Em entrevista ao canal Dialogue Works, o embaixador e ex-diplomata americano Chas Freeman traçou um panorama sombrio para os interesses de Israel e dos Estados Unidos no Oriente Médio, apontando o colapso da agenda expansionista israelense e a fragilidade da posição negociadora americana diante do Irã. Freeman destacou que as negociações indiretas, mediadas por Paquistão e Catar, pouco avançaram e que o Irã mantém o controle efetivo do Estreito de Ormuz.
Segundo Freeman, o principal objetivo americano nas conversas é reabrir a passagem para o transporte marítimo de petróleo, mas o governo Trump tem dificultado o processo com novas exigências. “O Irã está no controle. Os Estados Unidos são o demandante, pedindo favores”, disse o embaixador. Ele criticou a condição imposta pelo secretário do Tesouro, Scott Bessent, de que o comércio de petróleo iraniano seja denominado em dólares, o que, na sua avaliação, apenas entrega mais alavancagem a Teerã.
O embaixador também enfatizou que a recusa israelense em se retirar do Líbano e da Síria representa um desafio direto aos acordos em negociação. “Os Estados Unidos deram um cheque em branco a Israel para fazer o que quisesse no Líbano, e agora quer impor restrições”, afirmou. Para Freeman, a proposta de uma comissão de controle conjunto entre EUA e Irã para supervisionar o Líbano simbolizaria um reconhecimento tácito da influência iraniana na região, em detrimento dos interesses israelenses.
Freeman analisou a mudança no discurso do vice-presidente J.D. Vance, que nos últimos dias passou a enfatizar o direito de autodefesa de todos os países, inclusive territórios sob ocupação. “É um grande passo de afastamento de Israel”, avaliou, lembrando que o direito internacional reconhece a resistência armada contra a ocupação militar. A postura reflete, segundo ele, uma ala do movimento MAGA que defende a diplomacia em vez da força, embora Vance esteja envolvido em uma difícil batalha para vender o memorando de entendimento a um público cético.
Outro ponto central da entrevista foi a formação de uma coalizão entre Egito, Arábia Saudita, Turquia e Paquistão, que se reuniu paralelamente às negociações com o Irã. Freeman vê nesse agrupamento um potencial núcleo para uma nova arquitetura de segurança regional, capaz de equilibrar ou cooperar com Teerã, e que desafia a hegemonia militar israelense. “Israel é a fonte da instabilidade na região, não o Irã”, cravou.
Questionado sobre o futuro de Israel, Freeman foi taxativo: o país está em uma encruzilhada histórica. “Depois de 78 anos, vocês já deveriam ter pelo menos uma proposta de coexistência pacífica”, ironizou. Ele argumentou que a dependência exclusiva do poder militar fracassou repetidamente e que a sociedade israelense, dominada por elementos fascistas, se recusa a refletir sobre os próprios erros, isolando-se internacionalmente e caminhando para a autodestruição caso não mude de rumo.
Por fim, Freeman conectou a crise externa à política interna dos Estados Unidos, apontando que o fracasso militar e diplomático reverbera nas eleições de meio de mandato e na desintegração do sistema bipartidário. “Os americanos perderam a confiança nas instituições políticas”, disse. Com a aproximação do prazo de 21 de agosto, o embaixador vê pouco progresso concreto e um Irã cada vez mais fortalecido, enquanto Israel se vê abandonado até por seus tradicionais patronos.


Maria Clara Lopes
26/06/2026
É uma análise sensata. Ambos os lados precisam entender que prolongar conflitos só gera mais instabilidade regional.
Luiz Carlos
26/06/2026
Mais uma prova de que esse pessoal lá fora só sabe gastar dinheiro com guerra. Enquanto isso, a gente aqui paga imposto pra ver o circo pegar fogo. O Brasil que se vire, ninguém liga pra nossa segurança.
Lucas Gomes
26/06/2026
Concordo plenamente que é revoltante ver bilhões queimados em guerras enquanto o capitalismo devasta nossos biomas e comunidades, Luiz Carlos. Mas a segurança que realmente importa não vem de tanques e mísseis, e sim da proteção da Amazônia e dos direitos dos povos originários — é nisso que nosso imposto deveria estar sendo investido.
Luciana Costa
26/06/2026
Luiz Carlos, entendo sua frustração com os recursos gigantescos que vão para guerras enquanto sentimos que nossas prioridades domésticas ficam em segundo plano. Mas vale ponderar que a segurança internacional também nos afeta indiretamente, e o Brasil não está totalmente isolado desse tabuleiro — o desafio é encontrar um equilíbrio entre evitar o desperdício bélico e não ignorar os reflexos geopolíticos que chegam até aqui.
Marta Souza
26/06/2026
Mais um exemplo do fracasso da intervenção estatal e do gasto público desenfreado. Enquanto os contribuintes americanos bancam essa novela geopolítica no Oriente Médio, o mercado livre já mostrou que paz e prosperidade vêm do comércio, não de tanques e sanções. Cadê o lobby dos defensores de mais Estado para explicar esse rombo?
Cecília Ramos
26/06/2026
Marta, a Bíblia nos ensina que justiça e paz se constroem com responsabilidade coletiva, não com a mão invisível do mercado. Deixar povos inteiros à mercê de sanções e tanques enquanto se lucra com isso não é liberdade, é abandono do próximo.
Alice T.
26/06/2026
Exato, Cecília! Enquanto esses bilionários pregam “mercado livre”, é o povo palestino pagando com sangue pra manter o fluxo de armas e petróleo. A Bíblia tá mais alinhada com os fatos do que muito liberal por aí.
Paulo Gestor RJ
26/06/2026
Análise interessante, mas confesso que meu foco está mais na gestão urbana do Rio do que nessas tensões geopolíticas. Se o dinheiro que vai pra esse tabuleiro todo no Oriente Médio fosse aplicado em infraestrutura aqui, como ferrovias e projetos bem planejados, outra seria a realidade. No mais, acho que o debate sobre viabilidade de grandes projetos vale pra qualquer lugar, inclusive pro tal metrô submerso.
Major Ricardo Silva
26/06/2026
Paulo, concordo que infraestrutura no Rio é um desastre, mas não me venha com esse papo de desviar dinheiro da defesa nacional. Enquanto a esquerda chafurda em corrupção e ideologia de gênero, é a segurança do país que garante que projetos como esse metrô sequer saiam do papel. Sem ordem, não há obra que preste.
Caio Vieira
26/06/2026
Caro Paulo, sua perspectiva é compreensível, mas incorre naquilo que Gramsci denominava hegemonia do senso comum gestor: a ilusão de que as decisões sobre infraestrutura são autônomas em relação à geopolítica. O desvio de recursos para o complexo militar-industrial sionista não é acidental — é a própria materialização de uma ideologia que subordina o desenvolvimento periférico aos interesses do capital imperialista.
Sofia García
26/06/2026
Paulo, tu foi cirúrgico: o dinheiro que voa pros mísseis podia estar fazendo o metrô submerso virar realidade, mas a máfia do asfalto já engoliu o orçamento. É tipo aquele meme do “primeiro mundo problema vs terceiro mundo problema” — enquanto um explode, o outro rouba.
Ana Paula Conserva
26/06/2026
Concordo que a corrupção devora o que poderia ser investido em infraestrutura, mas a falta de Deus e de valores morais na gestão pública é a raiz do problema. Enquanto não nos voltarmos para a honestidade e a família, o dinheiro continuará sumindo.