Mohammad Marandi: ‘Irã está mais preparado para guerra do que no início do conflito

O professor da Universidade de Teerã, Mohammad Marandi, oferece uma análise contundente sobre a resiliência do Irã diante das pressões e ataques dos Estados Unidos e seus aliados. Segundo Marandi, o Irã se preparou para um conflito prolongado, enquanto os Estados Unidos, sob a liderança de Donald Trump, são vistos como agressivos e inconsistentes em suas ações e comunicações. O Irã, segundo ele, adotou uma abordagem estratégica, optando por não responder imediatamente às tentativas de contato dos EUA. Esta estratégia visava demonstrar que o país estava preparado para uma guerra longa, com planos que se estendiam até o próximo ano.

Marandi ressalta que, apesar das declarações públicas dos EUA sobre a destruição das capacidades militares iranianas, o Irã conseguiu manter suas capacidades de mísseis e drones intactas. Ele destaca que as fábricas iranianas, localizadas em instalações subterrâneas, permaneceram operacionais e que o país utilizou a guerra como uma oportunidade para se rearmar e melhorar suas capacidades tecnológicas. Essa preparação e resiliência, segundo o professor, foram fundamentais para o Irã resistir a um conflito que envolveu não apenas os EUA, mas também o regime israelense e outros aliados regionais de Washington.

A entrevista foi transmitida pelo canal Neutrality Studies em 13 de maio, com o apresentador Pascal. Professor Mohammad Marandi é conhecido por suas análises sobre relações internacionais e geopolítica, com um foco particular no Oriente Médio. Sua perspectiva é valorizada por oferecer uma visão interna do Irã e suas estratégias em meio a tensões globais.

Marandi critica a postura dos EUA ao rejeitarem propostas iranianas durante as negociações, afirmando que o governo Trump aceitou simbolicamente um plano de dez pontos do Irã, mas sem intenções sinceras de implementação. Ele observa que a aceitação do plano foi vista como uma vitória simbólica para o Irã, expondo a inconsistência de Trump, que frequentemente contradiz suas próprias declarações. Essa situação, de acordo com Marandi, serviu para ridicularizar Trump no cenário internacional.

Além disso, Marandi menciona que o Irã utilizou o cessar-fogo como uma oportunidade para se rearmar e se preparar para futuras hostilidades. Ele aponta que, historicamente, o Irã aprendeu com suas experiências passadas, como na Guerra dos Doze Dias, para fortalecer suas defesas e corrigir deficiências. A estratégia iraniana incluiu a manutenção de sua infraestrutura militar subterrânea, permitindo que o país continuasse a produzir armas avançadas, mesmo sob ataque.

O professor também destaca a importância da diplomacia para o Irã, não por evitar a guerra, mas como uma forma de se preparar melhor para ela. Ele critica a mídia ocidental por não relatar adequadamente os eventos no Oriente Médio, afirmando que há uma tendência de ocultar a verdadeira extensão da violência e da limpeza étnica conduzida por Israel no Líbano e em Gaza.

Apesar das dificuldades, Marandi acredita que o Irã está mais preparado para a guerra agora do que no início do conflito. Ele menciona que a estratégia iraniana de resistência, baseada na disposição de seus líderes para sacrificar suas vidas, é um fator crucial na capacidade do país de enfrentar adversidades. Marandi também aponta que a pressão econômica e as sanções impostas pelos EUA estão afetando não apenas o Irã, mas também a economia global, aumentando a pressão sobre Trump e seus aliados.

O professor Marandi conclui que, embora o Irã esteja disposto a negociar, ele está igualmente preparado para resistir a qualquer agressão. Ele sugere que a única solução viável para os EUA seria uma resolução política, já que a destruição completa das capacidades iranianas é improvável. O Irã, segundo ele, continuará a fortalecer sua posição, tanto militar quanto diplomaticamente, em meio a um cenário global cada vez mais tenso.

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