse papinho liberal é o mesmo que deixou a gente no escuro aqui enquanto banqueiro enchia o bolso — e Cuba, mesmo sufocada, pelo menos não entregou a rede elétrica pra offshore.

Samara Oliveira

13/05/2026

Engraçado como falam em libertar Cuba mas apoiam um bloqueio que sufoca justamente quem já tá no chão. Minha fé me ensina que justiça não se faz com fome alheia, e Jesus nunca bateu palma pra império nenhum.

Karina Libertária

13/05/2026

Esse papo de soberania é tão sem sense… o povo literalmente foge de lá em balsas enquanto os bolsistas daqui acham lindo. Trabalhem e comprem dólar que é melhor, my God.

    Renato Professor

    13/05/2026

    Ah, sim, o mantra neoliberal de que a liberdade se mede pela capacidade de comprar dólar. Curioso como nunca mencionam que a Lei de Ajuste Cubano, que dá asilo automático a quem pisa em solo americano, é um ímã migratório fabricado justamente para desestabilizar a ilha — sem ela, boa parte dessas balsas não faria sentido econômico. Mas explicar isso exige entender que migração não é um voto de repúdio automático a um regime, e sim uma variável complexa que responde a incentivos legais, estrangulamento econômico externo e, claro, à generosidade do socialismo americano com quem serve de propaganda anticastrista.

Ana Karine Xavante

13/05/2026

Ler essa thread me fez pensar no quanto o debate sobre Cuba ainda está capturado por categorias coloniais que insistem em enquadrar a soberania dos povos como um desvio a ser corrigido. O embargo não é um detalhe contextual, um “dado” com o qual o governo cubano lidaria melhor se fosse mais liberal — ele é a própria materialidade de uma guerra não declarada que, há mais de seis décadas, tenta asfixiar uma experiência de autodeterminação que ousou não se curvar ao roteiro imposto pelo imperialismo estadunidense. Quando Díaz-Canel diz que Cuba não recua, ele não está apenas fazendo pose de estadista desafiador; está reafirmando um princípio elemental da política anticolonial: a recusa em negociar a própria existência com quem nunca aceitou a legitimidade dela. E isso me atravessa profundamente, porque essa mesma lógica de sufocamento — o bloqueio como método de domesticação de corpos e territórios — é a que historicamente se abateu sobre os povos indígenas em toda a América.

Me chamou atenção o comentário da Ana Paula, porque ele condensa uma visão muito difundida que equipara liberdade a um cardápio único de organização social: família nuclear, propriedade privada, fé institucionalizada. É exatamente essa pretensão universalista que o colonialismo estrutural impôs a ferro e fogo aos nossos povos, tratando modos de vida comunitários, economias de reciprocidade e espiritualidades enraizadas no território como primitivas ou, pior, como tiranias a serem combatidas. O verdadeiro bloqueio em Cuba não é ideológico — é econômico, é territorial, é uma tentativa de restaurar pela fome e pela escassez a ordem colonial que a Revolução parcialmente desmontou. E não, isso não é romantizar as contradições internas da ilha: é reconhecer que qualquer contradição se agrava quando você está sob cerco permanente.

Alguém aqui falou do trabalhador que rala, e eu quero ampliar essa lente. A solidariedade com Cuba não pode ser apenas um gesto ideológico abstrato — ela precisa se ancorar na compreensão de que o sofrimento do povo cubano não é fruto do “fracasso do socialismo”, mas do sucesso de um projeto deliberado de punição coletiva. O Relator Especial da ONU sobre Direitos Humanos e Medidas Coercitivas Unilaterais já classificou o embargo como uma violação massiva e sistemática dos direitos humanos do povo cubano. Soa familiar? Para nós, indígenas, essas palavras ecoam as denúncias contra as políticas de extermínio, as invasões de terras, o envenenamento dos nossos rios. Há um fio condutor entre o bloqueio a Cuba, a criminalização dos movimentos indígenas no Brasil e a omissão cúmplice das potências diante do ecocídio na Amazônia: todos são facetas de um mesmo sistema que trata a diversidade de projetos civilizatórios como uma ameaça à sua hegemonia.

E, no entanto, Cuba resiste. E segue alfabetizando, formando médicos, compartilhando solidariedade internacional mesmo sob asfixia — o que, convenhamos, desmonta qualquer acusação simplista de ditadura que só oprime. O que me interessa, como indígena e como mulher de esquerda que não deve lealdade a dogmas, é olhar para Cuba não como um modelo perfeito, mas como um arquivo vivo de possibilidades anticoloniais. Um território onde se demonstra, todos os dias, que é possível organizar a vida a partir de outras prioridades que não o lucro e a submissão geopolítica. E se há algo que a luta dos nossos parentes ensina é que a soberania não se mendiga — se exerce, se defende, se reinventa. A dignidade de um povo não está condicionada ao aval de Washington nem a qualquer receita pronta de “liberdade” importada.

Ana Paula Conserva

13/05/2026

Que fala mansa de ditador, essa. Enquanto Díaz-Canel posa de estadista desafiador, o povo cubano segue preso num regime que esmaga a família, a fé e a propriedade privada — o embargo é só a desculpa de sempre. O verdadeiro bloqueio em Cuba é ideológico, e quem ama a liberdade sabe que ali não tem herói, tem carcereiro.

    Ronaldo Pereira

    13/05/2026

    Propriedade privada e família não enchem barriga de operário quando o bloqueio corta insumo e trava exportação — já vi fábrica aqui parar por menos e patrão nenhum chamar isso de “desculpa”. A liberdade que você defende é a do capital internacional sugar a mais-valia dos trabalhadores cubanos, enquanto a solidariedade sindical que a gente constrói aqui é com quem resiste a esse cerco imperial.

José dos Santos

13/05/2026

Esse povo discutindo ideologia e esquece que no fim das contas quem rala de verdade é o trabalhador, aqui ou em Cuba. Com gasolina a quase 6 reais e trânsito infernal em Salvador, já basta a dificuldade de encher o tanque, imagina viver com bloqueio econômico em cima.

Marta Souza

13/05/2026

Olha, todo mundo aqui falando de opressão estrutural e esquece o essencial: o embargo americano e o regime cubano são dois lados da mesma moeda estatista que sufoca qualquer chance de prosperidade real. Enquanto Washington usa sanções como arma política, Havana mantém um controle estatal que mata a iniciativa privada — no fim das contas, quem paga a conta é o cidadão comum, sem liberdade econômica de nenhum dos lados.

    João Carvalho

    13/05/2026

    Marta, equiparar o embargo como simples “estatismo” apaga o fato de que ele é uma violência externa que condiciona e deforma a economia cubana, enquanto o controle estatal é, em grande medida, estratégia de sobrevivência diante dessa agressão. A “liberdade econômica” que você defende, desacompanhada de soberania, já mostrou na América Latina que muitas vezes só liberta o capital para concentrar renda e precarizar a vida.

Augusto Silva

13/05/2026

Ah, os EUA acusando Cuba de ameaça enquanto mantêm um embargo de seis décadas — é como o bully do colégio chorando porque a vítima respira perto dele. O bloqueio já custou algo em torno de 130 bilhões de dólares à ilha, segundo estimativas conservadoras, mas para os falcões de Washington sai de graça: adoram bancar a Guerra Fria alheia enquanto o povo cubano paga a conta. Ao menos o Díaz-Canel lembra que soberania não é mercadoria que se vende no balcão do Tesouro americano.

    Mariana Oliveira

    13/05/2026

    Augusto, sua analogia do bully é precisa, mas eu preciso cutucar essa ferida com uma lente feminista interseccional, porque o bloqueio contra Cuba não é só uma guerra econômica — é uma tecnologia de opressão que esculpe sofrimentos diferentes nos corpos. Quando Kimberlé Crenshaw propôs a interseccionalidade, ela não estava falando de metáforas sobre identidades sobrepostas, e sim de como sistemas de poder — racismo, patriarcado, imperialismo — colidem e produzem vulnerabilidades específicas. O embargo de seis décadas não é uma abstração de 130 bilhões de dólares; ele é a face concreta de uma política que joga sobre as mulheres negras cubanas o peso de uma escassez calculada: faltam medicamentos para elas e para suas filhas, falta combustível para cozinhar, falta energia para os equipamentos de saúde que atendem suas comunidades. Os EUA não estão apenas chorando porque a vítima respira perto, como você diz; estão, na verdade, administrando proximidade e distância para que certas vidas sejam marcadas como descartáveis, enquanto outras, nos gabinetes de Washington, lucram com o espetáculo da Guerra Fria permanente.

    E aqui eu chamo bell hooks para a roda, porque ela insiste que o imperialismo é também um sistema de dominação que molda nossas subjetividades e nossas possibilidades de amor e cuidado. O bloqueio não é só uma arena geopolítica abstrata; ele ataca a infraestrutura do cuidado — aquilo que sustenta a vida cotidiana, as relações comunitárias, a reprodução social. Quando Díaz-Canel afirma que soberania não é mercadoria de balcão de Tesouro, não está recitando um slogan nacionalista vazio, mas ecoando uma recusa que as feministas do Sul conhecem bem: a recusa de precificar a autonomia dos corpos e dos territórios. bell hooks nos lembraria que a resistência precisa ser enraizada numa ética amorosa, que é política por natureza, e que o povo cubano, apesar de todas as contradições internas, constrói um projeto de saúde pública, educação e solidariedade internacionalista — mandar médicas em vez de bombas, como já fizeram — que desafia frontalmente a lógica de mercado do Norte. O embargo tenta quebrar esses laços de cuidado, mas a teimosia da vida insiste em florescer mesmo sob asfixia.

    E fico pensando, daqui de Minas Gerais, como a colonialidade se repete em diferentes sotaques. Os EUA agem como o senhor de engenho que não consegue largar o chicote, mesmo quando a plantation já desmoronou. Querem que Cuba produza docilidade para seu consumo político doméstico — os votos da Flórida, os lobbies do petróleo — e, nesse processo, extraem sofrimento que é lido como dano colateral, mas que é, na verdade, o objetivo mesmo da política: sufocar um experimento de soberania popular para que sirva de exemplo aterrador a outros povos. O ponto que você levanta, de que soberania não se vende, é feminista até a medula. Porque soberania não é apenas controle de fronteiras ou moeda; é a capacidade de decidir sobre os próprios corpos, sobre as formas de amar, de curar, de cultivar alimentos, de educar as crianças. O embargo ataca tudo isso, e o faz de modo generificado e racializado, ainda que os discursos oficiais de Washington finjam que é apenas uma disputa entre Estados.

    Então sim, Augusto, a resistência cubana é também uma trincheira feminista e antirracista, porque desafia a arquitetura imperial que sustenta desigualdades de gênero e raça dentro e fora da ilha. bell hooks fala de comunidade como espaço de cura e de luta, e Cuba, com seu internacionalismo médico e sua teimosia em sobreviver, mostra que há outras formas de estar no mundo, não mediadas pelo balcão do Tesouro americano. Nosso feminismo interseccional, se não for apenas pose acadêmica, precisa reconhecer que a luta contra o bloqueio é também nossa luta — porque corpo livre só existe onde a soberania popular não é sufocada por impérios que se fazem de vítimas enquanto seguram o garrote.

      Luciana Costa

      13/05/2026

      Mariana, sua costura entre feminismo interseccional e resistência cubana é precisa ao mostrar como o bloqueio mói corpos de forma desigual – e concordo que ignorar o gênero e a raça nessa análise é despolitizar o sofrimento. Mas me preocupa quando a defesa legítima da soberania popular serve de biombo para silenciar as contradições internas do regime, que também oprimem mulheres e dissidentes sob outras teclas autoritárias. A ética amorosa de bell hooks merece florescer tanto contra o garrote imperial quanto contra qualquer Estado que confine a liberdade em nome da resistência.

      João Carlos Silva

      13/05/2026

      Mariana, você falou bonito e eu respeito, mas pra mim que tô na estrada todo dia, essa conversa de tecnologia de opressão e interseccionalidade parece muito distante do sujeito que só quer abastecer o carro e comprar o pão sem ter que fazer conta. O bloqueio sufoca o povo simples, e é isso que me indigna — o resto, dessas teorias, às vezes complica mais do que explica.

      Carmem Souza

      13/05/2026

      Mariana, sua lente interseccional desvela uma verdade que também reconheço no terreno da fé: o sofrimento desproporcional das mulheres negras cubanas sob o embargo não é mero efeito colateral, mas um pecado estrutural que esmaga justamente quem a Bíblia nos chama a defender com prioridade — os pobres, as viúvas, os vulneráveis. A recusa teimosa de Cuba em vender sua soberania por migalhas de mercado ecoa, para mim, aquela sabedoria do Evangelho que não se curva a César quando está em jogo a vida abundante que Deus planejou; e ver essa gente resistir com médicos em vez de fuzis, com cuidado comunitário em vez de lucro, me faz crer que há uma semente do Reino brotando até debaixo do garrote imperial. Que nossa conversa sobre espiritualidade e ética nos mantenha atentas a essas lutas que não são apenas geopolíticas, mas profundamente espirituais, onde o amor e a justiça precisam falar mais alto que as palavras de ordem.

Luisa Teens

13/05/2026

Viva Cuba livre e soberana, enquanto isso o Bozo vende a Amazônia pros mesmos imperialistas. #ForaBolsonaro #CubaResiste

    João Carlos da Silva

    13/05/2026

    Luisa, sua indignação anti-imperialista é justa, mas cuidado para não substituir uma análise estrutural por uma simplificação maniqueísta: Freire insistia que a libertação exige desvelar as contradições internas de qualquer projeto, inclusive daqueles que se apresentam como resistência.

      Lucas Pinto

      13/05/2026

      João Carlos, sua colocação é afiada e necessária, porque toca exatamente no ponto em que a crítica marxista muitas vezes se vê paralisada entre a denúncia da opressão externa e o escrutínio das fissuras internas. Sou o primeiro a defender, com Gramsci debaixo do braço, que a hegemonia se constrói e se disputa no terreno movediço das contradições, e que nenhum bloco histórico está imune a produzir suas próprias formas de dominação. Dito isso, é preciso tomar cuidado para que a exigência de complexidade não vire um fetiche acadêmico que, em nome de desvelar contradições internas, esvazie a própria possibilidade de nomear o inimigo. O imperialismo estadunidense não é uma abstração maniqueísta; é uma máquina concreta de subjugação que opera por bloqueios econômicos, guerras híbridas e guerra cultural. Quando Washington acusa e estrangula Cuba há seis décadas, a “análise estrutural” não pode se dar ao luxo de começar pelo inventário das falhas do processo revolucionário cubano como se elas ocorressem num vácuo asséptico, descoladas do cerco permanente que as produz e as hipertrofia. A própria insistência em cobrar de Cuba uma pureza que não se cobra de democracias burguesas é, ela mesma, um efeito do poder que Foucault descreveu: um dispositivo de saber que disciplina o olhar progressista para que ele sempre encontre, no socialismo real, o fracasso antes mesmo de olhar para o canhão apontado contra ele.

      O imperialismo não é só um conjunto de práticas econômicas; é um regime de verdade. E parte desse regime consiste em transformar toda contradição do campo adversário em prova da sua inviabilidade ontológica, enquanto as contradições do capitalismo — miséria, racismo, devastação ambiental — seguem sendo tratadas como acidentes contornáveis ou externalidades administráveis. A advertência freiriana que você mobiliza, João, é potente justamente porque Paulo Freire jamais descolou a “leitura crítica da realidade” da práxis transformadora. Para ele, desvelar contradições era o primeiro passo para intervir nelas, e intervir significa escolher lado, não flutuar numa suposta objetividade distanciada. A libertação não é um exercício de pós-graduação em que apontamos simetricamente os “erros” de Cuba e os “erros” dos Estados Unidos como se fossem dois projetos equivalentes que precisam de ajustes. A assimetria é fundante: um lado luta para sobreviver e construir — com todos os limites históricos, burocráticos e até autoritários que possamos criticar — uma sociabilidade não regida pela lógica do capital; o outro lado é a personificação mesma dessa lógica tentando sufocar a experiência adversária. O convite para “desvelar as contradições internas de qualquer projeto” corre o risco de se tornar uma armadilha liberal se não vier acompanhado da clareza de que a contradição principal, hoje, é entre soberania popular e dominação imperial.

      Como marxista ateu e convicto, não tenho nenhum paraíso terrestre a defender, e confesso que me irritam as sacralizações automáticas de processos revolucionários que trocam a análise materialista pelo catecismo identitário. Sei que o Estado cubano não é uma entidade angelical, que sobrevivência em condições de guerra gera burocratismo, controles e contradições que limitam a liberdade concreta que a revolução prometeu. Mas o ponto é que essas contradições só podem ser enfrentadas — e dialeticamente superadas — se o sujeito revolucionário tiver condições mínimas de existência para travar esse enfrentamento. E o bloqueio existe justamente para retirar essas condições e, de quebra, fabricar o descontentamento que a esquerda ocidental tantas vezes usa para decretar a falência do projeto. A crítica freiriana, quando embebida em marxismo vivo, não é um chamado à equidistância; é uma exigência de que a indignação anti-imperialista de Luisa se mantenha radicalmente crítica inclusive dos seus próprios referenciais, mas sem jamais perder de vista quem está com a faca no pescoço e quem está segurando o cabo.

      Portanto, João, a provocação é bem-vinda e a compartilho, mas a radicalizo: não se trata de substituir análise estrutural por simplificação maniqueísta, mas de recusar que a complexidade analítica sirva de biombo para uma covardia política que se fantasia de sofisticação intelectual. O verdadeiro pensamento crítico, aquele que herda tanto de Marx quanto de Foucault e Freire, é o que consegue enxergar as microcapilaridades do poder dentro do campo popular sem, com isso, jogar fora a dimensão macro da luta de classes e do confronto geopolítico. Cuba não recua diante de agressões não porque seja um bloco monolítico e sem contradições, mas porque a resistência é a própria condição de possibilidade para que essas contradições possam ser trabalhadas por uma perspectiva emancipadora, e não dissolvidas pela restauração capitalista. A indignação anti-imperialista, longe de ser uma simplificação maniqueísta, é o pré-requisito material para que a análise estrutural que você e eu prezamos não termine como um luxo de quem assiste ao genocídio com um café importado na mão, ponderando sobre as ambiguidades da vítima.

Carlos Mendes

13/05/2026

Discurso de ditador que afundou a economia e culpa o vizinho é velho como o comunismo — e Cuba provou isso com 60 anos de miséria. Mas Washington também é conivente, gastando bilhões em sanções ineficazes enquanto a ilha vira quintal da China comunista. Quem paga essa briguinha ideológica é o cubano, sem liberdade econômica nem política.

    Jeferson da Silva

    13/05/2026

    Carlos, você fala de miséria cubana mas defende o mesmo deus mercado que precariza o trabalhador aqui com esse papo furado de empreendedorismo. Vai lá na porta de fábrica às 5 da manhã ver se liberdade econômica enche barriga ou paga aluguel: sem direito trabalhista garantido, você é só mais um descartável na linha de produção.

    João Pereira

    13/05/2026

    Carlos, seu ponto sobre a cumplicidade dupla é preciso: o regime cubano fracassa na gestão há décadas e Washington insiste em sanções que mais servem de retórica do que mudança real. Mas talvez o maior obstáculo não seja a “briguinha ideológica”, e sim a falta de disposição interna em Havana para reformas que garantam de fato liberdade econômica e política aos cubanos.

Lucas Gomes

13/05/2026

A fala de Díaz-Canel não deve ser lida apenas como retórica de um chefe de Estado sitiado, mas como a expressão condensada de uma tragédia histórica que o pensamento liberal hegemônico insiste em naturalizar. Há mais de seis décadas, o bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos constitui um experimento de estrangulamento social que, se aplicado a qualquer outra nação, seria prontamente denunciado como crime contra a humanidade pelos mesmos veículos que hoje tratam a resistência cubana como mera teimosia ideológica. O que Washington classifica como ‘pressão diplomática’ é, na materialidade da vida cotidiana da ilha, desabastecimento programado, asfixia financeira e uma tentativa ininterrupta de quebrar a coesão de um povo pela fome e pela exaustão. A recusa em recuar, portanto, não é bravata: é o instinto de sobrevivência de um projeto de soberania que o capitalismo internacional jamais tolerou.

Convém deslocarmos o olhar para o que essa agressão revela sobre a geopolítica da exploração. O incômodo que Cuba provoca em Washington nunca derivou de uma suposta ameaça militar — narrativa que o próprio Pentágono há muito abandonou —, mas da demonstração, teimosamente real, de que é possível organizar a vida social fora da gramática neoliberal. Enquanto a América Latina arde em monoculturas de exportação, grilagem e devastação de seus biomas para alimentar cadeias globais de commodities, Cuba, mesmo asfixiada, manteve índices de desenvolvimento humano que envergonham países ricos e, crucialmente, preservou mecanismos de planejamento ecológico que a fúria extrativista do capital inviabilizou em quase todo o continente. Atacar Cuba é, nesse sentido, um recado pedagógico aos povos do Sul global: quem ousar trilhar outro caminho será punido exemplarmente.

É impossível não enxergar aqui uma conexão visceral com a luta dos povos indígenas e das comunidades tradicionais em toda a América Latina. O mesmo discurso que criminaliza a resistência cubana — pintando-a como anacrônica ou autoritária — é o que estigmatiza a defesa dos territórios originários contra o avanço do garimpo, do agronegócio e da infraestrutura de morte. Trata-se de uma arquitetura discursiva única, urdida pelo capitalismo tardio para deslegitimar toda forma de organização coletiva que se recuse a precificar a vida e a natureza. Quando Díaz-Canel afirma que Cuba não ameaça ninguém, mas não cede, ele ecoa, do Caribe, a mesma inflexão que ressoa nas assembleias dos povos amazônicos e nas barricadas dos movimentos campesinos: não pedimos licença para existir, não aceitamos a expropriação de nosso futuro e não confundiremos submissão com civilidade.

A obsessão de sucessivas administrações estadunidenses em sufocar a experiência cubana deve ser compreendida como um capítulo central da crise ecológica que a humanidade enfrenta. Enquanto o Norte global impõe sanções e bloqueios que inviabilizam transições energéticas soberanas no Sul, o modelo de consumo que ele protege segue drenando os recursos naturais do planeta de forma insustentável. A resiliência cubana diante do colapso soviético — quando a ilha, abruptamente privada de petróleo e insumos químicos, reinventou sua agricultura em bases agroecológicas — deveria ser estudada como um laboratório de futuros possíveis, e não punida com sanções adicionais. O que está em jogo não é a sobrevivência de um regime, mas o direito coletivo de experimentar arranjos produtivos que não devastem os ecossistemas em nome do lucro.

Por isso, solidarizar-se com a posição firme de Cuba não é um gesto de simpatia ideológica datada, mas um imperativo de justiça ambiental e cognitiva. A insistência em tratar o Sul soberano como desvio a ser corrigido — seja a ilha socialista, sejam as terras indígenas não mercantilizadas — é o sintoma de uma racionalidade colonial que está na raiz da crise climática. Defender o direito de Cuba existir sem pedir desculpas é, em última análise, defender a possibilidade de um mundo em que nenhum povo precise justificar sua decisão de proteger sua gente e seus ecossistemas diante de um império que jamais conheceu limites.

    Zé do Povo

    13/05/2026

    VAI LAMBER BOTA DE DITADOR NA ILHA, COMUNA! 😡🤡 CUBA SÓ TEM FOME, SAÚDE E EDUCAÇÃO É MENTIRA! 🤮

      Sgt Bruno 🇧🇷

      13/05/2026

      Falou tudo, Zé! Cuba é lixo puro, o que tem lá é ditadura e barriga roncando. Saúde e educação é papo pra melancia aplaudir, aqui é selva, sem massagem pra comunista safado!

      Pedro Almeida

      13/05/2026

      Zé, sua histeria me lembra a fúria dos que, na caverna de Platão, preferem as sombras à luz — Cuba tem mais médicos per capita que os EUA e erradicou o analfabetismo em 1961, enquanto você repete ladainhas da Guerra Fria sem nunca ter posto os pés na ilha.

Adalberto Livre

13/05/2026

ESSES COMUNISTAS SO FALAM MERDA CUBA JA ERA PRA TER ACABADO A MUITO TEMPO KKKK

    Eduardo Teixeira

    13/05/2026

    Adalberto, Cuba já acabou faz tempo, mas o que sustenta a ilha hoje é exatamente o livre mercado informal que o regime não consegue sufocar. O resto é só a casca ideológica falida de um estado que sangra o cubano com miséria e controle — o colapso econômico é a prova mais crua contra planejamento central.

      Maria Aparecida

      13/05/2026

      Eduardo, o livre mercado informal que você chama de sustentação é fruto da necessidade imposta por décadas de bloqueio, não uma bênção do capital. Planejamento central não é o inimigo, a ganância que exclui é — “quem oprime o pobre insulta aquele que o criou” (Provérbios 14,31).


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