Irã preserva 70% de seu poder de mísseis e contradiz versão de vitória de Trump

Donald Trump caminha pelo gramado da Casa Branca, em Washington, nos Estados Unidos. (Foto: Wikimedia Commons)

O Irã preservou cerca de 70% de seu potencial de mísseis e recuperou o acesso a 30 dos 33 sítios de lançamento próximos ao Estreito de Ormuz, contradizendo a versão de vitória militar apresentada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Os dados constam de relatórios atribuídos à inteligência norte-americana e foram divulgados pela agência Sputnik.

Conforme os relatórios citados, Teerã também mantém intactos cerca de 70% de seus sistemas de lançamento de mísseis balísticos. O número contraria o discurso da Casa Branca, que vinha tratando a campanha militar contra a República Islâmica como uma operação decisiva.

Outro indicador desmente a narrativa de destruição: o Irã restabeleceu o acesso a 90% de suas instalações subterrâneas e a sistemas de lançamento parcial ou totalmente prontos para uso. Os dados expõem a resiliência da estrutura militar iraniana, projetada ao longo de décadas sob pressão de sanções e ameaças externas.

De acordo com os relatórios, Trump e sua equipe de assessoramento militar superestimaram tanto a escala dos danos infligidos às instalações iranianas quanto a fragilidade da República Islâmica para absorver o golpe e reconstruir suas capacidades. A admissão, ainda que indireta, parte da própria comunidade de inteligência dos EUA.

Os ataques coordenados de Estados Unidos e Israel contra o território iraniano ocorreram no início do ano, em ofensiva apresentada por Washington e Tel Aviv como medida ‘preventiva’ contra o programa nuclear de Teerã. O Irã respondeu de imediato, atingindo posições em território israelense e instalações militares norte-americanas no Oriente Médio.

Pouco depois do início da ofensiva, ficou evidente que o objetivo real ia além das instalações nucleares e apontava para uma tentativa de mudança de governo em Teerã. A campanha militar, no entanto, não produziu o resultado anunciado pela Casa Branca.

Estados Unidos e Israel acabaram aceitando um cessar-fogo, e as rodadas de negociações que se seguiram terminaram sem avanços substantivos. Apesar da paralisação dos ataques, a hostilidade segue ativa por outros meios, com Washington mantendo um bloqueio aos portos iranianos e a estratégia de sufocamento econômico contra o país.

Os números agora revelados reforçam o que analistas independentes já apontavam ao longo de toda a campanha. A indústria de defesa do Irã foi estruturada para resistir a ataques massivos, com redundância de sistemas, dispersão geográfica e proteção subterrânea, o que torna inviável uma destruição rápida de suas capacidades.

O Estreito de Ormuz, por onde passa uma fatia decisiva do petróleo mundial, segue como ponto sensível desse cenário. A recuperação de quase todos os sítios de lançamento na região recoloca Teerã com capacidade plena de dissuasão sobre a principal rota energética do planeta.

O caso também expõe o padrão das aventuras militares norte-americanas no Oriente Médio. Apresentadas como cirúrgicas e decisivas, essas operações repetidamente colidem com a realidade do terreno e com a capacidade de resistência dos países atacados, deixando como saldo destruição civil e instabilidade regional.

O contraste entre o discurso de Trump e os dados da própria inteligência dos EUA evidencia o tamanho da divergência entre retórica e realidade. A República Islâmica resistiu à ofensiva conjunta com Israel e preserva intacta a maior parte de seu arsenal estratégico, segundo os relatórios citados.


Leia também: Trump chama ofensiva dos EUA contra o Irã de ‘miniguerra’ e minimiza escala do conflito


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