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Cientistas revelam dois mecanismos distintos que explicam a persistência da La Niña por vários anos

0 Comentários🗣️🔥 Ondas fortes no oceano sob um céu escuro, com pássaros voando. (Foto: phys.org) Pesquisadores da Universidade de Ciência e Tecnologia da Informação de Nanjing e da Universidade do Havaí identificaram dois mecanismos distintos que explicam por que eventos de La Niña podem se prolongar por múltiplos anos consecutivos. O estudo foi publicado na […]

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Ondas fortes no oceano sob um céu escuro, com pássaros voando. (Foto: phys.org)

Pesquisadores da Universidade de Ciência e Tecnologia da Informação de Nanjing e da Universidade do Havaí identificaram dois mecanismos distintos que explicam por que eventos de La Niña podem se prolongar por múltiplos anos consecutivos. O estudo foi publicado na revista Advances in Atmospheric Sciences e representa um avanço significativo na compreensão dos padrões climáticos que afetam populações em escala global.

La Niña e El Niño são as duas fases opostas de um padrão climático recorrente no Oceano Pacífico tropical, com impactos diretos sobre precipitações, temperaturas e eventos extremos em todos os continentes. Enquanto o El Niño é marcado por temperaturas anormalmente quentes na superfície do mar, a La Niña traz condições mais frias. Sua persistência em ciclos de dois ou três anos — os chamados eventos “double-dip” ou “triple-dip” — pode resultar em secas prolongadas, inundações e colapsos agrícolas de longa duração.

Tim Li, autor correspondente do estudo, explicou que a hipótese mais aceita até então atribuía os eventos multianuais de La Niña a episódios extremos de El Niño anteriores. No entanto, essa explicação cobre apenas cerca de 30% dos casos registrados ao longo do último século, deixando a maioria dos eventos sem uma explicação satisfatória.

A pesquisa revelou que o chamado Modo Meridional do Pacífico Sul — sigla SPMM, do inglês South Pacific Meridional Mode — é o fator determinante nos 70% restantes dos casos. O SPMM descreve um padrão de anomalias de temperatura da superfície do mar ao sul do equador, cuja influência sobre a circulação atmosférica havia sido sistematicamente subestimada pelos modelos anteriores.

Quando o resfriamento associado ao SPMM se estende para o Pacífico Sul durante a primavera, ele altera a circulação atmosférica regional e fortalece os ventos de leste ao longo do equador. Esses ventos intensificados aumentam a ressurgência de águas frias provenientes das camadas profundas do oceano, realimentando o resfriamento da superfície e retardando o declínio natural da La Niña.

Experimentos com modelos atmosféricos confirmaram que essa resposta dos ventos constitui um mecanismo de retroalimentação positiva entre o oceano e a atmosfera, tecnicamente denominado instabilidade acoplada oceano-atmosfera dependente da estação. Esse processo se torna particularmente intenso em determinadas épocas do ano, o que explica a sazonalidade observada na persistência dos eventos.

Os eventos multianuais de La Niña podem, portanto, se desenvolver por duas rotas bem definidas. A primeira é impulsionada por uma forte descarga de calor do oceano superior associada a um super El Niño anterior, que induz anomalias na termoclina e retarda o declínio da La Niña por meio do chamado feedback de Bjerknes. A segunda rota, agora identificada com clareza, envolve a influência das anomalias de temperatura meridionalmente estendidas do SPMM, que fortalecem os ventos equatoriais de leste, ampliam a ressurgência oceânica e sustentam o resfriamento superficial por períodos adicionais.

Conforme detalhou o portal Phys.org ao cobrir a publicação, o objetivo final da equipe é aprimorar as previsões de eventos de La Niña de múltiplos anos e seus impactos de longo alcance. Os pesquisadores pretendem agora testar como os modelos climáticos atuais capturam essas duas rotas distintas e investigar de que forma o aquecimento global pode alterar o comportamento e a frequência desses eventos no futuro.


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