A sonda Psyche, da NASA, executa um sobrevoo de Marte para usar a gravidade do planeta como catapulta e ganhar velocidade rumo ao seu destino final.
A nave cruza o espaço a 19.848 km/h. Os engenheiros da agência consideram essa etapa decisiva para o sucesso da missão.
O asteroide Psyche, localizado no cinturão de asteroides entre Marte e Júpiter, é o objeto de estudo que justifica toda a operação. Cientistas acreditam que ele seja o núcleo exposto de um protoplaneta que nunca chegou a se formar completamente, composto majoritariamente de níquel e ferro.
Essa composição representa uma janela direta para os processos internos que moldaram os planetas rochosos do sistema solar, incluindo a própria Terra.
Durante a aproximação a Marte, a sonda capturará milhares de imagens do planeta. O material servirá tanto para calibrar os instrumentos científicos a bordo quanto para produzir registros visuais detalhados da superfície marciana.
Essa dupla função — técnica e científica — transforma o sobrevoo em muito mais do que uma simples manobra de propulsão.
A missão foi lançada em 2023 e tem chegada prevista ao asteroide para 2029, quando a sonda entrará em órbita e passará dois anos investigando as características únicas do corpo celeste. Conforme detalhado pelo portal Phys.org, a expectativa é que os dados coletados possam reformular a compreensão científica sobre a formação dos planetas.
Do ponto de vista tecnológico, a missão representa um salto qualitativo na propulsão espacial. A sonda utiliza propulsão elétrica solar combinada com propulsores de gás xenônio, sistema que oferece eficiência de combustível muito superior à propulsão química convencional.
O sobrevoo de Marte não ocorre de forma isolada. Rovers em operação na superfície marciana e uma frota de orbitadores americanos e europeus realizarão observações simultâneas durante a passagem da sonda, permitindo comparação cruzada dos dados coletados por diferentes plataformas.
Esse esforço coordenado amplia o valor científico do evento e ilustra como a exploração espacial contemporânea opera em rede, integrando múltiplos instrumentos e agências para extrair o máximo de cada oportunidade.
O asteroide Psyche desperta interesse que vai além da geologia espacial pura. Sua composição metálica em escala planetária levanta questões fundamentais sobre como os núcleos de ferro se formam e se comportam — processos que ocorrem a milhares de quilômetros abaixo da superfície terrestre e são completamente inacessíveis à observação direta.
Estudar o Psyche de perto equivale, em certo sentido, a dissecar o interior de um planeta sem precisar perfurá-lo.
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