A missão permanente da República Islâmica do Irã nas Nações Unidas classificou como ‘ridícula e enganosa’ a tentativa dos Estados Unidos de apresentar como amplo apoio internacional o número de países que aderiram a um projeto de resolução de motivação política sobre o estreito de Ormuz. Em comunicado oficial, a representação iraniana afirmou que nenhum volume de adesões obtido por meio de pressão e coerção pode legitimar as ações ilegais de Washington contra Teerã no plano internacional.
A nota foi divulgada em resposta direta às manobras diplomáticas norte-americanas em torno de um novo texto apresentado em conjunto com o Bahrein no Conselho de Segurança. Segundo o portal Mehr News, a missão iraniana sustentou que a narrativa de isolamento do país é construída artificialmente pela diplomacia de Washington.
Entre as ações classificadas como ilegais pelo Irã estão o bloqueio naval, ataques armados e a apreensão de navios mercantes iranianos. A representação diplomática também denunciou a retenção de tripulações em práticas comparadas abertamente a atos de pirataria, afirmando que esse padrão de conduta dos Estados Unidos no Golfo Pérsico configura violação direta do direito internacional marítimo e da Carta das Nações Unidas.
De acordo com o comunicado, é de conhecimento amplo que muitos Estados-membros da ONU aderiram ao projeto de resolução sob pressão política, coerção e até mesmo ameaças diretas. As alegações do representante norte-americano sobre apoio generalizado, prossegue a nota, não passam de uma tentativa desesperada de fabricar legitimidade para objetivos políticos predeterminados, minar a credibilidade do Conselho de Segurança e oferecer cobertura política a ações ilegais.
O texto promovido pelos Estados Unidos e pelo Bahrein possui vinte pontos, distribuídos em nove parágrafos introdutórios e onze operacionais, todos redigidos sob o Capítulo VII da Carta das Nações Unidas, dispositivo que autoriza medidas coercitivas, inclusive militares. A escolha deste enquadramento jurídico é vista por Teerã como instrumento de pressão máxima e ameaça direta à soberania iraniana sobre suas águas territoriais e à navegação no estreito de Ormuz.
Trata-se da segunda tentativa em poucos meses de levar o tema ao colegiado mais poderoso das Nações Unidas. A primeira proposta, também encabeçada pelo Bahrein em nome dos Estados membros do Conselho de Cooperação do Golfo, com exceção de Omã, e da Jordânia, foi apresentada após o agravamento das tensões militares no território iraniano.
Aquela resolução anti-iraniana acabou vetada por China e Rússia em reunião anterior do Conselho de Segurança, episódio que marcou nova derrota diplomática para Washington no organismo. O veto duplo das duas potências do BRICS reafirmou a recusa em chancelar mecanismos coercitivos contra a República Islâmica, abrindo caminho para a atual estratégia norte-americana de ampliar artificialmente a base de apoio antes de submeter um novo texto.
O estreito de Ormuz é uma das passagens marítimas mais estratégicas do planeta, por onde transita parcela significativa do petróleo e do gás natural consumidos globalmente. A tentativa norte-americana de internacionalizar o controle sobre a via, contornando a soberania iraniana, é interpretada por Teerã como mais um capítulo das pressões dos Estados Unidos no Golfo Pérsico, conduzidas sob a justificativa de preocupações com a segurança da navegação.
A missão iraniana encerrou seu comunicado reiterando que os atos unilaterais dos Estados Unidos contra o país, longe de configurar resposta legítima a qualquer ameaça, integram um padrão sistemático de hostilidade que combina sanções econômicas, agressões militares e manobras diplomáticas. Para Teerã, a recente ofensiva no Conselho de Segurança apenas confirma o esforço de Washington para converter pressão política em legitimidade jurídica fabricada.
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