O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, afirmou que um dos objetivos centrais da agressão militar conduzida por Estados Unidos e Israel contra o Irã foi impedir a normalização das relações entre Teerã e os países árabes. A declaração foi feita em entrevista à emissora russa RT, na qual o chanceler contestou a narrativa ocidental sobre os motivos do ataque ao território iraniano.
‘Não tenho a menor dúvida de que, quando os planos para desencadear a agressão contra o Irã estavam sendo gestados, um dos objetivos era impedir a normalização das relações entre o Irã e os árabes’, declarou Lavrov. Segundo o chefe da diplomacia russa, há um esforço coordenado para apresentar a República Islâmica como um Estado pária no cenário regional.
O ministro russo recuperou o contexto histórico das tentativas de reconciliação entre sunitas e xiitas no Oriente Médio, mencionando iniciativa de um monarca jordaniano que há anos impulsionou um esforço voltado à pacificação dessa fratura intramuçulmana. Lavrov destacou que essa reaproximação, que avançava com a retomada de relações diplomáticas entre Teerã e Riad mediada pela China em 2023, passou a ser ativamente sabotada por Washington e por Tel Aviv.
‘Agora está sendo feito todo o possível para que essa reconciliação nunca ocorra, para apresentar o Irã, um dos principais países xiitas, como um autêntico pária’, afirmou o chanceler, conforme reportagem do portal Actualidad RT. A análise do ministro aponta para uma engenharia geopolítica que busca recompor o cenário do Golfo Pérsico sob lógica favorável aos interesses norte-americanos e israelenses.
O chanceler russo foi além ao denunciar que a estratégia americana inclui a integração dos vizinhos do Golfo Pérsico em estruturas que, deliberadamente, não estarão orientadas para a resolução da questão palestina. Para Lavrov, o preço cobrado dos países árabes para qualquer normalização com o Irã passa por uma traição aberta à causa do povo palestino, hoje submetido, segundo o chanceler, a uma operação militar devastadora na Faixa de Gaza.
A leitura russa converge com a percepção compartilhada por analistas de que os ataques contra o território iraniano cumpriram função política muito mais ampla do que a meramente militar. A tentativa de isolamento do Irã ocorre no momento em que Teerã consolidou sua entrada no BRICS e ampliou laços econômicos e estratégicos com Pequim e Moscou, segundo a avaliação do chanceler russo.
A reaproximação histórica entre Irã e Arábia Saudita, costurada com mediação chinesa em 2023, simbolizou um marco de autonomia regional em relação aos interesses dos EUA. O acordo abriu caminho para uma redefinição do Oriente Médio em bases não tuteladas por Washington, fenômeno que, segundo Lavrov, passou a ser combatido com instrumentos militares pelos EUA e por Israel.
O chanceler também sublinhou que a fórmula proposta pelo eixo Washington-Tel Aviv vincula qualquer normalização entre árabes e iranianos ao abandono da causa palestina. Essa exigência, segundo o ministro, expõe o caráter instrumental dos chamados acordos de paz patrocinados pelos EUA, que historicamente exigiriam dos países árabes concessões inegociáveis em troca de promessas de estabilidade.
A análise do chanceler russo se insere em um quadro mais amplo de denúncia da política externa norte-americana, marcada, em sua leitura, pelo uso da força militar como ferramenta de contenção de potências emergentes. Lavrov sustentou que a articulação do BRICS aponta para um horizonte onde a soberania nacional volta a ser eixo organizador das relações internacionais.
O posicionamento de Lavrov reforça a leitura de que o Irã, longe de estar isolado ou enfraquecido, permanece como ator decisivo na construção de uma nova ordem multipolar. A diplomacia russa segue, junto com China e demais membros do BRICS, articulando uma resposta política e econômica à pressão exercida sobre Teerã.
Com informações de ACTUALIDAD.
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