Inteligência dos EUA conclui que Irã recuperou 90% dos sítios de mísseis no Estreito de Ormuz

Ilustração editorial sobre Inteligência dos EUA conclui que Irã recuperou 90% dos sítios de mísseis no Estreito de Ormuz. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro)

A comunidade de inteligência dos Estados Unidos concluiu que o Irã recuperou o acesso a 30 dos 33 sítios de mísseis que mantém ao longo do Estreito de Ormuz, incluindo lançadores e instalações subterrâneas. A avaliação, divulgada pelo Sputnik Internacional com base em reportagem do New York Times, contradiz o discurso oficial de Washington sobre os resultados da campanha militar contra a República Islâmica.

Os dados reunidos pela inteligência americana indicam que o Irã mantém cerca de 70% de seus estoques de mísseis anteriores ao conflito, incluindo foguetes balísticos e de cruzeiro. O relatório aponta ainda que o país permanece militarmente mais forte do que o governo dos EUA tem reconhecido publicamente.

O presidente dos EUA, Donald Trump, e altos funcionários do Pentágono afirmaram em diversas ocasiões que as capacidades militares iranianas foram “quase inteiramente destruídas”. As fontes ouvidas pelo New York Times, no entanto, descrevem o Irã como “parcialmente ou totalmente operacional” — uma avaliação que diverge das declarações públicas da administração americana.

A capacidade iraniana de reorganizar sua defesa mesmo sob pressão militar intensa é um dado que os próprios serviços de inteligência americanos registram. O Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo comercializado globalmente, permanece sob vigilância estratégica da República Islâmica.

No front doméstico americano, o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, foi questionado em audiência na Câmara dos Representantes sobre relatos de que a campanha contra o Irã teria esgotado significativamente os estoques de munição americanos. Hegseth descartou a preocupação como “exagerada”, garantindo que Washington dispõe do que precisa para eventuais operações futuras.

A negativa de Hegseth contrasta com alertas técnicos independentes. O Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS) divulgou relatório advertindo que os Estados Unidos correm o risco de enfrentar escassez de mísseis estratégicos em conflitos de grande escala, em razão do desgaste imposto pelas operações militares recentes no Oriente Médio.

No plano diplomático, Washington e Teerã anunciaram uma suspensão temporária das hostilidades após os ataques iniciais, com negociações subsequentes realizadas em Islamabad sem que se chegasse a um acordo definitivo. Trump estendeu a pausa para dar ao Irã tempo de apresentar uma proposta unificada, enquanto o impasse diplomático persiste.

O quadro descrito pelos próprios serviços de inteligência americanos aponta que a campanha militar não alcançou os objetivos proclamados publicamente. O arsenal iraniano foi preservado em larga medida e os sítios de mísseis em Ormuz estão em sua maioria reativados — expondo a distância entre as declarações oficiais de Washington e as avaliações internas de sua própria inteligência.


Leia também: Irã reforça frota de submarinos no Estreito de Ormuz


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