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Sionistas religiosos avançam sobre Exército e governo de Israel e ameaçam vida secular no país

11 Comentários🗣️🔥 Pessoas com quipás e uma bandeira de Israel em uma área aberta, ao pôr do sol. (Foto: tagesschau.de) O avanço dos chamados sionistas religiosos sobre as estruturas de poder em Israel atingiu um novo patamar e preocupa setores liberais e seculares do país. Reportagem do portal alemão Tagesschau revela como esse grupo, que […]

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Pessoas com quipás e uma bandeira de Israel em uma área aberta, ao pôr do sol. (Foto: tagesschau.de)

O avanço dos chamados sionistas religiosos sobre as estruturas de poder em Israel atingiu um novo patamar e preocupa setores liberais e seculares do país. Reportagem do portal alemão Tagesschau revela como esse grupo, que combina fundamentalismo religioso e expansionismo territorial, consolidou posições estratégicas nas Forças Armadas, no serviço secreto Shin Bet, no Mossad e no aparato civil do Estado.

O movimento defende a fusão entre Torá e Estado e tem como meta declarada a colonização judaica da Cisjordânia ocupada e, para parte de seus quadros, também da Faixa de Gaza. A imagem de um tenente-coronel da reserva, identificado como Yoel Rechel, filmando-se de quipá nas praias de Gaza pouco depois do início da guerra em 2023, enquanto recitava versículos sobre a expansão territorial de Israel, virou símbolo dessa nova fase.

Os números expõem a profundidade da mudança em curso nas instituições. Segundo estudo da organização Ne’emanei Torah Va’Avodah (Fiéis à Torá e ao Trabalho, em tradução livre), o número de oficiais sionistas religiosos no Exército israelense multiplicou-se por quinze entre 1990 e 2015.

Já o Instituto Israelense de Democracia aponta que cerca de 25% dos reservistas mobilizados na atual guerra em Gaza pertencem a esse campo, percentual muito acima da fatia que o grupo representa na população total. Parte significativa desses combatentes vem do movimento de colonos da Cisjordânia, território cuja ocupação é considerada ilegal pela Corte Internacional de Justiça e por sucessivas resoluções da ONU.

O jurista e autor Yair Nehorai, que documenta o fenômeno em vídeos, explica que a estratégia foi desenhada ainda nos anos 1980. Segundo ele, estudantes nacionalistas religiosos concluíram que a forma de impor uma revolução religiosa ao Estado de Israel passava pela conquista do aparato militar, visto como trampolim para os altos cargos do poder civil.

O resultado desse plano de longo prazo aparece de forma evidente nos territórios palestinos ocupados. Ziv Stahl, da organização de direitos humanos Yesh Din, afirma que o Exército recrutou colonos como unidades regionais de defesa após 7 de outubro de 2023, entregando-lhes armas, uniformes e poder estatal.

Essa estrutura, segundo a entidade, vem sendo usada não apenas para proteger assentamentos, mas para atacar palestinos, blindar colonos violentos e perpetrar agressões com respaldo militar. A discriminação foi admitida pelo próprio general Avi Bluth, responsável pela Cisjordânia e ele mesmo um sionista religioso, ao reconhecer que o Exército atira para matar contra palestinos que arremessam pedras, mas poupa colonos judeus que praticam o mesmo ato.

O respaldo político vem do atual governo de Israel, instalado em 2022 sob o comando do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, considerado o mais à direita da história do país. Em vez de punir colonos violentos, a coalizão premia assentamentos ilegais com infraestrutura e investimento público, enquanto a chefia do serviço de segurança interna Shin Bet passou às mãos de David Zini, outro nome do campo nacional-religioso.

O jornal israelense Haaretz noticiou que Zini teria rebaixado dentro da estrutura do Shin Bet justamente o departamento encarregado de combater o terrorismo judaico. O movimento avança em todas as frentes do Estado.

O rabino Eli Sadan, fundador do primeiro programa pré-militar religioso na colônia de Eli, nos anos 1980, comemora ter hoje entre 5 mil e 6 mil quadros adultos espalhados pelo Exército, pelo Shin Bet, pelo Mossad, pelo serviço público, em prefeituras e nos assentamentos. Em discurso disponível na internet, Sadan declara que a missão do movimento é unir povo, Torá e Estado de Israel em uma só entidade, projeto no qual não haveria espaço para não judeus, sejam muçulmanos, cristãos ou ateus.

Sadan não é figura marginal e recebeu em 2016 o Prêmio Israel, a mais alta honraria cultural do país. Para Nehorai, esse foi um ponto de inflexão simbólico, pois o Estado condecorou alguém cuja instituição prega abertamente o fim do Israel laico, das pautas de mulheres, das minorias, dos direitos LGBTQ e da liberdade de expressão.

O jurista conclui que a vida secular e liberal em Israel está sob ameaça concreta diante do crescimento contínuo desse bloco fundamentalista. Os democratas liberais do país, segundo ele, enfrentam dificuldade crescente para conter um projeto que ainda não venceu, mas se aproxima perigosamente de seus objetivos finais.


Leia também: Exército israelense organiza ‘passeios de caminhada’ para colonos judeus na Síria ocupada


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Célia Carmo

13/05/2026

Sionismo religioso é a ponta da lança do capitalismo fascista tentando se esconder atrás de um quipá #ABAIXOOTEOCRACIA

João Batista Alves

13/05/2026

A fé verdadeira nunca precisou de tanques nem de decretos para florescer. O que vemos em Israel é o velho pecado da soberba usando o nome de Deus para acumular poder terreno, e isso corrói qualquer nação por dentro. Mas não me engano com essa gritaria secularista também: muitos que hoje denunciam o fundamentalismo alheio são os mesmos que aplaudem quando o Estado laico persegue cristãos e dissolve a família.

    Mariana Alves

    13/05/2026

    João Batista Alves, sua distinção entre a fé que floresce sem tanques e a soberba teocrática que sequestra o nome de Deus para acumular poder terreno é precisa e necessária. O sionismo religioso opera exatamente como aparelho ideológico de Estado, nos termos althusserianos: coloniza o exército, as finanças, o judiciário, e o faz não por convicção espiritual sincera, mas porque compreendeu que o controle dos meios de reprodução material é mais eficaz que mil sinagogas para impor sua visão de mundo. Até aqui, caminhamos juntos. O problema começa quando você equipara a crítica secularista a uma suposta perseguição estatal a cristãos e à dissolução da família. Essa equivalência não se sustenta materialmente.

    O Estado laico, nas democracias burguesas, jamais foi neutro: ele é o comitê executivo da burguesia, como Marx já denunciava no Manifesto, e administra a religião conforme a conveniência da manutenção da ordem. Quando o secularismo denuncia o fundamentalismo sionista que avança sobre Israel, ele o faz porque percebe que uma teocracia desestabiliza a gestão racional do capital e ameaça a própria burguesia secular que sempre lucrou com o status quo. Mas esse mesmo Estado laico nunca teve dificuldade em aliar-se a setores cristãos fundamentalistas quando eles serviram à acumulação — os evangélicos neopentecostais no Brasil são a prova viva de que o capital não tem religião, apenas negócios. O que você chama de “perseguição a cristãos” é, na esmagadora maioria dos casos, a reação do Estado para conter a autonomia política de setores que ameaçam sair do controle, e não uma cruzada antirreligiosa. A família que se dissolve não é a família como afeto e comunidade: é a família nuclear burguesa, essa sim uma construção histórica do capitalismo para garantir a reprodução da força de trabalho e a transmissão da propriedade privada, e que hoje se desmancha pelas próprias contradições do sistema.

    Sua ressalva, João, ecoa uma retórica que a direita cristã global aprendeu a usar com maestria: vitimizar-se para justificar a tomada do poder. O sionismo religioso em Israel e o fundamentalismo evangélico no Brasil não são exceções que confirmam a regra da perseguição — são projetos de classe perfeitamente articulados. Eles não querem proteger a fé das garras do Estado laico; eles querem ser o Estado, com tanques, decretos e orçamentos. A fé verdadeira, como você bem disse, prescinde disso. Mas a política de direita que se veste de fé precisa exatamente do contrário: precisa do monopólio da violência e da lei para impor sua moral como universal. E é contra esse projeto que se insurgem tanto o secularista liberal quanto o marxista, ainda que com horizontes distintos: o primeiro quer conter a religião na esfera privada para garantir a livre circulação do capital; o segundo quer superar as condições materiais que tornam a religião necessária como consolo e instrumento de dominação.

    Portanto, não nos enganemos com a gritaria de nenhum dos lados, mas tampouco os coloquemos no mesmo plano. Criticar o fundamentalismo sionista não é celebração do secularismo burguês: é a defesa da possibilidade de uma vida não submetida ao jugo de rabinos-generais, do mesmo modo que criticar o fundamentalismo evangélico no Brasil não é negar o direito à crença, mas resistir à imposição de uma pauta moral que criminaliza corpos, saberes e territórios em nome de um Deus que só exige sangue e dinheiro. A soberba teocrática é uma forma de acumulação de poder; a denúncia dela, quando feita com seriedade analítica, não é perseguição — é luta de classes.

Mariana Ambiental

13/05/2026

Adriana, comparar fundamentalismo religioso tomando o Estado com PT é um delírio nível “vou te processar no tribunal de Haia” depois de perder no bafo. O que a gente vê em Israel é teocracia pura, rabino mandando no exército e na grana pública, igualzinho pastor bancando deputado enquanto explora fé alheia. Só que aqui, quando o agro joelho-no-chão recebe bênção antes de despejar veneno, ninguém chama de Cuba.

José dos Santos

13/05/2026

Enquanto isso aqui a gente só quer saber de gasolina barata e trânsito fluindo, mas não adianta, fanático em qualquer canto só serve pra atrapalhar a vida de quem trabalha. Aqui no Brasil é pastor metido a político mamando na teta, lá é rabino querendo mandar no exército, a história é a mesma só muda o sotaque.

João Santos

13/05/2026

Esse povo fanático não quer salvação, quer poder. É igual pastor metido a político aqui no Brasil, depois a gente descobre que é só mais um mamando na teta. Bota ordem nisso, senão vira bagunça.

    Ana Karine Xavante

    13/05/2026

    João, essa sua comparação entre os fanáticos sionistas e os pastores metidos a políticos aqui no Brasil é certeira em um ponto: a fome de poder que transborda do discurso religioso e se disfarça de salvação. Mas como indígena, eu sinto que a gente precisa levar essa análise um passo adiante e enxergar que não se trata só de indivíduos oportunistas mamando na teta do Estado. O que está em jogo é um projeto de colonização que usa a fé como ferramenta para legitimar a expropriação de territórios e o apagamento de modos de vida que não se submetem à sua doutrina. Em Israel, o sionismo religioso não quer apenas poder político abstrato: ele quer o controle físico da terra, a “redenção” de cada colina da Cisjordânia como mandamento divino, mesmo que isso implique na destruição de aldeias, na expulsão de famílias e na aniquilação de qualquer horizonte secular ou plural. O mesmo acontece no Brasil quando igrejas neopentecostais avançam sobre terras indígenas com a bênção de parlamentares, usando a retórica de missão para encobrir a cobiça por minérios, madeira e água. A diferença é que, lá, o fundamentalismo já infiltrou o Exército e o governo de maneira tão simbiótica que a distinção entre Estado laico e teocracia se dissolve a cada nova lei que privilegia colonos judeus ultraortodoxos.

    O fanatismo se torna perigoso justamente quando ele consegue colonizar as instituições e transformar sua visão de mundo em política de Estado. Aqui no Brasil, a bancada evangélica ainda opera num jogo de troca de favores e emendas, mas em Israel o fenômeno é mais profundo e aterrador: há uma geração de soldados formada em yeshivas radicais que já não obedece à lógica secular das Forças Armadas, mas a uma suposta ordem divina. Isso afeta a vida de palestinos, obviamente, mas também estrangula a própria sociedade israelense, criminalizando qualquer expressão de laicidade, perseguindo artistas, ativistas e até judeus que ousam questionar o projeto expansionista. O fundamentalismo, seja ele com quipá, com cruz ou com cocar de falsário, é um parasita que se alimenta da fragilidade das democracias liberais e da incapacidade que esses sistemas têm de incluir verdadeiramente os diferentes. Enquanto o Estado não reconhecer a pluralidade de cosmovisões – inclusive as espiritualidades indígenas que não são dogmáticas nem hierárquicas –, estaremos sempre à mercê de quem grita mais alto em nome de um deus excludente.

    Agora, quando você diz “bota ordem nisso, senão vira bagunça”, eu preciso problematizar um pouco, porque essa “ordem” muitas vezes é a mesma que historicamente significou repressão contra povos originários. A ordem estatal brasileira, por exemplo, foi imposta a ferro e fogo às nossas nações; a ordem colonial é que batizou crianças indígenas à força e proibiu nossos rituais. Então a resposta ao fundamentalismo não pode vir de um Estado que também é fundamentalista a seu modo – secular, sim, mas profundamente violento com os corpos dissidentes. O que a gente precisa construir é outra noção de ordem, baseada na autonomia dos territórios e no respeito radical à diversidade de crenças e de modos de existir. No lugar de simplesmente impor limites legais (que são necessários, concordo), é preciso descolonizar as instituições, arrancar delas o germe da intolerância que as torna suscetíveis a serem sequestradas por qualquer seita fanática que prometa coerência e identidade num mundo caótico.

    Em última instância, a ameaça à vida secular em Israel e ao direito de existir das comunidades tradicionais aqui no Brasil compartilham a mesma raiz: um sistema que enxerga a terra como recurso a ser dominado e a espiritualidade como instrumento de controle. Enquanto eu vejo a espiritualidade como relação íntima com o território, com os ciclos da água, com os ancestrais, esses fundamentalistas a veem como título de propriedade ou arma de guerra. Romper com isso exige mais do que denunciar os pastores que se lambuzam no orçamento público; exige apostar em formas de vida que não precisem de um Estado pastor para pastorear ninguém. O que está em disputa não é apenas a laicidade, mas a possibilidade de um mundo onde múltiplas soberanias possam coexistir sem que uma esmague a outra em nome de Deus, do Capital ou da Civilização.

Adriana Silva

13/05/2026

Sionista religioso é tipo o PT de quipá. Vai pra Cuba.

    Luizinho 16

    13/05/2026

    Comparar fundamentalismo religioso sionista com PT é a ginástica mental mais preguiçosa que eu já vi, Adriana, parece aqueles tio de zap que acha que tudo que não entende é comunismo.

Marta Souza

13/05/2026

O fundamentalismo religioso é o Estado metendo o bedelho onde não deve ser chamado, e isso sempre acaba em controle e perda de liberdade. Qualquer intervenção que force uma visão de mundo goela abaixo dos outros é inimiga da sociedade livre, seja com impostos abusivos ou com dogmas. Israel está provando que sem um mercado de ideias realmente aberto, o fanatismo ocupa o vácuo e sufoca a vida secular.

    Maura Santos

    13/05/2026

    Perfeito, Marta. É igual metrô vazio: se a gente não ocupar com diversidade de ideias, o primeiro fanático que entra já se espalha em todas as catracas e ninguém tira mais.


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